Frank de Boer: classe na zaga
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Por André Salvagno
Ao observar o atual treinador do Ajax, os mais novos podem não saber que se trata de um dos grandes zagueiros da história do futebol holandês. Como jogador, com muita técnica e um incrível tato para liderar uma equipe, Frank de Boer, irmão gêmeo do meia Ronald de Boer, marcou época no Ajax e na seleção de seu país. Não à toa resolveu seguir carreira como treinador, na qual tem tudo para engrenar.
Sua trajetória como atleta profissional teve início no Ajax, em 1988, quando ainda atuava como lateral-esquerdo. Pouco depois, passou a jogar na zaga central, de onde nunca mais saiu. Foi nesta posição, aliás, aproveitando-se de sua técnica acima da média para um zagueiro, que ele se destacou e chegou à seleção, tornando-se referência e titular absoluto.
Carreira
No Ajax, foram 12 anos, mais de 300 jogos e vários títulos, incluíndo cinco campeonatos nacionais e os mais importantes títulos internacionais da história do clube: a Liga dos Campeões, o Mundial Interclubes e a Supercopa da UEFA, todos em 1995.
Destaque de uma das equipes mais vitoriosas que o futebol holandês já viu, Frank de Boer fez parte da seleção que foi aos Estados Unidos em 1994 e acabou sendo eliminada pelo Brasil, nas quartas-de-final da Copa do Mundo, naquela inesquecível atuação de Romário e no histórico gol de falta de Branco. A partida foi tão equilibrada, que a vitória teria sido justa para os dois lados.
Quatro anos mais tarde, ao lado de uma geração ainda mais talentosa, o zagueirão desembarcou na França para a Copa do Mundo de 1998. A Holanda chegou como uma das favoritas e o capitão Frank de Boer tinha ao seu lado nomes como Edwin van der Sar, Bergkamp, Kluivert, Seedorf, Cocu, Overmars, Davids, entre outros grandes jogadores. Era literalmente uma seleção. Contudo, mais uma vez o Brasil atravessou o caminho da Laranja, desta vez na semi-final e com Ronaldo em grande fase e um iluminado Taffarel. Mais uma vez os holandeses caíram perante à Amarelinha.
Mudança catalã
No mesmo ano da segunda eliminação para o Brasil, de Boer se transferiu para o Barcelona, justamente no período em que a equipe da Catalunha era composta por uma legião de holandeses: Bogarde, Reiziger, Cocu, Zenden, Kluivert e Hesp, além de Frank e Ronald. Em termos de título, a passagem do defensor pela equipe espanhol não foi tão boa: apenas um campeonato nacional na temporada 1998-99.
O habilidoso zagueiro atuou no Barça até 2003, quando já não apresentava o mesmo rendimento de outrora e partiu para o Galatasaray, da Turquia. Na sequência, jogou no Rangers, em 2004, e encerrou a carreira no Catar, onde defendou o Al-Rayyan entre 2004 e 2006, quando pendurou as chuteiras. Em 2008, assumiu as categorias de base do Ajax, função que exerceu até 2010.
Pela seleção, além das Copas de 1994 e 1998, Frank de Boer ainda teve outras chances de conquistar um título importante, mas bateu na trave em todas as oportunidades. Nas edições de 2000 e 2004 da Eurocopa, a Holanda parou na fase semi-final, assim como havia acontecido em 1992, quando o jovem de Boer já compunha o selecionado laranja. Na final da Copa de Mundo de 2010, na África no Sul, já como auxiliar técnico de Bert van Marwijk, viu o seu país ser derrotado pela Espanha e mais uma vez morrer na praia.
Vida nova
No final do ano passado, de Boer iniciou sua carreira como técnico ao assumir interinamente o comando do Ajax, após a saída de Martin Jol. Ao completar um mês no cargo, ele foi efetivado como treinador de sua equipe do coração. Com contrato assinado até 2014, o ex-jogador símbolo do clube e da seleção holandesa, espera levar o Ajax de volta à disputa dos principais títulos na Europa.
Como zagueiro, Frank de Boer foi acima da média. Chamá-lo de beque seria uma ofensa ao futebol elegante e ao estilo clássico deste que foi um dos maiores zagueiros da história recente do futebol mundial, pelo menos das três últimas décadas.
Que ele tenha muita sorte na nova empreitada como treinador e possa influenciar os seus comandados a apresentarem um futebol vistoso como o dele.