Anorthosis Famagusta: orgulho nacional

Nesta quinta-feira, um Tottenham Hotspur em crise vai receber em White Hart Lane um adversário “fácil” pela Copa Uefa – e por isso, se não vencer, pode perder seu técnico, o holandês Martin Jol.

O rival modesto vem do Chipre, um dos menores países da Uefa. Mas o Anorthosis Famagusta, com seu nome exótico e seus quase cem anos de história, carrega uma história bastante curiosa e que tem reflexos até hoje na situação do clube.

Um país dividido

Fundado em 1911 na cidade turística de Famagusta, conhecida por suas belas praias e um intenso centro de veraneio até 1974, o Anorthosis tem um apelido igual ao da Juventus de Turim: ‘A velha senhora’. Apesar de ser de Famagusta, o Anorthosis hoje é um time refugiado na cidade de Larnaca, que fica no sul da ilha.

A razão pelo estranho fato de estar em outra cidade tem a ver com o ano de 1974, até o qual a cidade era uma cidade turística. País de etnia dividida entre gregos e turcos – que têm forte rivalidade entre si – o Chipre foi invadido naquele ano pelo exército turco, antecipando-se à decisão do país de se submeter à Grécia – historicamente, o país com mais vínculos com o Chipre.

A decisão do governo de Istambul tinha o apoio da população de origem turca, temerosa de uma perseguição dos gregos. A invasão rachou o país e até hoje o norte do país não é reconhecido pela ONU e nem por nenhum outro país, a não ser pela Turquia, que dá o suporte político e econômico para a auto-intitulada República Turca do Norte do Chipre.

Ostracismo

Com a invasão, a população de origem grega fugiu para o sul da ilha. Assim também ocorreu com o Anorthosis. Ao invés da bela Famagusta (onde boa parte da cidade ainda é uma cidade-fantasma, desde a invasão 33 anos atrás), o clube refugiou-se em Larnaca, uma espécie de capital ‘informal’, onde também está o aeroporto nacional (pois Nicósia, a capital de fato, também é dividida com fronteiras, barreiras militares e tudo).

Dois anos atrás, o clube cipriota já tinha protagonizado um episódio histórico. Na primeira fase eliminatória da Liga dos Campeões, o Anorthosis pegou o Trabzonspor, da Turquia. Foi a primeira vez que um clube do Chipre e um da Turquia se enfrentaram desde a fatídica invasão. Os cipriotas perderam na Turquia, mas venceram em Larnaca, desencadeando uma frenética comemoração, que foi na realidade uma celebração do orgulho nacional.

A visita cipriota a White Hart Lane deve ser só pró-forma e servir para o time de Famagusta se sentir mais parte da Uefa. Dois anos atrás, a competição européia já serviu para uma comoção nacional no Chipre. Quem sabe um frango de Paul Robinson, goleiro do Tottenham, não proporcione novamente uma festa desenfreada no Chipre? Ou melhor: só na parte meridional da ilha…

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