Fulham: De volta entre os grandes

Manchester United 3×2 Fulham. Mesmo com a derrota, poucos torcedores do Fulham saíram dos estádio chateados. Afinal, só o fato de estar enfrentando o atual campeão já é um grande privilégio, para uma equipe que passou 33 anos longe da elite do futebol inglês. Na última quarta-feira, mais um momento inesquecível: a vitória por 2 a 0 sobre o Sunderland, no primeiro jogo válido pela Premier League disputado no estádio Craven Cottage.

Cinco temporadas atrás, quando o Fulham se debatia nas profundezas da quarta divisão, poucos torcedores poderiam imaginar que a equipe num futuro próximo estaria enfrentando de igual para igual um gigante como o Manchester. Hoje, as ambições vão além: “Podemos ser tão grandes quanto Juventus, Manchester United ou Barcelona”, declarou o presidente Mohammed Al Fayed.

Um pouco de história

O Fulham Football Club é uma das equipes mais antigas da Inglaterra, tendo sido admitida na Football League em 1907, então na segunda divisão (à época, a liga inglesa tinha apenas duas divisões). As atividades da equipe iniciaram-se em 1879, como um time amador. Em 1894, o Fulham adotou Craven Cottage como base e, em 1898, a equipe finalmente se profissionalizou.

Apesar da tradição, não se pode dizer que o Fulham seja um time grande. Na verdade, em termos de expressão, pode-se dizer que os 'Cottagers', como são conhecidos, são apenas a nona maior equipe da cidade de Londres – atrás de Arsenal, Chelsea, Tottenham, West Ham, Charlton, Crystal Palace, Wimbledon e Queens Park Rangers (apesar do fato dos três últimos hoje jogarem na segunda divisão).

A 'época de ouro' do Fulham aconteceu nas décadas de 50 e 60. Entre os anos de 49 e 52 e entre 59 e 68, a equipe jogou na primeira divisão, e ainda chegou à duas semifinais da FA Cup. Quando o Fulham foi rebaixado em 68, acreditava-se que a equipe retornaria rapidamente à primeira divisão. Ledo engano. Após 'bater na trave' duas vezes, os Cottagers empacaram no meio da tabela.

Na década de 80, o clube enfrentou seu pior momento. O público no estádio reduziu-se dramaticamente, e a equipe acabou parando na terceira divisão. Com isso, o Fulham foi atingido por uma severa crise financeira, e chegou-se a fazer planos para que Craven Cottage fosse vendido e demolido e a equipe se unisse ao Queens Park Rangers, um de seus maiores rivais.

Graças à ação de alguns torcedores abnegados, evitou-se a extinção do clube. Apesar disso, o nível do futebol não melhorou. Em 1994, o Fulham chegou ao fundo do poço, sendo rebaixado para a quarta divisão.

Al Fayed e o renascimento

Só em 1997 é que as coisas começaram a melhorar para o Fulham. Após chegar à penúltima colocação da quarta divisão, na temporada 1995/6, a diretoria decidiu transformar o jogador Mick Adams em técnico. A mudança surtiu efeito e no campeonato seguinte o time subiu para a terceira divisão. Nesse momento entrou em cena o milionário Mohammed Al Fayed, e tudo começou a mudar.

“Em cinco anos, estaremos jogando na primeira divisão”, prometeu Fayed, ao assumir o cargo de presidente do clube. Na época, riu-se de sua megalomania, mas hoje admira-se o feito, alcançado um ano antes do previsto.

Graças a sua personalidade polêmica e a sua extrema astúcia nos negócios, Al Fayed tornou-se o grande astro do Fulham. O milionário árabe, dono da famosa loja Harrods e pai de Dodi Al Fayed (aquele que morreu junto com Lady Di num acidente de carro), começou a investir maciçamente no clube, que passou a fortalecer seu elenco e a galgar rapidamente postos.

Há uma certa discussão sobre por que Fayed investe tanto no Fulham. É notório que o grande sonho do milionário é conseguir a cidadania inglesa, algo que lhe é sistematicamente negado pelo governo. Dizem as más línguas que esse seria o verdadeiro motivo pelo qual Fayed investe na equipe, na tentativa de ganhar apoio popular. Independentemente disso, a verdade é que o Fulham é um bom investimento. Embora o time ainda não dê lucro, dadas as vultosas somas gastas com contratações, é visível que o clube vale infinitamente mais do que quando Fayed assumiu. Isso acontece não só pela melhor posição na Liga, mas também pelo ótimo trabalho de reconstrução, que revitalizou a bela zona onde o Fulham está localizado, pelo trabalho com as categorias de base e pelo forte marketing em cima da equipe, que valeu um forte aumento na base de torcedores do time.

O sonho da FA Cup

Foi na tradicional a FA Cup que o Fulham teve seus momentos de maior glória, apesar da equipe nunca haver vencido a competição.

O momento mais memorável certamente foi o vice-campeonato conquistado em 1975. Em 1908, 1936, 1958 e 1962, a equipe havia conseguido chegar até as semis, mas essa era a primeira – e até hoje a única – vez em que a equipe chegou à partida decisiva.

O caminho até a final foi dramático. O time, que na época jogava na segunda divisão, teve que jogar um número recorde de 'replays' até a decisão (a FA Cup é disputada em partida única, mas no caso de empate, um segundo jogo é realizado). O momento mais dramático aconteceu na semifinal, quando o Fulham só conseguiu a classificação sobre o Chelsea graças a um gol no último minuto da prorrogação da segunda partida. A final, no entanto, foi um anti-clímax, e o Fulham acabou derrotado por 2 a 0 pelo West Ham, sem oferecer maior resistência.

Também foi na FA Cup que aconteceu a partida que os torcedores consideram a melhor na história do clube. Em 1956, o Fulham recebeu o Newcastle, que havia sido campeão da competição na temporada anterior, em partida válida pelas oitavas-de-final. Os Magpies começaram arrasadores e abriram 3 a 0 no primeiro tempo. Mas então apareceu a figura de Tosh Chamberlain, que jogava sua primeira partida na competição. O jogador marcou três vezes, e Jimmy Hill marcou mais um, colocando o time da casa na frente. Chamberlain ainda fez mais um gol, que foi inexplicavelmente anulado, antes que o Newcastle virasse a partida, com dois gols nos dez minutos finais, determinando o 5 a 4 definitivo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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