Guarani, 100 anos
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Neneca, Mauro, Gomes, Édson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca e Bozó. Essa escalação clássica está na lembrança de qualquer torcedor bugrino, mas não foi o time que entrou em campo no segundo jogo da decisão de 1978, contra o Palmeiras. Zenon, suspenso, foi substituído por Manguinha, que comemorou a conquista inédita do Campeonato Brasileiro. O histórico meia ainda morava nos alojamentos do Brinco de Ouro da Princesa, mas não teve coragem de sair do quarto e acompanhar a partida. Ficou, nervoso, embaixo das arquibancadas, sofrendo, para então celebrar no final.
Houve, também, o grito clássico da torcida: “Não é mole não, é Djalminha, Amoroso e Luisão”. Foi em 1994, quando o Bugre terminou em terceiro no Campeonato Brasileiro. O engraçado é que os três, em campo ao mesmo tempo, só ocorreu em um único jogo. Foi em 17 de agosto, em São Januário, derrota por 3 a 1 para o Vasco. Amoroso e Djalminha começaram jogando e Luisão entrou depois.
Antes teve Neto, Evair e João Paulo. Esses sim jogaram muito juntos, e quase deram o título do Paulista de 1988 ao alviverde campineiro. O Mauro Silva estava muito no início nessa época ainda, mas também fazia parte da equipe que, no mesmo ano, caiu somente na segunda fase da Libertadores da América, diante do San Lorenzo. Participação alcançada com o vice brasileiro do famigerado ano de 1987, quando nunca poderia ter ficado de fora da Copa União. Porque o time de 1986, derrotado justamente pelo maior ídolo de todos os tempos do Brinco de Ouro, Careca, no finalzinho, era um dos grandes do país.
Mas Libertadores não era novidade. Em 1979 o continente já havia conhecido esse time de fora das capitais brasileiras, com nome indígena. Após uma primeira fase quase perfeita, caiu nas semifinais para o futuro campeão, Olimpia. Deixou, pelo menos, o artilheiro do torneio: Miltão, com seis gols.
O tempo foi passando. A realidade do futebol brasileiro mudou. E aos poucos, dirigentes mal preparados foram destruindo o clube e sendo engolidos por esse novo contexto do esporte. Nunca conseguiram, porém, diminuir a paixão do torcedor bugrino. Segunda divisão, terceira divisão. O bugrino, apaixonado, esteve com seu time nos mais distintos e improváveis locais do Brasil. Encheu o Brinco de Ouro contra adversários impensáveis a ser enfrentados anos antes. Sofreu com as provocações, as brincadeiras. Mas nunca deixou de estar ao lado do Guarani.
E que nesses 100 anos de história cultivou uma das maiores e mais gostosas rivalidades do futebol brasileiro. Impossível falar do Bugre e não citar a Macaca. E vice-versa.
Se o momento atual é péssimo, o bugrino sabe que tem um motivo a mais para vibrar com o time. Seguirá empurrando sempre, apesar dos dirigentes. Até porque, como diz a própria letra do hino, “avante, avante meu Bugre, que nós vibramos por ti. Na vitória ou na derrota, hoje e sempre Guarani”. Para sempre, Bugrão.
Adendo: esta foi uma singela homenagem deste jornalista ao centenário do Guarani Futebol Clube, celebrado neste sábado, dia 2 de abril de 2011. Jornalista que nasceu em Belo Horizonte, virou corintiano em São Carlos e desde os oito anos vive o futebol em Campinas. E agora, mesmo 100 km distante, ainda se arrepia ao lembrar do céu visto do túnel de acesso ao tobogã no Brinco de Ouro ou do pôr do sol no Moisés Lucarelli. Até mesmo das tardes de futebol com sexta divisão paulista no estádio da Mogiana. E que desde 1998 não perde um dérbi campineiro.
Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas