Amoros: Azar do rugby
Quatro meses antes do início da Copa do Mundo de 1982, Manuel Amoros ganhava a primeira chance de vestir a camisa da seleção francesa principal. A partida seria contra a futura campeã mundial, a Itália, em Paris. Com 20 anos de idade, recém completados, o estreante deu sorte, pois sua equipe venceu por 2 a 0 e quebrou um tabu de 19 confrontos sem derrotar a ‘Azzurra’. Era mais um motivo para este ofensivo e incansável lateral-direito não se arrepender do fato de ter deixado de lado o rugby – outro esporte que praticava.
Embora fosse novo e não tivesse quase nenhuma experiência na seleção, Amoros acabou sendo convocado pelo técnico Michel Hidalgo para a maior competição de futebol do planeta. A maré estava cheia. Amoros vinha da conquista do campeonato nacional de seu país, com o Monaco. Pela frente, coisas boas ainda o aguardavam.
Dos sete jogos disputados pela França, na Copa realizada na Espanha, Amoros esteve presente em cinco. Foi titular em todos. Provavelmente, aquele que mais lhe marcou foi o que valeu pela semifinal. Diante da Alemanha Ocidental, a França chegou a ter dois gols de vantagem, na prorrogação. Porém, sofreu o empate. Na disputa de pênaltis, Amoros fez sua parte, ao converter uma cobrança em gol. Só que os adversários garantiram a vaga na decisão. Mais de 20 anos depois, analisando essa partida épica, Amoros disse: “Naquela época, eu era jovem e um pouco ignorante. Não sabia pelo que estava passando, mas hoje acho fabuloso”.
Amoros voltou a participar de uma Copa do Mundo em 1986, no México. Novamente, a França chegou à semifinal. Mas ela não conseguiu passar dessa fase, mais uma vez. A responsável pela decepção foi, curiosamente, a Alemanha Ocidental. Após esse jogo, houve a oportunidade de uma despedida honrosa da Copa, contra a Bélgica, na disputa do terceiro lugar. Foi ali que Amoros marcou seu primeiro e único gol em sua trajetória percorrida na seleção. O feito aconteceu através de uma cobrança de pênalti, durante a prorrogação. Com esse gol, o placar recebeu números finais: 4 a 2 para os ‘Bleus’.
O melhor da França
Com o ótimo desempenho em sua segunda Copa, Amoros deu um largo passo para se destacar em duas premiações, oferecidas por revistas francesas. Na eleição dos melhores da Europa em 1986, feita pela France Football – levando em conta apenas os nascidos no continente -, Amoros apareceu na quarta colocação, empatado com o dinamarquês Elkjaer-Larsen. Já na que foi feita pela Onze, ele ficou atrás apenas de Maradona. Para ambos os veículos de comunicação, Amoros foi o francês que teve a melhor performance no ano.
Outro momento de apogeu de Amoros aconteceu quando ele suava a camisa da seleção, na Eurocopa de 1984. Pela primeira vez, a França faturava o mais desejado troféu do continente. Logo na estréia, no entanto, Amoros foi expulso aos 42 minutos do segundo tempo. A França teve que se segurar com um homem a menos para ganhar por 1 a 0 da Dinamarca. Se Amoros pensou que voltaria a jogar depois da suspensão cumprida, se enganou. Michel Hidalgo só foi escalá-lo na decisão, diante da Espanha. E Amoros não retornou como titular. Teve que esperar no banco de reservas para entrar no lugar de Battiston, aos 27 minutos da etapa final.
No total, Amoros defendeu a França em 82 partidas. Esse número foi o suficiente para que ele se tornasse o recordista na história de sua seleção, até 1999. Didier Deschamps, o encarregado de erguer o troféu da Copa do Mundo em 1998, foi quem o superou. O último jogo de Amoros pela França teve um aspecto de ‘flashback’: foi contra a Dinamarca, na Eurocopa de 1992. Este adversário realmente não lhe dava sorte. Em 1984, Amoros recebeu o cartão vermelho e oito anos mais tarde, perdeu a partida, por 2 a 1.
As chuteiras de Amoros tiveram de ser penduradas em 1996, em conseqüência de uma artrite nos quadris do atleta. Observando toda a sua vida profissional, notamos que faltaram poucas coisas para podermos considerá-la completa. A conquista da principal competição européia interclubes é uma delas – em 1992/3, Amoros adicionou esse título a seu currículo, mas o jogador foi coadjuvante, atuando em poucas partidas. O Olympique, em 1990/1, chegou à final da Copa dos Campeões, quando enfrentou o Estrela Vermelha, ocorreram dois empates por 0 a 0: no tempo normal e na prorrogação. Já na disputa de pênaltis, Amoros foi o único a não marcar. Escolhido para ser o primeiro cobrador do Olympique, ele chutou a bola e o goleiro Stojanovic a defendeu. Pela primeira vez, um time iugoslavo faturava a Copa dos Campeões.
Desde que parou de correr nos gramados, Amoros preferiu se manter ligado ao futebol. Todos os anos, organiza cursos, na França, para meninos entre 7 e 17 anos. Atualmente, ele também se dedica ao cargo de técnico da seleção sub-20 do Kuwait.



