Governo italiano anuncia novas medidas de segurança
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O governo da Itália anunciou nesta terça-feira um novo pacote de medidas de segurança, a fim de permitir o reinício das competições de futebol no país. Na última sexta, após a morte do policial Filippo Raciti durante um conflito com torcedores na partida entre Catania e Palermo, a federação (FIGC) decretou a suspensão de todos os campeonatos.
Nesta quarta-feira, uma reunião do Conselho de Ministros deve dar caráter de lei às novas medidas, que incluem a proibição de venda em bloco de ingressos para torcidas visitantes. As novas regras ainda garantem às autoridades o direito a banir torcedores dos estádios – inclusive menores de idade – mesmo sem indiciamento.
A polícia poderá efetuar prisões ligadas a futebol em um prazo de até 48 horas após o incidente, ainda que sem mandado. Passa a ser proibida qualquer associação de caráter financeiro ou profissional entre os clubes e as torcidas organizadas.
Os clubes ainda serão obrigados a adaptar os estádios ao Decreto Pisanu, adotado no ano passado para controlar a violência nos estádios. No entanto, como vários clubes não são proprietários dos estádios em que jogam, vinham argumentando que as modificações seriam de responsabilidade das prefeituras.
Entre os pontos principais do Decreto Pisanu, estão: assentos numerados, catracas eletrônicas, circuito de vigilância de TV dentro e fora do estádio, barreiras transparentes separando setores do estádio e a torcida visitante da local, área exclusiva para a polícia administrar a segurança, e um ponto de primeiros-socorros para cada 10 mil torcedores.
A lei passará a valer também para os estádios com capacidade inferior a 10 mil torcedores, até então isentos do Decreto Pisanu.
O comissário extraordinário da FIGC, Luca Pancalli, aguarda o anúncio oficial das medidas para dar via livre à retomada dos campeonatos. Uma forte possibilidade é que apenas os estádios já adequados às exigências possam receber públicos – nos outros, as partidas seriam disputadas com portões fechados.
Hoje, apenas cinco estádios estariam dentro das normas: o Olímpico de Roma, o Olímpico de Turim, o Artemio Franchi de Siena, o Luigi Ferraris de Gênova e o Renzo Barbera de Palermo.
A liga dos clubes, responsável pela organização das duas principais divisões do futebol italiano, se reuniu nesta terça-feira para discutir a realização do futebol. O presidente do Palermo, Maurizio Zamparini, contou ao jornal La Gazzetta dello Sport que a idéia de jogar sem público não agrada a vários clubes. Para ele, seria suficiente barrar a presença das torcidas visitantes.
´Estamos todos de acordo na proibição às torcidas visitantes, portanto haveria menos problemas de ordem pública´, argumentou. ´Manifestamos nossa idéia contrária aos portões fechados, porque na ausência de torcida visitante os clubes são capazes de garantir a segurança nos estádios. O governo, de qualquer forma, antes de tomar decisões deveria nos consultar´.
Apesar de ainda não ter autorizado a volta das competições profissionais, a FIGC já deu permissão para a disputa do tradicional Torneio de Viareggio para equipes sub-20, a se iniciar nesta quarta, com portões fechados.