Ferencvaros: Tradição rebaixada

São 28 títulos nacionais, 20 copas, 1 Copa das Feiras (atual Copa da UEFA). Poucos clubes do futebol europeu ostentam essa marca. Menos ainda clubes de fora do chamado “eixo dos grandes” que reúne os seis principais campeonatos do futebol no “Velho Mundo”. Imagine então clubes provenientes de países que não faz boas campanhas em Mundiais há mais de três décadas!

O Ferencváros é o maior representante do futebol húngaro em toda a história. De carona na boa fase do esporte vivida nas décadas de 1930/40/50/60 pelo país no cenário internacional, o clube serviu de base para o ótimo desempenho do selecionado nacional, servindo os jogadores para a seleção e realizando boas campanhas em campos europeus, obtendo ótimos resultados contra os chamados grandes europeus.

Entretanto, sofrendo consecutivas crises nos últimos anos a equipe foi relegada para a segunda divisão do campeonato nacional pela primeira vez na história do torneio, causando grande decepção em torcedores, ex-atletas e todos os admiradores da boa fase húngara no futebol.

Começo promissor e fama nacional

Fundado em 3 de Maio de 1899 o Ferencvárosi Torna Club (FTC), nascido no distrito de Ferencváros, na capital Budapeste, é chamado também de Fradi, a equipe começou a se popularizar com o início do campeonato húngaro, em 1901. Logo no primeiro ano de disputa foi terceiro colocado. No ano seguinte alcançou o vice-campeonato e, em 1903 chegou ao seu primeiro título nacional.

Antes mesmo do início da Primeira Guerra Mundial, a equipe já havia conquistado mais 15 títulos nacionais, tornando-se a mais forte equipe do futebol húngaro e popularizando-se nacionalmente, realizando embates memoráveis contra o MTK (atual MTK-Hungária), que chegou a ser decacampeão nacional, tornando as duas equipes grandes rivais históricos.

Em 1926 o nome da equipe sofreu sua primeira alteração, sendo mudado para Ferencváros, com vistas à homenagear o bairro.

Fase das ‘vacas magras’ com grandes ídolos

Após o fim da Grande Guerra a equipe húngara passou por grandes transformações. Primeiro alterou seu nome diversas vezes. Em 1949 passou a chamar-se EDOSZ. A sigla durou apenas duas temporadas, quando a diretoria trocou o nome para Budapesti Kinizsi. Seis anos mais tarde voltou à denominação definitiva: Ferencváros.

Mas as mudanças não se restringiram apenas á nomenclatura da equipe. Após conquistar o título de 1949, a equipe amargou 14 anos de jejum até voltar à conquista do título nacional em 1963. Nesse período o time conquistou somente uma Copa da Hungria, em 1958.

Curiosamente esse foi o período mais vitorioso da seleção húngara, da qual a maior parte dos atletas era cedida pelo Fradi. Apesar do recesso de conquistas essa fase foi marcada pela abundância de craques que desfilaram pelos campos defendendo os “Zöld Sasok” (ou Águias Verdes, apelido dado pelos torcedores), destacando-se Zoltán Czibor, Sándor Kocsis e László Kubala, todos com passagens marcantes por grandes clubes europeus.

Consagração européia

Com a saída da fila em 1963, mesmo já não contando com os grandes craques, a equipe entrou na sua fase mais vitoriosa no cenário continental, alcançando duas vezes as finais da antiga Copa das Feiras (atual Copa da UEFA), segunda competição mais importante da Europa.

Em 1965 conquistou o primeiro título da competição. Na terceira eliminatória derrotou a Roma (ITA) vencendo as três partidas. Nas quartas bateu o Athletic Bilbao (ESP). Na semifinal derrotou o poderoso Manchester United (ING) de Bobby Charlton. E na final, após empatar em Budapeste com a Juventus, da Itália, em 0x0, derrotou os ‘juventinos’ em Turim, com gol de Fenyvesi, tornando-se amais reconhecida das equipes húngaras no cenário internacional.

Três anos mais tarde a equipe voltou a final da competição derrotando até o forte Liverpool (ING), mas foi derrotada nas duas partidas finais por outra equipe inglesa, o Leeds United.

Confusões e vexames

A partir daí a equipe alternou bons momentos nos campeonatos nacionais com fracas exibições, mas sempre se mantendo na disputa pelo título. Contudo, fora de campo a equipe passou por maus momentos.

Além disso, sua torcida ficou marcada pelas confusões com torcidas rivais, e ser reconhecida como uma das mais violentas da Europa, envolvendo-se em várias confusões.

Em 11 de Maio de 2005, após ser goleado pelo Sopron, na final da Copa da Hungria, por 5×1, e ter quatro jogadores expulsos, encerrando a partida, jogadores e o técnico da equipe, Csaba László, ignoraram a premiação e retiraram-se do estádio.

No dia 25 de Julho de 2006 sofreu o maior revés de sua história, sendo excluída da “Borsodi Liga” (Primeira Divisão Húngara) por falta de garantias financeiras, sendo obrigada pela primeira vez em sua história a disputar a “Magyar NB 2” (Divisão de acesso).

Para completar, dois meses mais tarde, o presidente do clube, Miklós Iváncsy, renunciou ao cargo para o qual tinha sido eleito em janeiro do mesmo ano alegando falta de união do corpo administrativo do clube.

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Equipe Trivela

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