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Cribari: “Estamos mais fortes agora”

A Lazio teve um início de temporada surpreendente, liderando o Campeonato Italiano com quatro vitórias em cinco jogos. O zagueiro brasileiro Emílson Cribari, no clube desde 2005, falou à Trivela sobre o bom momento da equipe e as perspectivas para o prosseguimento da campanha. Confira!

A que você atribui esse ótimo início de temporada da Lazio?
Na pré-temporada, sabíamos que o presidente (Claudio) Lotito tinha feito boas contratações. Principalmente pela chegada de um novo goleiro, o Carrizo. Ele é um goleiro de qualidade, titular da seleção argentina. E no ataque temos a boa participação do Zárate, que tem se destacado neste começo de temporada.

Na temporada passada, a Lazio não conseguiu fazer uma boa campanha, e chegaram a falar em demitir o Delio Rossi. No final das contas, ele foi mantido. Os jogadores foram ouvidos nessa decisão?
A decisão foi do presidente, os jogadores não foram consultados. Mas foi bom para nós, ele conhece o grupo. Na temporada passada, ele teve muitos problemas com grupo reduzido, não podia poupar jogadores. Eu joguei quase 50 partidas na temporada e não consegui manter o rendimento, ao contrário do ano anterior, quando joguei metade disso.

Quanto você acha que pesou negativamente disputar a Liga dos Campeões na última temporada?
Pesou muito. Para muitos de nós, era a primeira participação na Liga dos Campeões e, como eu já disse, não havia a possibilidade de revezar os jogadores.

Zárate dá a impressão de já jogar na Itália há tempos, por tão rápido que se adaptou. Antes do início da temporada vocês imaginavam que ele faria tanto sucesso?
Sinceramente, não. Não víamos um jogador pronto para atuar no futebol italiano. Aqui a tática é muito rigorosa, ele tinha alguma dificuldade nos movimentos. Além disso, como dizem no Brasil, ele era muito fominha. Mas quando começou o campeonato, ele explodiu! Agora, está arrebentando.

O time da Lazio é bastante ofensivo, com Mauri, Foggia, Pandev, Zárate. Mesmo quando jogou fora de casa contra o Milan, o time manteve essa mentalidade. Como é para vocês segurar a barra na defesa?
Já estamos acostumados, ele sempre pede o mesmo para nós lá atrás. Ele é um dos técnicos que acreditam que a melhor defesa é o ataque. Quando o ataque funciona, fica mais fácil. Quando não funcionava, como na temporada passada, pagávamos lá atrás. Felizmente, temos conseguido manter uma boa posse de bola no ataque durante as partidas, facilitando nosso trabalho.

Você voltou ao time titular recentemente. Antes, vinha jogando Rozehnal ao lado do Siviglia. Na lateral-esquerda, Radu ganhou a posição de Kolarov. Qual você acha que é a melhor formação para a defesa?
A melhor formação é a que vem jogando e ganhando. Ganhamos da Fiorentina, do Torino, e essa defesa deve ser confirmada no próximo jogo contra o Lecce. O Delio Rossi é um técnico que não dá muita chance para quem está fora do time, então quando você entra tem de agarrar a posição com unhas e dentes.

Esta temporada dá a impressão de que alguns times médios estão se fortalecendo, como Napoli, Udinese, Genoa e Palermo. Quantos times você acredita que brigam por vaga nas copas européias?
Acredito que quem não estiver nos torneios europeus este ano levará vantagem. Fiorentina e Udinese devem pagar pela participação nas outras competições. Como pensamos apenas no campeonato, estamos fortes na disputa. Temos condições de terminar em terceiro ou quarto.

O presidente Claudio Lotito assumiu a Lazio em situação financeira delicada. Como está a estrutura do clube hoje? Vocês recebem em dia?
Receber em dia, sempre recebi, nos dez anos em que estou na Itália. É claro que as coisas na Lazio já estiveram mais difíceis, mas ele tem investido cada vez mais no time. A cada ano, ele aumenta o salário e busca melhores jogadores para reforçar o elenco. Pouco a pouco, está voltando a ser a Lazio de antes, aquela que brigava pelos títulos.

Em novembro tem o clássico com a Roma, e pela primeira vez em algum tempo vocês podem chegar a este jogo disputando a liderança do campeonato. Como você vive normalmente o dérbi?
É muito intenso. Assisti ao Milan x Inter e pude ver que não tem nada a ver com o dérbi daqui. Não existe essa história de jogador de um time passar para o outro, como aconteceu várias vezes por lá. Aqui, quem fizer isso não pode mais sair na rua. Em julho, na pré-temporada, já procuramos saber a data do dérbi e ficamos “ligados” no jogo.

Você chegou a interessar à Juventus. Acredita que ainda possa se transferir para um clube maior da Itália?
Pelo que me diz o meu empresário, meu valor de mercado atual é do nível de times médio-grandes, como Fiorentina e Sampdoria. Ir para uma Juventus, Inter ou Milan, só se eu chegasse à Seleção.

Voltando um pouco no tempo, como você encarou o fato de ir cedo para a Itália, quando seu irmão já estava lá? Hoje é algo comum, mas na época não era tanto.
Eu estava no juvenil do Londrina, mas sem perspectivas por lá, com o clube na terceira divisão. Pensava até em tentar a sorte em outro lugar do Brasil. Então, meu irmão (Binho, que jogava no Empoli), mostrou um vídeo para os dirigentes do clube. Eles se interessaram e mandaram uma passagem de avião. Fiz o teste e fiquei por lá. O Binho encerrou a carreira, casou-se com uma italiana e ficou morando por aqui.

Ainda acompanha o Londrina? E o futebol brasileiro?
O Londrina, muito pouco. Mas acompanho o futebol brasileiro, sou flamenguista, felizmente a televisão nos dá a possibilidade de ver as partidas. Tenho o sonho de jogar no futebol brasileiro um dia. Se as portas se fecharem para mim na Itália, terei prazer em atuar em um time do Brasil.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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