Giordano: o menos famoso do “trio MaGiCa”

Diz o ditado que o cavalo não passa selado duas vezes para a mesma pessoa. Para Bruno Giordano, atacante que fez história no futebol italiano, passou. E se ele não soube aproveitar a primeira chance, agarrou a segunda e tornou-se ídolo de uma geração na companhia de gênios como Maradona e Careca.

Giordano é mais conhecido por ter feito parte do lendário time do Napoli, que encantou a Itália e o mundo no final da década de 80. Com o argentino e o brasileiro, compunha o trio “MaGiCa” (Maradona, Giordano e Careca) e alegrava napolitanos e fãs do futebol em geral. No caso dos brasileiros, ajudava a tornar ainda mais saborosas as manhãs de domingo, quando o campeonato da Bota era transmitido ao vivo pela TV aberta.

Mas a história dele começa 229 quilômetros longe de Nápoles. Em 13 de agosto de 1956, o menino Bruno nascia em Roma, a capital italiana e era, curiosamente, batizado como um quase homônimo do teólogo Giordano Bruno, morto pela Inquisição do Vaticano em 1600.

Aos 13 anos, o garoto foi descoberto por Enrique Flamini, um argentino que havia encerrado a carreira de jogador da Lazio e era, então, técnico das categorias de base biancoleste. A jovem promessa passou a treinar nas equipes menores da equipe da capital.

A estreia no time principal ocorreu em 1975, mesmo ano em que Giordano havia ajudado a Lazio a ganhar o tradicional Campeonato Primavera sub-20. No ano seguinte, uma missão nada simples: substituir ao ídolo Giorgio Chinaglia, que havia se transferido para o New York Cosmos, dos Estados Unidos. Chinaglia era ninguém menos que o maior ídolo da torcida e grande responsável pelo scudetto conquistado em 1973/74 pela Lazio.

Giordano, que herdou a camisa 9, precisava também ter o mesmo apetite por gols que seu antecessor. Na primeira temporada como titular (1976/77), fez 10 em 26 jogos. No campeonato seguinte, foram 12 gols em 29 partidas. E na terceira temporada como titular da Lazio, ele “explodiu”: balançou as redes 19 vezes em 30 jogos e foi o artilheiro da Serie A de 1978/79.

Envolvimento no caso Totonero

Tudo parecia ir muito bem na carreira de Giordano. Jogava num time de projeção, era ídolo, marcava gols. Até que veio o caso Totonero e uma suspensão por dois anos (a pena original era de três anos, mas foi reduzida).

Assim como outros grandes nomes do futebol italiano da época (entre eles Paolo Rossi), o atacante da Lazio foi acusado de fazer parte do esquema de manipulação de resultados da loteria esportiva.

Giordano, que àquela altura já havia estreado pela seleção italiana, chegou a ficar em prisão domiciliar e perdeu a chance de disputar a Copa de 1982, embora o perdão tivesse ocorrido antes do Mundial. Seu clube também recebeu punição. Envolvida na máfia, a Lazio foi rebaixada para a Serie B, assim como o Milan.

Coincidência ou não, o retorno biancoceleste à primeira divisão ocorreu somente quando Giordano voltou a ter autorização para jogar profissionalmente. Em 1982/83, seus 18 gols ajudaram o time a chegar ao vice-campeonato e obter uma vaga de volta na elite. O atacante ainda retornava como artilheiro da competição, numa demonstração de que poderia dar a volta por cima.

Em 1985, chegava ao fim o ciclo de Giordano entre os biancoceleste. Autor de 110 gols com a camisa da Lazio, ele foi negociado com o Napoli, naquela que seria uma reviravolta em sua carreira. Era o cavalo selado passando pela segunda vez.

Com Maradona e Careca

A passagem por Nápoles, de apenas três anos, foi curta se comparada ao tempo que Giordano permaneceu em Roma. Mas suficiente para gravar seu nome na história.

No campeonato de 1985/86, já atuando ao lado de Maradona, foram 10 gols em 25 jogos (apenas um a menos que o craque argentino) e a terceira colocação do campeonato, atrás de Juventus e Roma.

Na temporada seguinte, vieram os títulos do Campeonato Italiano e da Copa da Itália (da qual Giordano foi artilheiro, com dez gols). As conquistas ocorreram ainda sem a presença de Careca.

O brasileiro chegaria na metade de 1987, para a temporada que se iniciava. Estava formado, então, o “trio MaGiCa”, que passaria a encantar pelo excelente futebol mas que, por um desses caprichos dos deuses da bola, não ganhou nem um campeonato sequer.

Na Serie A de 1987-88, Maradona (15), Careca (13) e Giordano (8) fizeram, juntos, 65% dos gols napolitanos. Mas não evitaram a perda do título para o Milan, ocasionada principalmente pela derrota histórica para os rossonero por 3 a 2, em pleno San Paolo, na antepenúltima rodada.

Giordano marcou 23 gols no período em que defendeu o Nápoli. Ele deixou o clube em 1988, em função de um atrito com o técnico Ottavio Bianchi. Era o fim do MaGiCa, de tão pouca duração, mas com muita história e belíssimo futebol.

Depois de deixar o Napoli, Giordano foi para o Ascoli (onde marcou seu centésimo gol na Série A), depois para o Bolonha e retornou ao Ascoli, clube no qual encerrou sua carreira em 1992.

Na seleção italiana, o atacante teve passagem apagada, muito por conta de sua punição pelo caso Totonero. Foram 13 jogos disputados e apenas um gol marcado.

Vida atual

Depois de pendurar as chuteiras, ele passou a se dedicar à carreira de treinador, perambulando por times pequenos. Também ajudou a promover eventos com o time máster de futsal da Lazio e se aventurou como comentarista esportivo.

Hoje, aos 54 anos, é técnico do Ternana, da Lega Pro, a terceira divisão do futebol italiano.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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