Devagar se vai ao longe

O futebol moderno é rápido. Mesmo que no Brasil nem seja tão rápido, se comparado à Europa (sobretudo Inglaterra), deixou de ser um esporte em que um ponta-de-lança podia meditar antes de fazer um lançamento para o ponta-direita, que tinha tempo para olhar nos olhos do lateral antes de pensar no drible e cruzar para o centroavante, que podia matar no peito e escolher o canto antes de finalizar.

Se o meia-armador (que hoje é volante ou meia), o ponta (que é um ala, lateral ou segundo atacante) ou o centroavante (que é “homem de referência”) pararem para pensar, vão perder a bola ou tomar falta. A não ser que se trate de um fora-de-série, mas isso é outra conversa.

Mesmo nesse futebol, às vezes, é bom saber administrar o ritmo do jogo. E é isso que tem faltado ao Atlético Mineiro. O time mostrou ser muito bom quando ele pode usar a velocidade dos atacantes. Mas, quando é necessário cadenciar a partida, o Galo rateia.

Por exemplo, contra o Goiás, a equipe não soube como tocar a bola com mais calma para encontrar os espaços e furar uma retrance. E, hoje, contra o Flamengo, não conseguiu tocar a bola para impedir que o time carioca lhe pressionasse até virar o marcador.

A perda da liderança não significa que a luta pelas primeiras posições já esteja definitivamente perdida. Mas, para pensar no título, o Galo precisa aprender a tornar o jogo um pouco mais lento quando necessário. Ainda que isso pareça um contrassenso no futebol atual.

PS.: eu sempre digo que Dagoberto parece um jogador de 18 anos. Ele corre com disposição e mostra potencial, mas acaba sumindo em alguns momentos ou errando na hora H (chutando quando deve passar, passando quando deve chutar). Daí, você pensa: “pôxa, esse garoto tem talento. Quando amadurecer, estiver com uns 25 ou 26 anos, vai ser muito bom”.

O problema é que Dagoberto já tem 26 anos. E continua jogando como um jovem de 18 que vai explodir um dia. Se Ricardo Gomes conseguir fazer ele “envelhecer” esses oito anos em poucas semanas, o São Paulo terá um bom reforço. A torcida espera que a boa atuação contra o Grêmio seja o início desse processo.

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Equipe Trivela

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