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“É preciso ter um grande elenco para ir bem na LC”

O meia Carlos Eduardo deixou o Brasil muito jovem. Poucos meses após surgir no Grêmio, em 2007, foi negociado com o desconhecido Hoffenheim, da segunda divisão alemã. Tinha acabado de completar 20 anos quando deixou Porto Alegre e foi convencido por um bom projeto de um time pequeno da Europa, mas com muito dinheiro por trás. Hoje, já no Rubin Kazan, da Rússia, é um dos xodós do técnico Mano Menezes na Seleção Brasileira. O treinador, aliás, foi quem lançou o habilidoso e franzino jogador.

A chance de disputar a Liga dos Campeões foi o que mais motivou Carlos Eduardo a trocar a Bundesliga pela Premier Liga russa. Aos poucos, vai se adaptando também ao futebol do país, aos novos companheiros e o “católico treinador”, como ele mesmo ressalta. Confira a entrevista exclusiva concedida à Trivela.

Você foi lançado pelo Mano Menezes no Grêmio, e hoje ele é técnico da Seleção. Suas esperanças de voltar à Seleção aumentaram quando ele foi indicado para o cargo?
Com certeza. Ele é o técnico que me lançou no Grêmio. Isso ajuda muito, claro, porque ele já te conhece muito bem. Mas o mais importante é fazer um bom trabalho no clube, se manter bem para sempre ser lembrado.

Como é o Mano como treinador? Afinal você o conhece bem.
Ele é uma pessoa muito séria. Trabalha muito, exige muito de todos os jogadores. Ele é um treinador muito sério.

No esquema dele, em qual posição você se sente melhor?
Em todas (risos)! Eu tenho jogado na Europa mais aberto pela direita, caindo pelos lados do campo. O Mano me usou como meia central mesmo, na ligação entre o meio e o ataque. Não vejo problemas em atuar nessa função também.

Como foi a decisão de trocar o Hoffenheim pelo Rubin Kazan?
Foi muito difícil. A Bundesliga é um dos campeonatos mais importantes do mundo, você está sempre em evidência, a competição passa no Brasil também. Não tem como negar a importância do Campeonato Alemão em comparação com o Russo. Mas pesou muito o fato de disputar a Liga dos Campeões. Isso motiva demais. E quando cheguei na Alemanha fiquei sabendo da proposta do Rubin que era muito boa para todos.

Os russos pagaram € 20 milhões por você. Não assusta um pouco todo esse valor? Como é ser a principal contratação do time?
Prefiro não pensar nisso. Na verdade nem me preocupo, deixo essas coisas para as pessoas responsáveis pela minha carreira.

Como tem sido seus primeiros meses em Kazan?
O frio está começando só agora. Por enquanto está tudo bem tranquilo. Temos um tradutor no clube que é espanhol na verdade, e o português dele é bem ruim! mas conseguimos nos entender.

Já se adaptou ao futebol russo?
Estou aqui há pouco tempo, foram apenas alguns jogos. Claro que ainda precisa de um tempo, mas o grupo é muito bom e todos me receberam bem. Estou bem mais forte fisicamente também, do que quando cheguei na Europa.

No Rubin, Kurban Berdiyev está no comando do time desde 2004. Como é o relacionamento do elenco com ele? Qual sua opinião sobre seu trabalho?
Ele é um treinador muito bom, está no clube há muito tempo e é extremamente católico.

Católico ao ponto de colocar isso no dia a dia dos treinamentos?
Sim, ele sempre fala. Tem o terço dele também que sempre fica com ele nos jogos. Ele é muito católico mesmo. É um bom treinador, se dá bem com os jogadores.

No Campeonato Russo vocês estão brigando com o Zenit pelo título, além do CSKA Moscou. Acha que conseguirão evitar a conquista do time de São Petersburgo?
Está difícil, até porque eles lideram e estão com jogos a menos. Acho que o mais importante é vencermos nossos jogos para tentar levar essa disputa até o final. Temos que chegar no final com chances, para ver o que acontece.

E na Liga dos Campeões? O começo, derrota para o Kobenhavn, foi bem ruim.
Não imaginávamos começar com uma derrota mesmo. Ainda mais nas circunstâncias em que aconteceu, com um gol no final. Agora temos que nos recuperar e buscarmos os resultados. Todo time que entra na fase de grupos da Liga dos Campeões sonha com a classificação para as oitavas de final, e esse é o nosso sonho também.

Contra o Barcelona, no segundo jogo, você ficou na reserva o tempo todo. Ficou chateado?
Claro que eu fiquei chateado. Mas isso é normal, até porque o treinador optou por um esquema muito defensivo, com um meio-campo mais marcador. No jogo aconteceu de, às vezes, todo o time estar na defesa. Mas como eu disse, isso é normal, foi uma opção dele. Não reclamo por ser reserva, tenho que treinar cada vez melhor para mostrar minha qualidades.

Os clubes russos e ucranianos sempre investem muito e montam bons times, mas não conseguem ir bem na LC. Por que você acha que isso acontece?
Porque não adianta ter um ou dois jogadores muito bons, é preciso ter um grande elenco para ir bem na LC. Você enfrenta os melhores times do mundo, e por isso precisa ter um grupo muito bom também.

Voltando ao Hoffenheim, quando você deixou o Grêmio partiu para um clube pequeno da Alemanha. Não teve medo de fazer a carreira andar para trás?
Um pouco, sim. Porque era um clube desconhecido, eu nunca tinha ouvido falar. Mas o projeto que me foi apresentado era muito sério, com boas perspectivas. E isso se mostrou verdadeiro no tempo em que fiquei lá, conquistando o acesso para a Bundesliga e fazendo grandes temporadas. Foi estranho no começo, porque deixei o Brasil jogando uma final de Libertadores, com o Olímpico lotado, para disputar jogos em estádios para seis mil pessoas.

Você participou ativamente dessa ascensão do Hoffenheim. O que fez o clube crescer tanto?
A estrutura é muito boa e o investimento do clube é grande também. Além disso eles têm um bom planejamento, que ajuda muito.

Sobre o Grêmio, agora: como foi seu início na base gremista e no futebol?
Comecei em uma escolinha na minha cidade, Ajuricaba, no interior do Rio Grande do Sul. Aí me viram um dia e convidaram para ir para a base do Grêmio. Eu tinha 12, 13 anos. Fui então morar no alojamento do clube e fiquei lá até o profissional. Daí cheguei a ser puxado para os profissionais, mas tive uma lesão e voltei para os juniores. Depois o Mano me levou de novo e deu tudo certo, fiquei alguns meses nos profissionais e fui negociado com o Hoffenheim.

E aquela Libertadores de 2007, o que falar da atuação de Riquelme?
Nossa… fizemos bons jogos, mas o Riquelme realmente ganhou aquele torneio sozinho. Jogou muito.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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