Cazaquistão: Mudar para melhor… ou não

No ano de 1991, o Cazaquistão tornou-se o último país a declarar independência da extinta União Soviética. Nesse mesmo ano foi fundada a Federação de Futebol do Cazaquistão (FFK), que pôde, enfim, controlar os campeonatos locais e administrar a seleção nacional. Três anos depois, a Fifa reconheceu a nação como membro permanente de seu quadro. Entretanto quedou-se uma polêmica: onde encaixar os cazaques em competições continentais? Na Europa ou na Ásia?

O país tem a maioria de seu território (2 milhões e 700 mil quilômetros quadrados) localizada no continente asiático, porém, algumas regiões mais a oeste atingem uma parte da Europa. A Fifa, então, pôs os cazaques na Associação Asiática de Futebol, o que poderia facilitar seu ingresso em uma Copa do Mundo, por exemplo. De qualquer forma, a seleção sequer chegou perto da tão sonhada qualificação. Não bastasse isso, a FFK lutou, e conseguiu, transferir o Cazaquistão para a Uefa no ano de 2002. As cotas de participação nos torneios europeus aumentaram, no entanto, o único título que a seleção nacional vem ganhando é o da experiência.

Tradição às avessas

Por mais que tente, um país de pouco mais de 16 milhões de habitantes, que se destaca pela exportação de petróleo, pelas bases de lançamento de foguetes espaciais e pelo filme hollywoodiano “Borat”, dificilmente irá além da sua melhor posição no ranking da Fifa, o 98º lugar. Àquela época, em dezembro de 2001, o Cazaquistão obteve o mesmo número de pontos do Iraque (14), primeiro colocado do Grupo 6 da primeira fase das eliminatórias asiáticos para a Copa de 2002. Porém perdeu a chance de passar à segunda fase pelo saldo de gols, apesar de ter sofrido apenas dois em 12 jogos disputados. No momento, os cazaques ocupam o 137º posto da Fifa.

De acordo com a RSSSF (Record Sport Soccer Statistics Foundation), a equipe soma 111 partidas em sua história. Destas, 29 vitórias, 28 empates e 54 derrotas (sofreu 162 gols e marcou 124), o que resulta em um aproveitamento de ralos 38,73%. A maior goleada a favor ocorreu em 1997, em um 7 a 0 frente ao Paquistão. Já a pior sofrida foi em 2005, quando a Turquia enfiou 6 a 0 dentro de casa, no Almaty Central Stadium.

O técnico alemão Bernd Storck foi contratado no início de 2008 para as Eliminatórias da Copa do Mundo da África do Sul, mas os resultados permanecem negativos. Em cinco partidas, apenas uma vitória diante de Andorra por 3 a 0 e outras quatro derrotas para Inglaterra (5 a 1), Croácia (3 a 0), Ucrânia (3 a 1) e Belarus (5 a 1) no Grupo 6. Os cazaques preparam-se agora para receber os ingleses, em Almaty, no dia 6 de junho.

Poucos grandes nomes

Quando ainda fazia parte da União Soviética (URSS), o Cazaquistão lançou o zagueiro Seilda Bayshakov, do FC Kairat, que acabou considerado um dos melhores defensores soviéticos da década de 1970. Somente em 1988 um jogador nascido cazaque entraria na lista dos maiores do país, o meio-campista Evgeni Jarovenko. Também do FC Kairat, Jarovenko conquistou a medalha de ouro pela URSS nas Olimpíadas de 1988, em Seul, na Coreia do Sul. O último jogador a se destacar na década de 1990 foi o veloz atacante Oleg Litvinenko, maior artilheiro do futebol cazaque, com 147 gols, porém apenas seis pela seleção. Litvinenko, em 1995, acabou sendo o melhor jogador asiático do ano.

Vem do FC Tobol os recentes “craques” do Cazaquistão. Um deles, o atacante e capitão da seleção nacional Nurbol Zhumaskaliyev foi eleito em 2003 e 2005 o melhor da temporada no país. Já Ruslan Baltiev igual a marca de Viktor Zubarev e tornou-se o melhor marcador dos cazaques, com 12 gols. Baltiev é também quem mais vestiu a camiseta azul do Cazaquistão (69 partidas). O jovem atacante Sergei Ostapenko, 23 anos, fecha a lista. Em 2007, levou o Tobol ao título da Copa Intertoto e já soma quatro gols em 18 jogos realizados pela seleção. Porém, as estatísticas comprovam que ainda é muito pouco para o futuro do futebol na terra de “Borat, o segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão”.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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