Bruno Moraes: “O Mourinho era caprichoso e detalhista”
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Aos 26 anos, Bruno Moraes já jogou no Santos, venceu uma Liga dos Campeões pelo Porto e atualmente defende o Gloria Bistrita, da Romênia, onde faz parceria no ataque com o próprio irmão, Moraes.
Em entrevista exclusiva à Trivela, Bruno falou sobre a experiência de jogar no país do leste europeu, o técnico José Mourinho (com quem trabalhou no Porto) e o sonho de retornar para o clube que o revelou. “Ainda ficou aquela vontade de voltar para o Santos, de jogar de uma forma mais atuante e de comemorar um título que eu tenha participado da conquista”.
Este é seu primeiro ano na Romênia. Já está adaptado ao país, ao futebol, à cultura?
Estou me adaptando. A diferença é muito grande. A Romênia é um país muito frio. A língua também não é tão fácil de se aprender. Leva um tempo para você se comunicar direito. E o futebol aqui é do Leste Europeu, que não se foca tanto nas jogadas individuais, e sim no posicionamento, na marcação e no físico. É um jogo mais corrido, com poucas jogadas individuais e mais no coletivo.
No Gloria Bistrita, você atua com seu irmão Moraes no ataque. Como é jogar com o próprio irmão?
Foi uma das causas que fez me vir aqui. Acho que é uma oportunidade rara na carreira jogar com um irmão. O momento foi propício porque tinha acabado o meu contrato com o Porto e eu fiquei um tempo sem clube. Chegaram algumas propostas, mas preferi vir para cá.
Facilita jogar com o irmão?
Ele já está adaptado aqui e fala bem o romeno. Mesmo sendo mais novo, ele me dá algumas dicas de posicionamento em campo. Isso ajuda bastante no jogo.
E você já aprendeu romeno?
Estou aprendendo. É difícil.
Você começou a carreira no Santos. O que mais te marcou na época em que você estava no Peixe?
Eu sempre fui torcedor do Santos, desde quando era pequeno, e cresci com essa vontade de jogar no clube. Nas categorias de base eu joguei bastante. Mas, quando fui atuar no profissional do clube, tive poucas oportunidades e entrei pouco. Então ainda ficou aquela vontade de retornar para o Santos, de jogar de uma forma mais atuante e participativa e de comemorar um título que eu tenha participado da conquista.
Você sonha em jogar novamente pelo Santos?
Eu sonho. Gostaria de terminar a carreira no Santos.
Depois do Santos, você foi para Portugal jogar no Porto. Não fixando na equipe, você foi emprestado para o Vitória de Setúbal, depois voltou para o Porto, retornou ao Vitória e, em seguida, se transferiu para o Rio Ave. Por que você não ficou tanto tempo em nenhum desses clubes?
No meu primeiro ano no Porto eu joguei pouco. Então o clube resolveu me emprestar para o Vitória de Setúbal para jogar regularmente e, quando retornasse, eu pudesse atuar mais. Só que no final do meu empréstimo, eu acabei me lesionando. Mesmo assim o Porto renovou o meu contrato. Em 2006 e 2007, eu joguei algumas partidas, mas não tive uma sequência. Na primeira vez, o Porto me emprestou para jogar. Depois foi por causa das lesões, para que eu pudesse ganhar ritmo e jogar regularmente. Agora que eu estou conseguindo ter um sequência.
Pelo fato de não ter se fixado em nenhum clube em Portugal, pensou em voltar para o Brasil?
Cheguei a pensar quando acabou o meu contrato com o Porto e alguns empresários que me conhecem me procuraram. Mas eu precisava permanecer na Europa para conseguir a cidadania portuguesa.
Teve alguma dificuldade de se adaptar em Portugal?
Eu vim para Europa muito cedo e fiquei a maior parte do tempo sozinho. A minha família e minha namorada me visitavam de vez em quando.
Você esteve presente no elenco do Porto que conquistou a Liga dos Campeões em 2004. Mas você jogou na vitória por 2 a 1 contra o Manchester United. Você se sentiu frustrado por não ter atuado em muitos jogos da LC?
Com certeza, todo jogador sonha em disputar a Liga dos Campeões. Mas eu me sinto privilegiado de ter ido para um clube que disputa regularmente as competições europeias. No meu primeiro ano com o Porto, joguei nessa partida e acho que foi um aprendizado importante. Foi maravilhoso ter estado nessa conquista. Na temporada 2006/2007, joguei algumas partidas na Liga dos Campeões [nas vitórias por 4 a 1 e 3 a 1 sobre o Hamburg, no 2 a 0 sobre o Porto, no 0 a 0 com o Arsenal, no 1 a 1 com o Chelsea e na derrota por 2 a 1 para o Chelsea].
No Porto, você foi treinado por José Mourinho. O que você pode dizer sobre ele?
O Mourinho foi um treinador que me impressionou. Ele era caprichoso e detalhista. Sempre estudava os adversários antes dos jogos.