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Grande decepção

A Copa dos Estados Unidos tinha uma seleção sul-americana apontada como uma das favoritas. E não era a Argentina, classificada apenas depois de repescagem, e do Brasil, que só garantiu vaga no último jogo das Eliminatórias contra o Uruguai. Era a seleção que foi a Buenos Aires e massacrou a seleção da casa com sonoros 5 a 0. A Colômbia de Rincón, Valderrama e Asprilla.

O jogo contra a Argentina foi o estopim para criar uma grande expectativa para a participação da Colômbia na Copa. O confronto valia a vaga direta no mundial, uma vez que a Colombia tinha um ponto a mais. A Argentina precisava apenas vencer em casa para se garantir. Isso mesmo depois de ter perdido a primeira partida entre ambos na casa do adversário, no primeiro turno. A acachapante vitória colombiana fez a Argentina ter que enfrentar a Austrália e se garantir com muita dificuldade na repescagem.

A Colômbia ficou no grupo A das Eliminatórias. Além da Argentina, compunham o grupo o Paraguai e o Peru. Na fórmula de disputa da época, os campeões dos dois grupos e mais o melhor segundo se classificava direto à Copa. O outro segundo colocado disputaria a repescagem. A Colômbia jogou seis partidas, com quatro vitórias e dois empates, terminando a campanha invicta.

Campanha na Copa
O mundial de 1994 foi o último a ter 24 seleções participantes. Divididas em seis grupos, classificavam-se os dois primeiros de cada um, além dos quatro melhores terceiros colocados. A Colômbia foi sorteada no grupo A, junto com Romênia, Suíça e Estados Unidos. Os sul-americanos eram os favoritos da chave, mas começaram a campanha com uma surpreendente derrota para a Romênia de Gheorghe Hagi por 3 a 1, mesmo jogando a maior parte do tempo com mais posse de bola e pressionando o adversário. A Romênia conseguiu marcar no seu primeiro ataque, resistiu à pressão sul-americana e fez 2 a 0. A Colômbia diminuiu no final do primeiro tempo, mas um gol no final do segundo tempo decretou a derrota da seleção de Valderrama.

O segundo jogo era contra os Estados Unidos, donos da casa. Apesar de ser claramente superior durante o jogo, mais uma vez a Colômbia não conseguiu converter sua maior posse de bola e domínio da partida em gol. E veio uma derrota inesperada por 2 a 1, com um dos gols sendo marcado pelo zagueiro Andres Escobar, contra.

No último jogo, os colombianos venceram a Suíça por 2 a 0 e torciam por uma derrota da Romênia para os Estados Unidos para se classificarem. Porém, os romenos conseguiram vencer e foram os primeiros do grupo. A Colômbia, quarta colocada, voltou mais cedo para casa, decepcionando a torcida, depois de ter criado a expectativa de um time que poderia ir longe.

Tragédia criminosa
O último jogo da Colômbia foi no dia 26 de junho. A seleção colombiana retornou dos Estados Unidos com a frustração de um favorito que saiu cedo demais. No dia 2 de julho, o zagueiro Andres Escobar foi assassinado com doze tiros na saída de uma casa noturna em Medellín, cidade onde jogava pelo Atlético Nacional. Segundo a namorada do jogador, a cada tiro o assassino gritava “gooooooooool”. O crime foi associado ao gol contra do zagueiro, já que a seleção colombiana viveu turbulências durante sua preparação para o mundial, com rumores sobre o cartel de drogas e máfias de apostas exerceram pressão no elenco. O técnico Francisco Maturana teria recebido ameaças de morte na decisão sobre a escalação. Barabas Gomez teria sido cortado por causa das ameaças, com Hernán Gaviria sendo convocado para o seu lugar.

Os jogadores
Do time que foi aos Estados Unidos, destacam-se o goleiro Oscar Córdoba, Carlos Valderrama, Faustino Asprilla e Freddy Rincón, que na época atuava pelo Palmeiras. Confira o destino de cada um dos colombianos que atuaram naquela Copa:

1. Oscar Córdoba – goleiro
O goleiro, então com 24 anos, teve uma carreira longa.Depois de sair do América de Cali, onde ficou até 1997, foi para o Boca Juniors (1997-2001), Perugia (2002), Besiktas (2002-2006), Antalyaspor (2006-2007), Deportivo Cali (2007-2008) e Millionarios (2008-2009). Córdoba foi convocado para o jogo da Colômbia contra Chile e Paraguai, nos dias 10 e 14 de outubro. Com 39 anos, o goleiro anunciou que encerra a carreira depois do final da temporada de 2009 devido às diversas lesões.

4. Luis Fernando Herrera – lateral direito
O lateral construiu toda sua carreira no Atlético Nacional, onde jogou de 1982 a 1996. Na Copa de 1994, tinha 32 anos e foi titular nos três jogos que a seleção participou. Foi campeão da Libertadores em 1989 e venceu dois campeonatos colombianos. Encerrou a carreira em 1996, aos 34 anos.

2. Andres Escobar – zagueiro
O zagueiro foi formado pelo Atlético Nacional, clube que defendeu entre 1987 e 1989, quanfo foi campeão da LIbertadores. Foi jogar no Sport Boys, da Suíça, na temporada 1989-1990. Voltou ao clube colombiano em 1990, onde ficou até ser brutalmente assassinado. Depois de marcar o gol contra no jogo contra os Estados Unidos no Mundial, Escobar foi considerado um dos principais culpados pelo fracasso na campanha. O seu assassino, Humberto Muñoz, foi condenado em 1995, mas foi solto em 2005 por bom comportamento e devido a mudanças no código penal, o que gerou muita polêmica no país. Cerca de 120 mil pessoas foram ao funeral do jogador, que teve uma estátua construída em sua homenagem.

3. Alexis Mendoza – zagueiro
Titular na partida final da primeira fase contra a Suíça, o zagueiro também esteve presente na Copa de 1990, quando não chegou a entrar em campo. Na época da Copa, atuava pelo Junior, onde ficou de 1993 a 1996. Encerrou a carreira um ano depois, no Veracruz-MEX, em 2007.

15. Luis Carlos Perea – zagueiro
Perea foi titular nas duas primeiras partidas do mundial. O jogador, com 31 anos na Copa, quando atuava pelo Atlético Junior. Passou por Necaxa-MEX (1994), o agora extinto Toros Neza-MEX (1994-1995), Deportes Tolima (1996) e encerrou a carreira no Independiente Medellín em 1998. Pela seleção, jogou até 1994. Depois de aposentar-se no futebol, trabalhou como técnico de divisões de base do Miami Strike Force, dos Estados Unidos, time hoje extinto.

20. Wilson Perez – lateral esquerdo
Com 27 na época do mundial, Pérez jogava pelo América de Cali na época, onde ficou até 1995. Depois passou por Deportivo Unicosta (1996-1997), Independiente Medellín (1998), retornou ao América de Cali (1999), Millionarios (2000) e encerrou sua carreira no Atlético Junior, em 2001.

14. Leonel Álvarez – volante
Álvarez era outro jogador do América de Cali em 1994, time que defendeu até 1995, quando foi para o Dallas Burn-EUA (1996). Depois jogou por Veracruz-MEX (1997), novamente o Dallas Burn-EUA (1997), New England Revolution-EUA (1999-2001), Deportivo Pereira (2002) e Deportes Quindío (2003-2004), quando encerrou sua carreira. O ex-meio-campo tournou-se então assistente técnico no Deportivo Pereira e acabou sendo técnico da equipe mais tarde. Atualmente é o técnico do Independiente Medellín, clube no qual iniciou a carreira.

5. Hernán Gaviria – volante
O volante Gaviria atuava pelo Atlético Nacional na época do mundial. Jogou a primeira e a terceira partida da Copa de 1994 como titular. O jogador passou, por empréstimo, pelo Deportes Tolima, em 1995, depois voltou ao Atlético Nacional e ficou até 1997. De 1998 a 2001, defendeu o Deportivo Cali. Em 2001, jogou pelo Shonan Bellmare, depois passou por Atlético Bucaramanga em 2002, ano que também atuou pelo Deportivo Cali. Em um treino da equipe, em 2002, Gaviria foi atingido por um raio, junto com seu companheiro de clube Giovanni Córdoba. Gaviria morreu na hora e Córdoba morreu três dias depois, no hospital. O jogador tinha apenas 32 anos.

6. Gabriel Gomez – volante
Titular somente na partida inaugural da Colômbia contra a Romênia, Gomez era o jogador mais experiente da seleção, com 34 anos. Jogava pelo Atlético Nacional em 1994, e foi para o Independiente Medellín no ano seguinte. Jogou por uma temporada e encerrou a carreira.

8. John Harold Lozano
Reserva na Copa, entrou no jogo contra a Suíça, último da primeira fase, e acabou marcando o segundo gol da equipe na vitória por 2 a 0. Foi revelado pelo América de Cali, onde jogava na época da Copa. Teve passagem pelo Palmeiras-BRA (1995), América-MEX (1995-1996), e teve passagem importante pela Espanha, atuando por Valladolid-ESP (1996-2002) e Mallorca (2002-2003). Seu último clube foi o Pachuca-MEX (2003-2004), quando encerrou a carreira aos 32 anos.

10. Carlos Valderrama – meia
Astro e capitão da equipe, El Pibe, então com 32 anos, era o armador do meio-campo colombiano. Atuava no Atlético Junior em 1994, onde ficou até 1995. Depois, começou uma de suas diversas passagens pelo futebol norte-americano. A primeira pela Tampa Bay Mutiny-EUA (1996-1997), depois Miami Fusion-EUA (1998), Tampa Bay Mutiny-EUA novamente (1999-2001) e Colorado Rapids (2001-2002), onde encerrou a carreira aos 42 anos. Na seleção, participou das Copas de 1990, 1994 e 1998. Atuou como assistente técnico no Atlético Junior em 2007.

19. Freddy Rincón – meia
Conhecido da torcida brasileira, Rincón era o único na seleção colombiana que atuava no Brasil. O meia jogava pelo Palmeiras, time pelo qual foi campeão Brasileiro (1994) e Paulista (1994). Foi para o Napoli, onde jogou a temporada 1994/1995, seguindo para o Real Madrid em 1995/1996. Voltou ao Palmeiras em 1996 até 1997, quando foi para o arquirrival Corinthians. Pelo alvinegro, foi campeão Brasileiro (1998, 1999), Paulista (1999) e do 1º Mundial da Fifa (2000). Saiu do Corinthians para outro clube pauslita, o Santos, em 2000. Transferiu-se para o Cruzeiro em 2001, mas ficou pouco tempo no time mineiro. Retornou ao futebol em 2004 para defender o Corinthians, mas jogou apenas sete partidas antes de encerrar a carreira. Rincón passou a ser técnico em 2005, no Iraty. Passou por São Bento (2006) e São José (2009). Atualmente é técnico do time sub-20 do Corinthians.

21. Faustino Asprilla – atacante
Um dos principais nomes da seleção colombiana era um dos quatro “estrangeiros” que atuavam fora do país (além dele, Freddy Rincón no Palmeiras-BRA, Farid Mondragón no Argetino Juniors-ARG e Adolfo Valencia no Bayern de Munique-ALE). Asprilla, então com 25 anos, jogava pelo Parma-ITA e foi o mais bem-sucedido jogador daquele grupo em termos internacionais. Foi titular nos três jogos da Copa, mas não marcou nenhum gol. Na carreira, depois do Parma (1992-1996), foi para o Newcastle-ING (1996-1998), voltou ao Parma (1998-1999), foi para o Palmeiras (1999-2000), Fluminense (2000-2001), Atlante-MEX (2001-2002), Atlético Nacional (2002-2003), Universidad de Chile-CHI (2003) e encerrou sua carreira pelo Estudiantes-ARG (2003-2004), atuando apenas em duas partidas. Oficialmente, se aposentou apenas em julho de 2009, passando então a dar aulas na academia de futebol que montou na Colômbia.

11. Adolfo Valencia – atacante
Valencia era outro dos estrangeiros, e marcou dois gols durante a Copa, nas derrotas para a Romênia e para os Estados Unidos. Perdeu a posição de titular no segundo jogo, substituído por Anthony De Ávila. O jogador atuou pelo Bayern de Munique-ALE antes da Copa, transferindo-se para o Atlético de Madrid-ESP (1994-19995) depois da competição. Passou depois por Independiente de Santa Fé (1995-1996), América de Cali (1996), Reggiana-ITA (1997-1998), Independiente Medellín (1998-1999), PAOK-GRE (1999-2000), MetroStars-EUA (2000-2001), Independiente de Santa Fé (2002), Zhejiang Lucheng-CHN (2002), Unión Atlético (2003) e, finalmente, Zhejiang Lucheng-CHN (2003-2004), último clube da carreira do jogador, aos 36 anos.

7. Anthony de Ávila – atacante
Atacante rápido e habilidoso, de Ávila atuava pelo América de Cali quando foi à Copa de 1994, clube pelo qual começou a carreira (1983-1987), com uma passagem pelo Unión Santa Fe (1987-1988) antes de voltar ao América, ficando de 1998 a 1996. Foi para o MetroStars-EUA (1996-1997) e depois atuou pelo Barcelona-EQU (1997-1999). Participou também da Copa de 1998. Em 2009, aos 46 anos, voltou a atuar pelo América de Cali, dez anos depois de sua aposentadoria.

9. Ivan Valenciano – atacante
Então com 22 anos, o atacante foi reserva na Copa de 1994, atuando o segundo tempo do jogo contra os Estados Unidos. O jogador passou por 16 clubes na carreira, mas suas melhores fases na carreira foram em suas três primeiras passagens pelo Junior (1988-1992, 1993-1996, 1999-2000), time pelo qual foi revelado e marcou muitos gols. Em 1999, também teve passagem de destaque pelo Independiente Medellín, em 1999. Em 2001, chegou a jogar quatro vezes pelo Gama-BRA, sem marcar gols. Teve outras passagens sem sucesso em mais oito clubes, antes de encerrar a carreira em 2007, aos 35 anos.

Reservas não usados
Entre aqueles que foram aos Estados Unidos, mas não entraram em campo, destaque para o atacante Victor Hugo Aristizábal, inscrito com a camisa 16 naquele mundial, e que teve passagens importantes por São Paulo e Cruzeiro no Brasil. Jogou como titular uma das partidas na Copa de 1998, entrando nas outras duas vindo do banco. Venceu a Copa América de 2001 pela seleção, única da Colômbia na história. Encerrou a carreira jogando pelo Atlético Nacional, clube que o revelou, jogando de 2005 a 2007.

Outro reserva de destaque é o goleiro Farid Mondragón, camisa 12 na Copa, que acabou sendo titular na Copa de 1998, na França. Aos 38 anos, o jogador ainda atua profissionalmente pelo Koln-ALE, que disputa a Bundesliga, desde 2007, depois de passagem marcante pelo Galatasaray-TUR, entre 2001 e 2007.

Maurício Serna é outra entre os reservas não utilizados que teve destaque na carreira. Atuando pelo Boca Juniors-ARG, o volante venceu duas vezes a Libertadores, duas vezes o Apertura e uma vez o Clausura. Pelo Atlético Nacional, onde atuou entre 1991 e 1997, antes de ir para a Argentina, venceu um campeonato Colombiano em 1994. Encerrou a carreira pelo Atlético Nacional, em 2005.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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