De novo, do mesmo jeito

A derrota do Brasil diante da Alemanha no feminino traz algumas coisas sobre as quais precisamos pensar. Em primeiro lugar, em como a nossa imprensa embarcou na história de que éramos favoritos diante de um time mais bem armado, com uma jogadora como Prinz, e atual campeã mundial. Minha pergunta é: quantos dos que palpitaram sobre o assunto efetivamente acompanham o futebol feminino? Por mais que tenha achado que o Brasil jogou bem contra os EUA, nunca vi nenhum jogo inteiro de futebol feminino na minha vida, nem do Brasil, quer dizer, como é que eu posso dar palpite sobre o assunto? Infelizmente, não é assim que pensam nossos palpiteiros de plantão.

O segundo ponto me remete ao jogo entre Corinthians e Sport, que comentei a convite da rádio CBN. Os dois times são ruins de doer, mas o Sport acaba sendo muito melhor. Pleo básico: tem algum padrão tático. Não assisti à final feminina, ou seja, me baseio no relato de Trivela, feito pelo Ubiratan Leal, mas me parece que, embora tenha jogadoras mais habilidosas, o Brasil perdeu porque não conseguiu escapar da marcação alemã. Ou seja, perdeu na tática.

Quando tínhamos no Brasil os melhores jogadores do mundo, nossos times grandes não precisavam de tática. Bastava o mínimo, que é mais ou menos o que tem o Sport: entrosamento e umas duas ou três jogadas de ataque. O resto, os craques faziam: pegavam a bola, driblavam três e encobriam os goleiros. Como muitos de nossos jogadores descobrem ao chegar na Europa (Anderson, do United, por exemplo), em um futebol competitivo isso não é suficiente. Um jogador habilidoso pode muito bem ser parado por um esquema tático bem montado. Como o Brasil parece ter aprendido diante da Alemanha.

Por fim, fica a questão do tão falado campeonato nacional de futebol feminino. Bom, lá vai: não dá. Temos, no máximo, uma dúzia de jogadoras que sabem mais ou menos jogar futebol. Mais que isso: não há interesse do público no assunto. E aí, tenho a mesma posição que tenho com relação ao (ruim) cinema brasileiro: quem não tem competência para atrair o público, que vá procurar outra coisa pra fazer. Ou alguém acha que o governo devia dar uma força para a Trivela se as pessoas resolverem parar de ler a revista?

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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