Dois classificados, duas sensações

OK, já era esperado que o México, então líder do grupo 2 da primeira fase das eliminatórias norte-central-americanas, conseguisse sua classificação. Afinal de contas, mesmo que perdesse para Honduras, La Tri precisaria ver a Jamaica golear o Canadá por, no mínimo, 7 a 0 para que a diferença do saldo de gols (-3 para os Reggae Boyz, 4 para o time de Sven Goran-Eriksson) fosse anulada. Entretanto, otimismo era o que menos se via entre os mexicanos. O principal motivo: nas duas partidas anteriores ao jogo contra os hondurenhos, um empate (Canadá) e uma derrota (Jamaica) minaram a vantagem da equipe. Baseados também nisso é que os Catrachos de Reinaldo Rueda esperavam ardentemente por uma vitória em San Pedro Sula.

E o cenário aparentemente contraditório acabou sendo confirmado pela rodada que decidiu quem se uniria a Costa Rica, El Salvador e Estados Unidos para completar os classificados que disputarão o hexagonal final a ser iniciado em fevereiro de 2009. Bem preparados fisicamente, os jogadores de La Bicolor honraram a presença maciça dos torcedores no Olímpico Metropolitano e jogaram, se não a partida de suas vidas, uma das mais representativas partidas hondurenhas em muitos anos. E beneficiaram-se de um México apático em campo para, não sem luta, garantir uma vitória chorada. Tão chorada que o gol decisivo nem foi marcado por um hondurenho: “coube” a Ricardo Osorio cabecear contra o próprio patrimônio, após cruzamento de Amado Guevara. Aliás, o meia e capitão, auxiliado por um Suazo sempre útil, foi o esteio de um time garrido, que mereceu o triunfo, a primeira posição do grupo B (12 pontos) e a vaga no hexagonal. Esta, comemorada justamente nas ruas de San Pedro Sula e Tegucigalpa.

Já o México viu, além da tibieza de um time que só está aproveitando seu potencial quando joga no Azteca, perigosa perda de equilíbrio emocional nos instantes finais, mostrada com as expulsões de Torrado e Carlos Vela. A vaga só chegou porque os jamaicanos, mesmo vencendo categoricamente os canadenses em Kingston, não passaram de um 3 a 0, deixando os saldos de gols em 0 contra 3. A imprensa não deixou escapar a oportunidade e espezinhou sem dó a seleção (“Para sempre como Ratos” foi a manchete do Excélsior, da cidade do México, aludindo ao apelido pejorativo Los Ratones Verdes, que sempre vem à tona em caso de vexame). Sem dúvida, para um escrete que há muito procura dar o salto que o credenciará a maiores aspirações no futebol mundial, o time de Sven não está jogando nada bem. Urge uma melhora, até porque o primeiro adversário do hexagonal final são justamente os Estados Unidos, em 11 de fevereiro.

Aliás, no grupo A, o time de Bob Bradley também merece elogios. Mesmo já com a classificação debaixo do braço, a equipe entrou em campo com força máxima e não deu à Guatemala a menor esperança de que pudessem fazer sua parte (os guatemaltecos precisavam vencer por dois gols de diferença e esperar por uma derrota de Trinidad & Tobago frente a Cuba para alcançar a segunda vaga). O 2 a 0 veio sem pressa e os ianques chegam ao hexagonal com pinta de favoritos ao primeiro lugar do grupo. E a vaga dos trinitários – ratificada com um 3 a 0 sobre os cubanos – não chegou a ser surpreendente, também.

Para o hexagonal, grosso modo, poder-se-ia esperar que México, EUA, Trinidad e Costa Rica fossem os nomes a ser batidos. Mas o cenário mostra que os costarriquenhos, mesmo com campanha perfeita no grupo 3 (seis jogos, todos ganhos), enfrentaram rivais fracos, como Haiti e Suriname. Tal falta de competitividade pode prejudicar os Ticos. E os Soca Warriors, mesmo vendo nomes mais novos tomarem conta do time – os exemplos são Kenwyne Jones e Keon Daniel -, ainda dependem perigosamente dos Dwight Yorke e Russell Latapy (este, já quarentão!) velhos de guerra. Pode ser aí o mapa da mina para salvadorenhos e, principalmente, hondurenhos retornarem a uma Copa, após 28 anos. Motivação para isso, poucos duvidam que ambos têm. Ainda mais agora.

E a Ásia?

Os nós dos dois grupos asiáticos que definirão classificados para o Mundial começaram a ser desatados na rodada do último 19 de novembro. No Grupo 1, cada vez mais, a Austrália nada de braçada. Jogou pessimamente contra o Bahrein (a atuação foi duramente criticada por Pim Verbeek, que disse ser “a pior atuação desde que virei técnico australiano”) e, ainda assim, conseguiu sair de campo com a vitória, graças a um gol de Bresciano, já nos acréscimos da partida. Não é difícil imaginar que, em caso de vitória contra o Japão, os Socceroos já comecem a gelar a champanhe para comemorar a vaga na segunda Copa seguida. Mas é evidente que precisarão melhorar.

Até porque os nipônicos, finalmente, tiveram uma atuação que livrasse Takeshi Okada das críticas e até de uma possível demissão. Contra o Catar, finalmente a dupla de ataque Tamada-Tanaka teve desempenho satisfatório, favorecido pela aproximação maior em relação aos meias – o que de nada adiantaria, não fosse outra boa performance, a de Nakamura. O 3 a 0 contra os comandados de Bruno Metsu fixou o time na segunda posição da chave e afastou de torcida e imprensa o temor de ameaças catarenses e até barenitas. Pelo menos, por enquanto.

No grupo 2, os confrontos diretos também ajudaram a fixar mais quem pode aspirar a alguma vaga, seja direta, seja para brigar pela posição contra a Nova Zelândia, que só espera, como vencedora da Oceania que já é. O Irã decepcionou: o Team Melli apenas empatou, e justamente com os Emirados Árabes, lanternas “disparados” da chave, que conseguiram seu primeiro ponto com o 1 a 1 em Dubai. Nem mesmo o regresso de Karim Bagheri à seleção de que se aposentara em 2001 – regresso forçado, já que motivado pela contusão de Teymourian -, com gol marcado, fez com que o time de Ali Daei se impusesse. Melhor para os sul-coreanos, que abriram dois pontos de vantagem com categórico 3 a 0 contra a Arábia Saudita. Os alviverdes comandados por Nasser Al-Johar até lutaram, mas, a partir da expulsão de Hazazi, ficou difícil que os dez em campo segurassem os superiores coreanos de Huh Jong-moo. E até que demorou para a superioridade se materializar: só nos últimos quinze minutos veio o 2 a 0 que marcou a volta de Lee Woon-jae ao gol dos Reds.

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Equipe Trivela

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