Aguirre, de novo

No Hexagonal Final das Eliminatórias da Concacaf para a Copa de 2002, o México teve um péssimo início. Até começou goleando a Jamaica, por 4 a 0, mas, nos três jogos posteriores, só conseguiria mais um ponto, no empate contra Trinidad e Tobago, por 1 a 1. Finalmente, derrotas para Costa Rica (esta por 2 a 1, em pleno Azteca) e Honduras fizeram com que a corda arrebentasse do lado do técnico. E Enrique Meza foi demitido.

Para o lugar de Meza, veio um ex-jogador, com serviços prestados a La Tri em Copas (foi titular da equipe no Mundial de 1986, em casa), mas que ainda iniciava a carreira de treinador, tendo passagens apenas por Atlante e Pachuca. Pouco provável que pudesse recolocar os mexicanos nos trilhos? Pois Javier Aguirre mostrou seu valor, no resto do hexagonal. Nas cinco partidas seguintes, já sob seu comando, o México perdeu apenas dois pontos, deixados no empate contra a Costa Rica. De resto, só vitórias, que levaram o time ao Mundial de Japão/Coreia do Sul.

Oito anos depois, a história se repete. Apos terminar de modo melancólico a primeira fase, com um empate com o Canadá e derrotas para Jamaica e Honduras, o México entra no hexagonal final novamente claudicante. Na estreia, não é páreo para os rivais dos Estados Unidos. Até vence contra a Costa Rica, mas novo revés para Honduras coloca um ponto final na passagem atribulada de Sven-Goran Eriksson pelo comando mexicano.

Nessa época, Aguirre ainda curtia as dores da demissão do Atlético de Madrid, em fevereiro. E então, as duas partes que já haviam sido felizes em 2001 reencontraram-se, para tentar reeditar a reação novamente necessária. O início não foi bom, já que a crise foi aprofundada com derrota para El Salvador, por 2 a 1. Mas havia uma Copa Ouro no meio do caminho – para a qual o time chegou após superar, a duras penas, Trinidad e Tobago.

Aguirre chegou ao torneio continental já conseguindo impor de modo mais concreto sua filosofia, que exigia comprometimento com a seleção por parte dos jogadores. Mais: ao mesmo tempo em que não virou as costas para a geração atual, de Ochoa, Giovani dos Santos, Vela e Nery Castillo, conseguiu ser o primeiro técnico a ter êxito na reintrodução do velho de guerra Cuauhtemoc Blanco aos titulares de uma seleção mexicana – algo que Hugo Sanchez e Eriksson tentaram, sem sucesso.

O resultado? Uma campanha vibrante, encerrada com um ótimo 5 a 0 na final, contra uma seleção americana empolgada pelo vice na Copa das Confederações. Melhor: a descoberta da ótima fase que vivia (e vive) Miguel Sabah, goleador no Morelia. Começava a recuperação tão sonhada pelos mexicanos nas Eliminatórias.

E a esperança era essa, uma vez que os próximos três rivais de então também são adversários na briga pelas três vagas que levam ao Mundial da África do Sul, sem contar a quarta vaga, para a repescagem contra o quinto colocado sul-americano. Aí se viu, de modo mais forte, como Aguirre conseguiu, novamente, unir time (e a sempre febril torcida) em torno da reação. Os Estados Unidos foram os primeiros a sentir isso: saíram na frente, no Azteca, em agosto, mas não demorou muito para que Israel Castro empatasse, em ótimo chute. E o Azteca não parou de vibrar até a explosão definitiva, com o gol de Sabah que virou o jogo.

E agora, vieram os duelos contra costarriquenhos e hondurenhos. Contra os Ticos, em plena San Jose, um 3 a 0 absolutamente categórico. E, no Azteca, enfrentando os Catrachos, Blanco retribuiu a confiança de Aguirre, ao converter o pênalti que resultou na vitória dos donos da casa, por 1 a 0.

Tais vitórias fazem com que o México chegue bem motivado para as duas partidas finais. Desafios mais fáceis, contra El Salvador (ainda com remotas esperanças) e Trinidad e Tobago, já eliminada. Os Estados Unidos, por sua vez, vão apagando os resquícios de surpresas que pudessem pegá-los, já que duas vitórias contra salvadorenhos e trinitários devolveram a primeira posição do hexagonal aos comandados de Bob Bradley.

Honduras, por sua vez, ainda mantém certa margem de segurança – a derrota para os mexicanos já era compensada pela goleada de 4 a 1 sobre Trinidad e Tobago. Porém, a Costa Rica caiu na hora em que não podia cair. De líder inconteste, o time de Rodrigo Kenton baixou direto à quarta posição, com as derrotas para México e (surpresa!) El Salvador. É o caso de se mirar no exemplo de reação que Javier Aguirre conduz.

Europa: falta pouco 

Faltava pouco para que Inglaterra e Espanha juntassem-se à Holanda como seleções europeias classificadas para 2010. E ambas não decepcionaram quem esperava a resolução das situações nesta rodada. Principalmente a Furia: com um brilhante 5 a 0 sobre a Bélgica e um correto 3 a 0 sobre a Estônia, a campeã europeia justificou sua posição de equipe considerada por muitos a melhor do mundo, classificando-se com absoluta justiça. Mesmo caso do English Team, que, aliás, teve a sorte de contar “só” com a atuação brilhante para levá-lo à Copa. Claro, os 5 a 1 sobre a Croácia.

Assim como falta pouco para certas seleções. A Eslováquia só ficou com a comemoração ainda proibida pelo fato da Eslovênia ter feito 3 a 0 na Polônia, já que os comandados de Vladimir Weiss cumpriram o que lhes cabia e despacharam a Irlanda do Norte – que, por sua vez, disputa a vaga na repescagem com os eslovenos. Sem contar a Sérvia, que teve tudo para garantir a vaga contra a França, ao fazer 1 a 0, mas viu Thierry Henry, novamente, salvar a pele dos Bleus, que ainda sonham em não precisar da repescagem.

E como falta pouco para acompanhar o fim da disputa eletrizante no grupo 1, em que a Hungria cai quando não poderia, ao passo que Suécia e Portugal, que pareciam cartas fora do baralho, veem suas chances renascerem – tudo isso, enquanto a Dinamarca caminha em águas tranquilas. Ou no grupo 2, em que a Suíça lidera com uma margem de segurança, mas vê a proximidade de uma briga ferrenha entre Grécia, Letônia e Israel pela vice-liderança. Ou no 4, em que Alemanha e Rússia cumpriram suas tarefas e têm de se preparar, agora, para a imperdível disputa em Moscou. Enfim, falta pouco para tudo isso ser definido.

 América do Sul: até onde vai a agonia argentina?

Na disputa dos dois gigantes sul-americanos para ver quem sairia do Gigante de Arroyito, em Rosário, com mais força, o Brasil saiu vencedor – e classificado para a Copa. Restou à Argentina tentar superar o Paraguai, no Defensores del Chaco, para minorar seu sofrimento. Deu errado, e a Albirroja foi quem pôde comemorar a ida garantida ao Mundial.

Sinal de que a Alviceleste terá de esperar até 2014? Não. Seria tragédia demasiada imaginar isso agora, ainda com duas partidas. Mas é lícito imaginar, cada vez mais, que o time de Maradona enfrentará a mesma dificuldade vista em 1985, quando só conseguiu a vaga para o Mundial em que seria bicampeã, dali a um ano, com um empate em 2 a 2 com o Peru – e tendo de reverter vantagem peruana de 2 a 0. Em pleno Monumental de Núñez. O mesmo Peru que pode desafogar a situação dos argentinos, na próxima rodada.

Isso, tendo-se em conta a boa briga pelas três vagas restantes, já que Equador e Uruguai, dois oponentes diretos, enfrentam-se. A Colômbia, embora baqueada pela derrota contra a Celeste Olímpica, procurará tirar pontos do Chile, que só precisa de uma vitória para unir-se a Brasil e Paraguai como classificado. E quem sabe a Venezuela possa, também, sonhar com uma surpresa contra o Paraguai, que a manteria mais viva do que nunca na luta para deixar de ser a única nação sul-americana sem presença em Copas.

A agonia é argentina. Mas também pode ser chilena, colombiana, uruguaia, equatoriana e até venezuelana.

África: agora sim, os favoritos mostram as caras

Lembra-se do sonho de Burkina Faso, protagonizado por Moumouni Dagano, ainda artilheiro das Eliminatórias continentais? Pois é, está por um fio. Tudo graças ao poder da Costa do Marfim, que aplicou impiedosos 5 a 0 e ficou a um passo da vaga para sua segunda Copa do Mundo consecutiva – e apontada como a melhor seleção africana da atualidade.

Se bem que os Elefantes de Vahid Halilhodzic ainda terão de esperar até outubro, quando enfrentam Malauí. Coisa que Gana não precisa mais fazer. A campanha perfeita no grupo D (quatro jogos, quatro vitórias, doze gols marcados e nenhum sofrido) foi coroada com a vitória em casa sobre o Sudão, que deu a vaga no Mundial. Nada mais merecido, para outra equipe africana forte, que espera melhor sorte do que em 2006.

E mesmo um favorito que andava diminuído começou a aparecer. Nada foi melhor para Camarões do que as duas partidas contra Gabão. Contando com a aparição sempre útil de Eto'o, os Leões Indomáveis saltaram da lanterna para a primeira posição do grupo, com as duas vitórias. A equipe de Paul Le Guen ganhou, finalmente, o estímulo que faltava para manter a atenção contra Togo e Marrocos, para voltar ao Mundial.

Fica faltando o Egito, ainda na vice-liderança do grupo C, que não pode perder pontos contra Zâmbia e Argélia – esta, comandada por Karim Ziani em campo, com possibilidades reais de retornar a uma Copa, após 23 anos, finalmente continuando os feitos da geração capitaneada por Rabah Madjer e Lakhdar Belloumi. E, no grupo B, Tunísia e Nigéria definirão quem é o “favorito” que dará as cartas.

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Equipe Trivela

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