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Copa Uefa: torneio em mutação

Na quarta-feira, Zenit e Rangers entrarão em campo, no City of Manchester Stadium para uma final de Copa Uefa que ruma para o fim de uma era. Na verdade, as mudanças que o torneio sofrerá na sua formatação (para a temporada 2009/10) podem ter um paralelo traçado também com o perfil dos clubes que têm tido sucesso na competição recentemente e com a busca – de clubes e do torneio – de se adaptar a um futebol europeu cada vez mais elitizado.

Na verdade, já para a próxima temporada a Copa Uefa englobará outra competição européia – a Copa Intertoto – a exemplo do que aconteceu com a Recopa no final dos anos 90. A mexida da Uefa é a enésima tentativa de satisfazer o apetite dos clubes pelo dinheiro gerado pelas transmissões de TV do futebol continental. E a tradição faz cada vez menos sentido.

O clube russo e o escocês, da mesma forma, tentam encontrar seus lugares na nova ordem do futebol do continente antes que seja tarde. “Encontrar seus lugares”, leia-se, “passar a faturar dinheiro com mais regularidade”. O Zenit, movido pelo ‘boom’ do futebol e da economia russa e o Rangers, baseando-se numa soma de determinação, torcida e organização defensiva colocarão suas cartas na mesa. Um sucesso em Manchester pode ser um bom augúrio para os anos que estão por vir.

Copa Uefa: o patinho feio da Europa

Normalmente, a Copa Uefa é apresentada como sendo a segunda maior competição da Europa. Não é verdade. Em numero de clubes, competições como a Copa da Inglaterra ou a Copa da França contam com mais participantes em seu início. Em relação à receita, torneios como a Premier League, a Liga espanhola ou a Série A italiana faturam mais. Claro, sem falar na Liga dos Campeões da Uefa.

O marketing é uma tentativa de diminuir os malefícios causados ao torneio nas buscas políticas da Uefa. De uma maneira simples, a explicação é essa: os clubes grandes querem mais vagas na Uefa LC, mas a entidade dirigida por Michel Platini têm de dar espaço para os clubes que têm um futebol domestico menos forte. Daí, tome mudança para tentar acomodar todo mundo dentro de um único torneio.

O resultado são regulamentos muito estranhos. No atual formato, a fase de grupo tem cinco times, com jogos só de ida. Ah, sim, alem da entrada dos desclassificados da LC no meio do caminho. No formato novo, serão 12 grupos de 4 times e pelo menos no papel, a fase de grupo fica menos esquizofrênica, igualando as chances de todos.

A união da Copa Uefa com a Recopa (e agora com a Intertoto, a partir de 2009/10) transformou o torneio numa competição que chama pouco a atenção nas primeiras fases. Além disso, clubes menos glamurosos ganham sua vaguinha vencendo a copa nacional em países que dão menos valor a esse tipo de disputa(como por exemplo, na Itália ou na Holanda). E como a TV quer mostrar Milan x Bayern e não Vojvodina Novi Sad x Dudelange, paga menos. Muito menos. Daí, os clubes têm menos interesse, jogam com times com reservas, o público se interessa menos…bem, você imagina o desfecho, não?

Para tentar entrar na elite

Os dois finalistas desta temporada, Zenit e Rangers têm contextos diferentes. O clube russo não tem nenhuma história internacional, e mesmo no cenário domestico, só teve sucesso duas vezes (em 2007 e em 1984, ainda na União Soviética). O Rangers já venceu a Recopa (há 36 anos) e tem 51 títulos escoceses. Os dois procuram conseguir um bilhete para entrar na seleta nata do futebol europeu, que é onde está o dinheiro capaz de comprar a glória. Dinheiro não compra a felicidade só em velhos ditados. Na nova ordem do futebol europeu, só o dinheiro compra sucessos.

Mesmo sem tradição alguma, o Zenit tem um horizonte mais favorável que o Rangers para a entrada na ala VIP do futebol europeu. Dominados por uma gigante energética russa (a Gazprom), o clube tem todos os recursos necessários para se manter bem na cena. Com um técnico experiente (o holandês Dick Advocaat), alguns dos melhores da seleção russa (Pogrebnyak, Fayzulin, Arshavin) e uma divisão de base que investe, um sucesso na Copa Uefa poderia ser um ótimo cartão de visitas.

O time de Glasgow tem tradição de sobra, mas nos últimos anos só patinou. Agora, comandados pelo excelente Walter Smith (ex-assistente de Alex Ferguson no Manchester United, ex-técnico da Escócia e lenda viva de Ibrox, os ‘Gers’ não têm recursos de sobra. Mesmo com uma torcida fanática, o clube sofre com o faturamento da liga local. Justo por isso, tenta há anos disputar a Premier League. E se o time não tem nenhum craque, é difícil encontrar um elenco que jogue com tanta coesão defensiva quanto os Rangers. Retranca? Certamente. Mas o que você faria se o seu camisa 10 fosse um indivíduo chamado Nacho Novo?

Tecnicamente, o Zenit supera amplamente o Rangers. Contudo, a Fiorentina também superava e acabou cedendo. Alem disso, o craque do Zenit, o atacante Pogrebnyak, não jogará a final, suspenso. Some-se a isso o fato dos escoceses jogarem a um passo de casa (Manchester não fica longe da fronteira com a Escócia). Quem nunca viu a torcida do Rangers, que aguarde. E o Zenit que se cuide.

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Equipe Trivela

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