Anônimos no melhor na festa
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Provavelmente seus nomes nunca foram gritados pela torcida nos clubes por onde passaram, muito menos eles deixaram o Brasil prestigiados e vendidos por valores astronômicos. Mas, pouco a pouco, estes jogadores abandonam o anonimato por dividirem o mesmo espaço com Cristiano Ronaldo, Gerrard ou Messi. Esta é a realidade de alguns brasileiros na disputa da Liga dos Campeões.
O zagueiro André Galiassi foi parar no Cluj de forma acidental. Formado nas categorias de base do Corinthians, peregrinou por pequenos clubes como Arapongas, Portuguesa Londrinense e Taquari do Paraguai, até que se transferiu para o Bolívar. Disputou uma temporada na equipe boliviana, até que seu companheiro de zaga desistiu, na última hora, de mudar-se para a Romênia e vestir a camisa do Cluj. Apresentar um outro zagueiro foi a alternativa que seu empresário encontrou para não estragar seu relacionamento com o clube.
A solução de emergência não poderia ter sido melhor para André. O zagueiro se diz adaptado ao país e realiza, aos 28 anos, um sonho: “Quando se começa no futebol, todo garoto sonha em disputar um grande torneio internacional, mas a realidade vai mostrando que as coisas não são tão fáceis. Mas eu consegui”. Para o jogador, mais difícil que marcar o atacante italiano Totti, em sua estréia contra a Roma, foi não se entregar à emoção ao ouvir o hino da Liga dos Campeões. “Foi muito difícil segurar o choro”, comenta.
O caminho de Cacá, que disputa a competição pelo Aalborg, foi mais parecido com o de vários jogadores brasileiros, mas contou também com uma pitada de sorte. Erik Hamrén, então técnico do Aalborg e hoje no Rosenborg da Noruega, se encantou com o futebol do meia-atacante e quis levá-lo de qualquer maneira à Dinamarca. “Participar da Liga dos Campeões é uma sensação muito boa. Depois de uma Copa do Mundo é o torneio mais importante do mundo e a visibilidade para o atleta é enorme”, admite.
O brasileiro, que lamenta a falta de oportunidades no Atlético-MG no início de sua carreira, também passou pela Alemanha e está há três anos na Dinamarca. Sua chegada coincidiu (e contribuiu) para que o AaB voltasse a disputar títulos nacionais e chegasse também à disputa da Copa Uefa.
Cacá – irmão do também ex-atleticano Dedê, que joga há dez anos no Borussia Dortmund, da Alemanha – ainda reclama um pouco do inverno, mas vibra quando pensa na empolgação vivida pelo país com o retorno de uma equipe nacional à disputa da Liga dos Campeões: “Chegar à Liga dos Campeões foi uma conquista valorizada por todos os torcedores do país. Os times daqui nem sempre chegam a grandes torneios”.
Brandão está no Shakhtar Donetsk há seis anos, mas só agora virou desejo de clubes brasileiros carentes de um centroavante de área. O goleador, que passou brevemente pelo São Caetano e fez parte do time vice-campeão da Libertadores em 2002, tornou-se artilheiro do Shakhtar e levou o time ucraniano à disputa do maior torneio de clubes do mundo.
Para trás, ficaram os maltratados campinhos e as arquibancadas vazias. Os grandes estádios como o Olímpico, Old Trafford ou Santiago Bernabéu são a nova realidade destes brasileiros.