Ernst Happel: Grande em vários clubes

Em partidas decisivas, ele dizia que o medo não fazia parte de seu vocabulário, e dias que não havia futebol, ele considerava como dias mortos. Mas na verdade, a frase que simbolizava a vida de Ernst Happel como treinador era: “Você tem que nascer para este trabalho. Não há nenhum método científico de aprendizagem”. E ele, com certeza, nasceu.

O austríaco Happel foi um dos principais treinadores da história do futebol. Conseguiu levar equipes medianas do futebol europeu a conquistas importantes no continente, e além disso, era conhecido por conseguir explorar ao máximo o potencial dos jogadores. Montava equipes sem muita tradição contra as força do Velho Continente e jogava de igual para igual.

Como jogador fez parte da Áustria na Copa de 54, quando a seleção terminou na terceira colocação, seu melhor desempenho em Mundiais. Passou praticamente toda a carreira jogando em seu país, atuando pelo Rapid Viena, onde chegou aos 13 anos. Esteve rapidamente pelo Racing Paris, da França. Era um jogador com excelente visão de jogo.

Carreira vitoriosa

Ao longo de sua carreira, Happel foi um grande vencedor, tendo sido campeão em quatro países – Holanda, Bélgica, Alemanha e Áustria.

A carreira como jogador terminou no Rapid e foi por lá que iniciou a trajetória vitoriosa como treinador. Foi campeão nacional, em 1960, e conquistou uma Taça no ano seguinte. Um início promissor que o levou a trabalhar na Holanda, 1962. A primeira equipe fora de seu país que ele treinou foi o ADO Den Haag, time de nível baixo na Eredivisie.

Quando chegou no verão de 62, o início não foi nada animador, mas o apoio e a persistência da presidência do clube deu certo. Demorou três anos para que ele montasse um grande time. Na temporada 1964/65, com jogadores desconhecidos como Harrie Heijnen, Lambert Maassen, Piet de Zoete, Theo van der Burch, entre outros, o clube conquistou uma louvável terceira colocação, atrás apenas de Ajax e Feyenoord.

O terceiro lugar o colocou a disputar pela primeira vez uma competição continental. Jogou a Intertoto. No ano seguinte, mais uma boa colocação e mais uma vez a Intertoto. Chegou a três vice-campeonatos na Taça da Holanda. Em 1963 perdeu para o Willen II, 64 para o Fortuna e em 66 para o Sparta Roterdã. O ADO foi um trampolim para clubes maiores e em 68 ele estava no Feyenoord.

Trajetória com títulos

Ente 1968 e 72 ficou na equipe de Roterdã. Na temporada 1969/70 conquistou a Liga dos Campeões da Europa. O time holandês derrotou o Milan, que era o último campeão, na decisão. Um placar de 2 a 0, em casa, credenciou o clube ao título, já que jogava pelo resultado em San Siro. O Feyenoord foi o primeiro clube da Holanda a vencer o principal torneio Europeu. Ainda foi campeão em 69 e 71, e da Copa em 69. Também foi campeão Mundial vencendo o Estudiantes.

Da Holanda para a Espanha. Duas temporadas decepcionantes no Sevilla e partiu rumo a Bélgica. No Brugge ele chegou em 74. De acordo com o site oficial do clube foi o treinador mais vitorioso da história. No final teve uma relação desgastada onde deixou a equipe quatro anos mais tarde. Mas antes de sair levou o clube às glórias nacionais e a bons lugares na Europa. Não ganhou título, mas fez campanhas inesquecíveis.

Happel sucedeu Jaak de Wit no comando do time belga. O jogador Henk Houwaart, que havia trabalhado com Happel no ADO, ajudou o Brugge na escolha do austríaco. Uma disciplina drástica no comando do clube, e logo na primeira temporada alguns medalhões deixaram a equipe, como Carteus e Vandendaele. O resultado foi uma quarta colocação, com 49 pontos em 38 jogos.

Sem os medalhões e com jovens talentos, o Club Brugge conquistou três títulos nacionais consecutivos: 75/76, 52 pontos em 36 jogos, 76/77, 52 pontos em 34 jogos e 77/78, 51 pontos em 34 jogos. Ganhou também uma Taça da Bélgica e chegou a duas finais de competições européias: uma Liga do Campeões e uma Copa da UEFA. No ano de 1977 acumulara tanto o cargo do clube, como da seleção holandesa. Dirigiu a seleção no Mundial de 1978, ano em que a Holanda perdeu a decisão para a Argentina.

Um problema com os ingleses

Nas duas ocasiões em que disputou finais europeias sob o comando do Brugge, o adversário foi o mesmo: o Liverpool. E nas duas vezes o atacante Keegan foi o problema. Ele marcou os gols que derrubaram o clube na decisão da Uefa e da LC.

Em 1975/76 pela Uefa: as equipes vinham de títulos nacionais e ambicionavam uma conquista na Europa. O time belga despachou equipes importantes nas fases iniciais, entre elas Roma e Milan. Na decisão, o Brugge abriu o marcador com gols de Raoul Lambert e Julien Cools, mas na segunta etapa, o time inglês fez três. No segundo jogo, os belgas saíram na frente, mas Keegan empatou a partida. O empate dava o título aos ingleses.

Em 1977/78 pela LC: Kenny Dalgkish marcou aos 20 minutos da segunda etapa. O Brugge estava com vários desfalques para a partida e os prognósticos eram de fácil vitória para os Reds. Um time bem armado por Happel foi o resultado de um jogo truncado que foi decidido apenas no segundo tempo.

Alemanha

Com a derrota para o Liverpool, a relação entre a diretoria do Brugge e Happel ficou estremecida e a saída dele foi concretizada. Happel ficou alguns anos sem trabalhar, até que o diretor do Hamburg, Gunter Netzen, o levou para a Alemanha. Antes da Alemanha, passou rapidamente pelos Standard Liège, Lokeren e um clube da segunda divisão belga.

No Hamburg foram duas conquistas da Bundelisga e um título da LC. O HSV derrubou a Juventus, na final, e derrubou também a escrita de seis anos de domínio dos ingleses. O placar de 1 a 0 foi graças ao esquema montado por Happel para anular o ataque italiano, que contava com Paolo Rossi. O gol da vitória foi marcado Felix Magath, hoje treinador.

Depois de vencer a LC, o Hamburg enfrentou o Grêmio na decisão e perdeu. Na hora de tirar a foto, dizem que Happel não quis ficar perto de Valdir Espinosa, treinador gremista, porque não o conhecia.

O fim do mestre

Com os títulos do Feyenoord e do Hamburg, Ernst Happel está entre os treinadores que venceram a LC com dois clubes diferentes. Neste rol, se encontram apenas mais dois: Ottmar Hitzfeld e José Mourinho.

Em 1987 voltou ao seu país para treinar o Swarovski Tirol, onde foi campeão nacional por duaz vezes. Em 1992 recebeu o convite para dirigir a seleção nacional. Morreu no mesmo ano, vítima de câncer.

Após sua morte, o maior estádio da Áustria foi rebatizado com o seu nome, Ernst Happel Stadium, o qual foi palco da Eurocopa 2008. Em 2004, os correios de Viena emitiram um selo em homenagen ao ex-treinador.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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