E não é que a Rússia está melhorando?!?!

Sempre fui pessimista em relação à seleção russa comandada por Dick Advocaat. Primeiro, porque a saída de Guus Hiddink foi um erro. A eliminação para a Eslovênia antes da Copa de 2010 gerou um atraso no crescimento do time, o que ficou evidenciado com os resultados ruins que seu sucessor alcançou na sequência. No entanto, há alguns indicativos de que meu pessimismo corre risco de ser extinto – além de não estar mais no dia a dia com Felipe dos Santos Souza e sua descrença com holandeses e belgas.

Minha descrença em relação à equipe era baseada, também, no pouco tempo de jogo das principais estrelas. Yuri Zhirkov havia se tornado banco no Chelsea, assim como Andrei Arshavin no Arsenal, Roman Pavlyuchenko no Tottenham e Dniyar Biliyaletdinov no Everton. Todos estão de volta ao futebol russo e, com isso, chegarão à Eurocopa em junho jogando regulamente e, logo, em boa forma e com moral – e também a experiência internacional que Hiddink tanto queria no passado de seus jogadores. O que é fundamental.

Além disso, tenho que admitir, os resultados da reta final da seleção russa nas eliminatórias mostraram uma evolução no trabalho. Assim, aos poucos, a Rússia vai ganhando um time bem decente e que precisa ser respeitado.

Nesta quarta-feira, em amistoso disputado na capital dinamarquesa, Copenhague, Advocaat mandou a campo uma equipe titular muito forte: Vladimir Gabulov, Aleksandr Anyukov, Sergei Ignashevich, Aleksei Berezutski e Yuri Zhirkov; Konstantin Zyrianov, Igor Denisov e Roman Shirokov; Alan Dzagoev, Andrei Arshavin e Aleksandr Kerzhakov. Vitória por 2 a 0 sobre a boa Dinamarca.

Há diversos outros bons nomes no elenco, como Denis Glushakov, Dmitriy Kombarov e Aleksandr Kokorin (fora Igor Akinfeev, ainda lesionado), mas poucos têm se destacado como Shirokov. O jogador do Zenit tem um crescimento no futebol diferente, já que era zagueiro, passou para volante e hoje é meia/atacante. Essa evolução foi citada por Advocaat:

“Quando contratamos ele do Khimki há alguns anos, ele era zagueiro. Mas cometia muitos erros, porque pensava que era o Franz Beckenbauer. Agora ele mudou para uma posição diferente e está jogando bem”, afirmou o treinador nesta quarta, após a vitória no amistoso, com gols do supracitado e Arshavin. Advocaat estava à frente do Zenit quando Shirokov chegou a São Petersburgo.

Taticamente, a Rússia atua no 4-3-3, com uma linha de quatro defensores bem definida, um volante mais à frente e dois outros volantes/meias, que marcam e atacam com eficiência, compondo o setor. Na frente, um jogador de referência na área e dois caindo pelos lados e se movimentando muito. É um esquema que se adapta muito bem às características dos atletas, e por isso tem dado certo. A Rússia pode surpreender mais uma vez na Eurocopa? Futebol tem, falta saber se terá cabeça para comprovar isso. Ainda mais em um grupo equilibrado com Polônia, Grécia e República Tcheca, onde precisará se impor contra os adversários para mostrar que é o time mais forte da chave.

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