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Bruno Quadros: Do Japão para o Brasil

Depois de cinco anos no Japão, o jogador Bruno Quadros não renovou com o FC Tokio e voltou para o Brasil. Desde janeiro parado, o jogador criado pelo Flamengo treina para manter a forma a espera de alguma proposta. Zagueiro e volante, Bruno jogou por três clubes na Ásia, além de representar os turcos do Galatasaray e outras equipes brasileiras.

O jogador, que começou no salão, teve apoio direto da família. Seu avô foi, nos anos 40, um dos destaques do Flamengo tricampeão carioca em 42, 43 e 44. No salão, o carioca criado no bairro do Humaitá, zona nobre da cidade do Rio de Janeiro, atuou com Pedrinho e Felipe, ambos ex-Vasco, e Athirson, ex-Flamengo. No campo, jogou na seleção sub-20. Nesta entrevista que concedeu à Trivela, Quadros fala sobre sua carreira, favoritos a Copa e sua vida no Japão.

Você ficou cinco anos no Japão. Foi tempo suficiente para se adaptar?
Foram cinco belíssimos anos e nos adaptamos muito bem (minha família e eu). Nossa primeira preocupação foi aprender o idioma, pois assim conseguiríamos nos socializar e entender rapidamente o Japão e o povo japonês. Com isso eu e minha família nos adaptamos logo no primeiro ano (2005). Obviamente que tive uma estrutura maravilhosa no primeiro time que estive, o Cerezo Osaka. Estávamos sempre rodeados por japoneses querendo ajudar e isso foi muito bom. Agradeço a Deus por nos colocar no Japão, que era um sonho, e logo em um time com pessoas voltadas a ajudar os brasileiros em todo tempo.

Para você, quais são as chances do Japão na Copa? Quem são seus favoritos?
O Japão tem uma bela seleção com grandes jogadores como o Nakamura , Endo (jogador do Gamba Osaka), que é um jogador diferente na sua maneira de jogar, tem o brasileiro naturalizado japonês Tulio (jogador do Nagoya), que tem grande importância no sistema defensivo da seleção. Ishikawa (jogador do FC Tokyo), que é muito rápido e faz muitos gols, enfim… Entendo que dentro da Ásia é a grande seleção e penso que tem chances de ir longe na Copa. Ser favorito não significa que irá fazer uma boa Copa, mas pelo que tem mostrado até aqui, vejo Espanha e Brasil com principais candidatos. Só que não podemos deixar de colocar Itália (atual campeã) e Argentina, que sempre entram fortes. Tem também Inglaterra e Portugal com grandes craques. Copa do Mundo é assim, grandes seleções e grandes jogadores.

Por que não renovou com o FC Tokyo para essa temporada?
O time me chamou e sentamos pra conversar. Levamos uns 20 dias conversando. Não chegamos a um acordo e então paramos ali. Sem brigas e sem problemas. São situações do futebol. Foram dois anos abençoados. Com lutas e grandes vitórias. Em 2009, o FC Tokyo fez uma bela campanha, pois conseguiu o Título da Copa Nabisco e terminou em quinto lugar na J-league (melhor colocação que o clube conseguiu em sua história na liga com o regulamento dos pontos corridos). Foi muito bom.

Tem a intenção de voltar para o Brasil ou prefere continuar no futebol asiático?
Me adaptei bem ao futebol Japonês. Eu e minha família gostamos muito do Japão. Deus nos deu o privilégio de vivermos em um país organizado e disciplinado. Vivenciamos grandes situações e aprendemos muitas coisas novas. Foi uma grande oportunidade que tivemos e, claro, foi um mercado que Deus abriu pra nós. Estar no Brasil também é muito bom, pois é o nosso país, onde mora nossa família, onde se vive futebol 24 horas. Estou treinando, me preparando, buscando algo novo e pronto para próxima etapa. Seja no Brasil, Japão, ou em qualquer outro lugar, tenho que estar preparado.

Sua família é toda voltada ao futebol. Isso te influenciou a praticar esse esporte?
Sempre tive a liberdade de fazer escolhas desde que não fugisse de princípios básicos como, por exemplo, o estudo. Estudar era e é fundamental. Dentro disso, cito o que disse antes. O Brasil respira futebol e isso influencia todas as crianças e toda família brasileira. O presente de um menino é sempre uma bola. Não podemos generalizar, mas podemos dizer que grande parte das crianças no Brasil quer jogar futebol profissional e muitos sonham em jogar no Maracanã. Graças a Deus tive a felicidade de realizar esse sonho.

Como foi seu início de carreira no salão? E a mudança para o campo?
Comecei no futebol de salão e isso foi muito bom, pois os espaços são curtos e o jogo é veloz. Faz você pensar rápido e ficar pouco tempo com a bola. O salão dá uma técnica interessante. Quando passa para o campo, é sentido a diferença logo de início, pois as dimensões do campo são completamente diferentes. A dificuldade é onde se posicionar. Depois que se acostuma, começa a usar esses espaços com facilidade. É bem interessante essa transição.

O Flamengo foi o time mais importante da sua carreira?
Todos os times tiveram grande importância. Em cada clube vivi momentos de alegria e de dificuldade. Faz parte do futebol e da vida de qualquer um e em qualquer área. O Flamengo foi onde me formei como jogador e onde me profissionalizei. O Botafogo foi minha primeira experiência fora do Flamengo. O Galatasaray, a novidade do exterior. O Sport Recife, novidade de estar em um mercado dentro do Brasil, porém fora do RJ. O São Caetano foi o amadurecimento como atleta profissional. O Guarani foi a nova caminhada numa nova posição. O Cruzeiro, um clube extremamente estruturado. O Cerezo Osaka, a entrada em um novo mercado. O Consadole Sapporo, a surpresa e o FC Tokyo, quando a luta é grande, a vitória é maior ainda. Óbvio que tive bem em alguns desses clubes e em outros não, mas isso são situações do futebol.

Você teve uma rápida passagem pelo futebol turco. Porque não deu certo na Turquia?
Só podia jogar a Champions League, pois a Liga da Turquia permitia cinco estrangeiros e eu era o sexto. Isso foi complicado pra mim, pois tinha mais jogo da Liga e da Copa da Turquia do que os jogos da Champions. Assim, eu mais treinava do que jogava. Fui muito novo e foi muita novidade. Também tive uma contusão que me afastou por um bom tempo. Enfim, não joguei muito e fiquei apenas uma temporada, porém aprendi muito com a oportunidade de viver em outro país. Essa experiência fora do Brasil me trouxe benefícios na caminhada pelo Japão, como, por exemplo, viver intensamente o país que estava morando e trabalhando, algo que não fiz na Turquia.

Tem vontade de voltar para a Europa?
Gostaria sim. Seria muito interessante. Tenho muitos sonhos ainda dentro do futebol. Aliás, temos que estar sonhando em todo tempo. É um sonho sim. Vamos ver o que Deus tem preparado pra frente.

Você chegou a ser convocado para algumas seleções de base. Como foi essa experiência?
Maravilhosa. Foram duas convocações com quatro amistosos. Foi no segundo semestre de 1996, quando era juniores. Foi bem bacana. Estava caminhando pelo clube e vem alguém e diz assim:
“- você foi convocado para seleção. Parabéns!”. Muito legal. Depois tem o encontro no aeroporto com vários jogadores de vários estados, viagem de avião, uniforme de treino, a famosa camisa amarelinha…muito bom mesmo.

Consadole Sapporo, FC Tokyo e Cerezo, sua três equipes no Japão. Foram altos e baixos, como você avalia cada uma?
Joguei em três times distintos. No Cerezo Osaka éramos líderes na última rodada mas perdemos o título da J-league aos 48 minutos do segundo tempo. No Consadole Sapporo conquistamos o título da J-league 2 e subimos pra J-league. No FC Tokyo conquistamos o título da Copa Nabisco Yamazaki. A caminhada no Japão é um presente de Deus, pois me sinto um privilegiado em jogar e brigar por títulos pelos três clubes.

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Equipe Trivela

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