El Salvador: No caminho certo

El Salvador já participou duas vezes da Copa do Mundo (sendo último colocado nas duas oportunidades: México-70 e Espanha-82). Nos últimos anos, sofreu bastante com crises internas e denúncias de suborno, dentre outros casos que levaram o futebol local quase ao fundo do poço. Somente agora o futebol melhorou seu nível técnico, depois de ter ficado quase 15 anos em um semi-amadorismo.

Os times do país vão bem em competições internacionais, a seleção recomeça seu caminho para, enfim, tentar voltar a participar de uma Copa do Mundo. É verdade que ainda falta muito para o futebol salvadorenho realmente melhorar, mas, se comparado a outras épocas, está em boa fase.

O auge do futebol salvadorenho

A seleção de El Salvador estreou nas eliminatórias de 1970 e não decepcionou: fez uma campanha irretocável, com sete vitórias em dez jogos, e garantiu sua vaga, para espanto geral do país, que não esperava tamanho feito.

Na Copa de Beckenbauer, Pelé e Jairzinho, o elenco ‘cuscatleco’ (derivado de Cuscatlán, nome indígena do país, que significa ‘Terra de Jóias’) enfrentou México, União Soviética e Bélgica. Não fez sequer um gol e sofreu nove. Mas o povo salvadorenho nem se importou com isso, fazendo festa a cada vez que a seleção azul e branca entrava em campos mexicanos.

Já nas eliminatórias para a Copa da Espanha, El Salvador outra vez surpreendeu e eliminou nada mais nada menos que o poderoso México. O desempenho em território europeu foi ainda pior que em 1970, mas com um detalhe a mais (ou a menos, dependendo de como se observa): conseguiu perder por 10 a 1 para a Hungria na primeira rodada, no que ficou registrado como a maior goleada da história das Copas do Mundo. Também perdeu as partidas seguintes, contra Bélgica (0x1) e Argentina (0x2).

A ‘Guerra do Futebol’

Já foi dito que El Salvador foi à seleção que perdeu de 10 a 1 em uma Copa do Mundo. Pois há algo ainda mais interessante (e ainda mais deprimente) do que isso. Durante as eliminatórias para a Copa de 1970, a equipe fez com Honduras um confronto tão duro que acabou causando uma guerra.

Antes, em 6 de junho de 1969, a equipe de El Salvador foi a Tegucigalpa, capital hondurenha, para a primeira das duas partidas agendadas entre as seleções. Sofrendo uma enorme pressão da torcida local, os salvadorenhos não conseguiram segurar o empate e acabaram derrotados nos últimos minutos do jogo.

A indignação da população em El Salvador com o tratamento dispensado a seus atletas foi enorme. Houve casos de pessoas que se mataram de raiva, tornando tensa a expectativa para a partida de volta.

Em San Salvador, a torcida local recebeu os rivais com ainda mais ódio, tanto que os visitantes tiveram que se dirigir ao estádio em um veículo blindado. Antes da partida, uma bandeira de Honduras foi queimada e, após a vitória por 3×0 de El Salvador, a violência tomou conta das ruas: torcedores hondurenhos foram agredidos e até mesmo mortos.

Por tudo isso, em 25 de junho, dois dias antes do jogo de desempate entre os dois times, o governo de El Salvador acusou o de Honduras de genocídio. Os dois países fecharam as fronteiras e mobilizaram suas tropas, enquanto as duas seleções se encontravam no Estádio Azteca, no México. Após empate de 2 a 2 no tempo regulamentar, o time de El Salvador garantiu a vaga na Copa do Mundo com um gol na prorrogação.

Em 14 de julho, o exército de El Salvador invadiu Honduras, iniciando uma guerra que durou cinco dias. Apesar de curta, a guerra deixou aproximadamente 2 mil mortos, a maioria composta por civis.

Dias melhores…

Atualmente, a seleção é composta apenas por jogadores de equipes locais, como FAS, Luís Ángel Firpo, Aguila e San Salvador. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, os Cuscatlecos estrearam com um massacre sobre Anguilla por 12 a 0, jogando em casa.

Outros resultados expressivos da seleção salvadorenha foram uma vitória sobre a Dinamarca, após um ano e meio sem ganhar de ninguém, e a classificação para as quartas-de-final da última Copa Ouro.

Pelos últimos resultados, o time, que é comandado pelo mexicano Carlos de los Cobos (que esteve na Copa de 1986 como jogador da seleção do México), pode complicar a vida de várias seleções postulantes à vaga para a Copa de 2010. O Panamá que se cuide.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo