Casillas brilha: Espanha elimina Itália

Acabou o trauma das eliminações nas quartas-de-final. Pela primeira vez em 24 anos, a Espanha está nas semifinais de um torneio de alto nível. E o fez em cima de um gigante como a Itália, superando ainda a tradição de cair contra adversários com mais camisa. Depois de 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, os espanhóis venceram por 4 a 2 nos pênaltis. O destaque: Casillas, que defendeu duas cobranças italianas.
O resultado fez justiça à equipe que procurou o gol com mais constância, ainda que a retração italiana tenha sido estratégica, dentro da cultura de atrair o adversário para buscar os contra-ataques. De qualquer modo, os espanhóis estiveram com o domínio na maior parte dos 120 minutos do duelo.
O jogo não foi marcado por grandes oportunidades de gol. No primeiro tempo, a Espanha tomou a iniciativa. Tocando a bola no meio-campo, tentava tomar as rédeas da partida. No entanto, não conseguia furar o bloqueio italiano a partir da intermediária e as chances criadas não representavam grande perigo ao gol de Buffon.
Os italianos ficaram mais acuados. Com Aquilani e Perrotta em jornada discreta, Toni e Cassano ficaram isolados na frente. As duas oportunidades apareceram em cruzamentos na área, mas também sem assustar o goleiro adversário.
No segundo tempo, o ritmo da partida ficou mais intenso. A Espanha passou a atacar com mais agressividade, mas os italianos também melhoraram na articulação do meio-campo, principalmente depois da entrada de Camoranesi.
Os italianos ficaram muito perto do gol – foi a melhor oportunidade de gol todo o tempo normal da partida – aos 15 minutos. Toni venceu Casillas em uma dividida no alto, ajeitou a bola para Camoranesi, que chutou para defesa com os pés de Casillas, que se recuperou rapidamente.
A Espanha continuou com dificuldades na infiltração, sobretudo pela grande partida de Chilellini. Assim, as principais chances ibéricas ocorreram em chutas de fora da área. Aos 34 minutos, Marcos Senna cobrou falta com força e exigiu que Buffon socasse a bola. Um minuto depois, Senna chutou com força. O goleiro tentou encaixar, mas a bola escapou de suas mãos e bateu no pé da trave esquerda.
Os minutos finais do tempo normal, os espanhóis intensificaram a pressão. Villa e Güiza foram acionados em lançamentos, mas tiveram dificuldades para dominar a bola e finalizar antes que algum zagueiro italiano interviesse.
A prorrogação começou sem mudança na dinâmica da partida. A Espanha tomando a iniciativa e a Itália buscando os contra-ataques. Logo aos 2 minutos, David Silva teve grande oportunidade. Villa avançou pela ponta esquerda e cruzou. Güiza ajeitou de cabeça para o arremate de Fàbregas. A bola bateu na zaga e voltou para Silva, que chutou de primeira, passando muito perto da trave esquerda de Buffon.
A Itália ameaçou aos 4 minutos. Di Natale subiu mais alto que Puyol e acertou uma cabeçada com força, mas Casillas fez grande defesa. Na jogada seguinte, Toni quase fez em desvio de cabeça após cobrança de escanteio.
Depois dessas oportunidades, o jogo voltou a ter as defesas prevalecendo sobre os ataques. Ainda que as duas equipes tentassem o gol, ambas não conseguiam finalizar adequadamente.
Aos 5 minutos do segundo tempo, Villa foi lançado livre. O atacante dominou mal a bola e perdeu o ângulo. Acabou chutando em cima de Buffon, que saiu para bloquear o chute do espanhol.
Até o final da partida, a chance de gol mais aguda foi da Espanha. Villa lançou Cazorla pela esquerda. O meia avançou livre e chutou cruzado, à esquerda do gol de Buffon.
Na disputa de pênaltis, De Rossi foi o primeiro a desperdiçar sua chance, em defesa de Casillas. A Itália voltou à partida quando Buffon defendeu pênalti mal batido por Güiza. No entanto, Casillas defendeu o chute de Di Natale em seguida e deixou os espanhóis em vantagem. Restou a Fàbregas fazer o gol e dar a classificação à Espanha.
Não é uma conquista inédita para a Espanha. Os ibéricos já foram campeões da Eurocopa em 1964 e vice-campeões em 1984. No entanto, desde essa segunda colocação, nunca mais a Fúria chegou entre os quatro primeiro em Eurocopa ou Copa do Mundo.
Com esse resultado, a Espanha enfrenta a Rússia na próxima quinta pelas semifinais. A outra vaga na final será decidia um dia antes, entre Alemanha e Turquia.
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ESPANHA 0x0 ITÁLIA (4×2 nos pênaltis)
Local: estádio Ernst Happel, em Viena-SUI
Árbitro: Herbert Fandel-ALE
Assistentes: Carsten Kadach-ALE e Volker Wezel-ALE
Cartões amarelos: Iniesta, Villa e Cazorla (ESP) e Ambrosini (ITA)
Espanha: Casillas; Sergio Ramos, Puyol, Marchena e Capdevila; Xavi (Fàbregas), Marcos Senna, Iniesta (Cazorla) e David Silva; Villa e Fernando Torres (Güiza)
Técnico: Luis Aragonés
Itália: Buffon; Zambrotta, Panucci, Chiellini e Grosso; Aquilani (Del Piero), De Rossi, Ambrosini e Perrotta (Camoranesi); Cassano (Di Natale) e Toni
Técnico: Roberto Donadoni
Pênaltis: Villa (gol), Grosso (gol), Cazorla (gol), De Rossi (defesa), Marcos Senna (gol), Camoranesi (gol), Güiza (defesa), Di Natale (defesa) e Fàbregas (gol)


