Aguirre: herói aurinegro

Quatro jogos. Quatro vitórias. Única equipe com 100% de aproveitamento. Futebol mais vistoso. Um dos melhores jogadores do torneio. O Uruguai é a melhor equipe do sul-americano sub-20, tudo isso graças a um ex-jogador do Peñarol, apaixonado por futebol e com faro de gol apurado, Diego Aguirre, treinador da Celeste.

Aguirre jogou futebol durante toda sua infância. Ia ao colégio e sempre estava ele com uma bola de futebol. Sem dar conta foi transformando num jogador. O futebol era sua paixão e aos 15 pros 16 anos ele foi fazer testes no aspirante do Liverpool uruguaio. Ficou por lá. Durante dois anos disputou a primeira divisão. A boa forma o levou ao poderoso Peñarol. Tinha acabado de cumprir 20. No Liverpool estreou contra o Oriente de la Paz. A estréia foi fora de casa e contou com um gol de cabeça de Aguirre.

Em 1985, ele foi o goleador da segunda divisão. Como havia marcado muitos gols veio à chance de jogar no Peñarol. Outras ofertas chegaram para o jogador. Esteve muito perto de acertar com o Danubio e com o Wanderers, mas acabou acertando com a equipe aurinegra, graças ao pedido do técnico, Roque Maspoli, e do presidente do clube, Carlos Lecuedir.

Essa ida para o Peñarol, ele próprio considera como “uma coisa do destino”. A transferência para o Danubio era praticamente certa. Havia um pré-acordo entre as duas equipes. Dois jogadores do Danubio iam para o Liverpool em troca de Aguirre. A imprensa já havia tirado uma foto dele com a camisa do Danubio. Logo em seguida, os jogadores que estavam envolvidos na troca não quiseram ir para o homônimo inglês – o clube disputava a segunda divisão na época. O mercado de transferências já estava fechando. A poucas horas do fim, o presidente do Liverpool, Oscar Di Candia, confirmou a ida do atacante para o Peñarol.

Um ano após ser goleador da segunda divisão, Aguirre estreou em uma partida não oficial. Era a apresentação das equipes para o nacional que ia começar. Mesmo não sendo uma partida oficial, o jogador tratou logo de mostrar serviço e justificar sua contratação. Marcou um gol contra o River Plate.

Foi no Peñarol que ele conseguiu suas principais glórias. Lá ele se sentia em casa. Da primeira vez que passou por lá permaneceu durante dois anos. Depois ele retornou mais duas vezes. Na primeira passagem, o Peñarol obteve um ano fabuloso. Campeão do torneio Competência e dos principais torneios nacionais.

Na Libertadores de 1986, a equipe foi mal, mas no ano seguinte não. O Peñarol chegou à decisão da competição. O adversário era o América de Cali, vice-campeão dos últimos dois anos – perdeu para o Argentinos Juniors em 1985, e para o River Plate argentino no ano seguinte. A primeira partida foi disputada em Cali, na Colômbia. 2 a 0 no primeiro jogo para os donos da casa. Na segunda partida, no Uruguai, vitória por 2 a 1, com um gol de Diego Aguirre. Como na época só contava os pontos, houve uma terceira partida disputada no Chile. 25 mil pessoas estiveram presentes e viram aos 15 minutos da prorrogação o gol de Aguirre dando o título ao Peñarol. Um milagre levando em conta que o Peñarol estava com três jogadores a menos.

Guerreiro como todo uruguaio, Diego Aguirre nunca teve medo dentro de campo, mas uma vez ele “tremeu”. O Peñarol foi fazer uma série de amistosos no México. O treinador da equipe era Oscar Tabárez, atualmente treinador da seleção principal. A equipe enfrentou a seleção mexicana, San Luis de Potosí, Guadalajara e Monterrey. No jogo contra o San Luis, a partida estava 1 a 0 para os visitantes e estava perto de acabar o primeiro tempo. O árbitro marcou um pênalti inexistente a favor dos donos da casa. Os jogadores do Penãrol não queriam deixar o jogador do San Luis bater o pênalti. Os visitantes se recusaram a jogar. A polícia queria obrigá-los. Houve tiros e muita confusão.

Diego Aguirre teve uma passagem pelo Brasil e pela Europa. Jogou no desconhecido Marbella, da Espanha, e no Olympiacos. No Brasil, defendeu o Inter e o São Paulo. Ainda atuou pelo Independiente.

O atacante encerrou a carreira aos 34 anos. Jogou os últimos dois anos no River Plate uruguaio e alguns meses no Rentistas. Já estava decidido a se aposentar. Aguirre fez curso para ser treinador. A primeira equipe que ele comandou foi o Plaza Colonia, em 2002. Para ele é mais fácil ser jogador do que treinador.

“O jogador tem muita pressão em cima dele, mas ser treinador é muito mais difícil. Quando perde, perde os jogadores, mas o técnico é o responsável. Sente que a culpa é dele”, disse Diego Aguirre a um site uruguaio. Atualmente, ele não está se sentindo culpado. Tem o melhor time do Sul-Americano Sub-20.

Outras matérias deste colaborador em seu blog.

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Equipe Trivela

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