Deportivo Táchira: A Venezuela mostra as garras

Até alguns anos atrás, o anúncio de que o Palmeiras decidiria uma vaga na Libertadores com um time vindo da Venezuela seria motivo de alegria para os alviverdes paulistas. Afinal de contas, quem é que vai se preocupar com uma equipe de um país onde o esporte mais popular é o beisebol? Acontece que os venezuelanos têm provado a cada edição das eliminatórias para a Copa do Mundo que já não são apenas um saco de pancadas.

O Deportivo Táchira, atual adversário do Palmeiras na pré-Libertadores, busca confirmar esse crescimento também na mais importante competição sul-americana interclubes. O ano de 2006 marca a 12ª participação da equipe na competição. O time nunca ficou entre os quatro primeiros, é verdade. Mas o número não deixa de ser significativo, levando em conta que o Táchira tem apenas 32 anos de vida.

Nascimento à italiana

Assim como no Palmeiras, a história desse time venezuelano está intimamente ligada à Itália. O fundador do clube foi o imigrante italiano Gaetano Greco. De sua terra natal, ele trouxe o desejo de montar uma esquadra no município de San Cristóbal, onde se fixou. Formou então o Juventus (uma homenagem à Vecchia Signora de Turim), a princípio apenas para disputar torneios amadores.

Em 1974, junto com mais 12 amigos, o italiano profissionalizou o futebol da equipe, mudou o nome para Deportivo San Cristóbal e passou a disputar amistosos pelo país, com o intuito de ganhar experiência para ingressar na Copa da Venezuela, o que ocorreu no ano seguinte. Foi aí que o time trocou também suas cores, passando do azul e branco para o preto e amarelo que perdura até hoje, num tributo às tonalidades que representam o estado de Táchira.

Logo naquela primeira competição, o clube sagrou-se vice-campeão, ganhando a simpatia de muitos torcedores. Porém, suas três primeiras participações no campeonato nacional não foram muito animadoras, ficando sempre na parte de baixo da tabela. Em 1978, o time passou a adotar o nome atual, numa tentativa de identificá-lo com todo o estado. Um ano depois, ganhou seu primeiro título nacional.

Mesmo com mais dois títulos do campeonato (1981 e 1984), o Táchira enfrentava sérios problemas financeiros. A solução encontrada foi a fusão com o outro time de San Cristóbal, o Atlético. Em 1986, surgiu o Unión Atlético Táchira e veio mais um título.

O clube passou então por uma tremenda seca, mais de uma década sem títulos e uma crise econômica que quase o fez fechar as portas para sempre. Com o apoio do governador do estado, a equipe se reergueu e voltou usar o nome de Deportivo Táchira FC. A fila acabou em 2000, com o quinto título venezuelano.

Além dos títulos, o grande orgulho da torcida do Táchira é o Estadio Polideportivo Pueblo Novo, que surgiu com o modesto apelido de ‘Templo do Futebol Venezuelano’. Inaugurado em 1976, o estádio tem capacidade para aproximadamente 25 mil pessoas e é a sede oficial do time. O Pueblo Nuevo também abriga jogos da seleção venezuelana pelas eliminatórias.

Torcida desconfiada

O Deportivo Táchira é o atual vice-campeão do Torneio Apertura, tendo acabado dez pontos atrás do campeão, o Maracaibo. A equipe ficou com o consolo de ter o ataque mais positivo da competição.

Para a nova temporada vieram poucos reforços. O mais conhecido é o volante Ricardo David Páez. Todos os jogadores estrangeiros foram dispensados, e o elenco conta hoje apenas com atletas venezuelanos. Ou seja, só com um pequeno milagre o Táchira conseguirá repetir a boa campanha de 2004, quando chegou até as quartas-de-final da Libertadores.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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