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Elencos com média de 24,2 jogadores. Dentre eles, 5,2 têm 21 anos ou menos. 8,1 têm 1,85m ou mais. 5,7 são formados no próprio clube. E, finalmente, 8,2 vêm de outro país – sendo que, neste percentual, 1,1 são brasileiros. Nenhum clube europeu têm estes números exatos, até por eles serem racionais. No entanto, estes são alguns dados a que chegou a pesquisa feita pela PFPO (em português, Observatório dos Jogadores Profissionais de Futebol).
Criada em 2005, por Raffaele Poli e Loïc Ravenel, o observatório reúne pesquisadores do Centro Internacional para Estudos do Esporte e do Instituto de Ciências Esportivas da Universidade de Lausanne, na Suíça, entre outros centros acadêmicos. E, em 2009, a entidade começou a fazer uma pesquisa demográfica sobre os atletas que atuavam na Europa. De início, ela considerava apenas as cinco grandes ligas do continente. Mas foi ampliando o seu alcance, e agora compila os dados de 36 campeonatos nacionais europeus.
O estudo tratou com especial atenção o número de jogadores estrangeiros. E a conclusão a que se chegou é a de que a maioria das nações do Velho Continente teve maior porcentagem de transferências envolvendo-os, em relação a 2009. A subida alcançou cerca de 35{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f}. E, vendo-se regiões que são constantes fornecedoras de jogadores, os latinoamericanos têm maior presença em relação aos africanos: somente em ligas de pequeno porte estes estão em maior frequência, com 11,6{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f}.
Mas esse crescimento de expatriações na Europa se verifica mais em ligas médias (caso de Grécia, Turquia, Ucrânia e Portugal) e pequenas, como as da Escandinávia e do Leste Europeu. No caso de campeonatos mais famosos, o aumento da chegada dos nascidos em outro país só se vê em Espanha, Itália e Portugal. Em Inglaterra, Holanda e Bélgica, a presença forasteira manteve-se igual. E até diminuiu, no caso de França e Alemanha.
E apenas cinco nações têm mais da metade de seus jogadores nascidos em outro país. A maior porcentagem não fica a cargo de Bélgica (50,9{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f}). Nem de Portugal (56,4{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f}). Nem da Inglaterra (a segunda, com 58,4{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f}). Mas pertence a um minúsculo campeonato – o do Chipre, que conta com nada menos do que 72,3 por cento de estrangeiros, o que representa 240 atletas. Destes, 35 vêm de Portugal, a nação que mais cedeu ao futebol cipriota (cerca de 14,6{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f} do total). Mas são seguidos de perto por um país cujos jogadores são bastante cobiçados pela Europa: o Brasil.
Os dados provam isso à farta. Das 36 ligas observadas pelo estudo, 23 têm o Brasil como um dos três maiores fornecedores de jogadores. O país ainda tem o maior número de futebolistas espalhados pela Europa: são 577 jogando continente afora. E, de quebra, o número de brasileiros no futebol europeu foi o que mais cresceu em relação a 2009. No ano retrasado, eram 493 brasileiros; em 2010, foram 569 (descontando-se os oito em Belarus). Não impressiona, portanto, a média de 1,1 brasileiro por time europeu.
E salta aos olhos a quantidade de jogadores do país no Campeonato Português. Dos 230 não-lusos disputando a Liga ZON Sagres, 141 são brasileiros. 61,3 por cento, muito à frente da França, segundo país com mais jogadores em Portugal (14). Tendo-se em vista o contingente brasileiro na Europa, 24,4 por cento. Mas, mesmo desconsiderando-se o número, a média de brasileiros por time continua alta: 0,91.
Os finalistas da última Copa do Mundo também têm presença destacada nos times europeus: a Espanha é a segunda maior fornecedora de jogadores, com 100 atletas, e a Holanda vem atrás, com 91. O feito mostra que, mesmo tendo um número muito menor de jogadores em relação ao Brasil, as duas nações mostram um trabalho elogiável nas categorias de base.
Mas o estudo não avaliou somente as transferências estrangeiras. E as outras avaliações revelam que alguns fatos considerados apenas como “estereótipos” pelo senso comum são próximos da verdade. Por exemplo: o elenco da Internazionale é considerado velho, com muitos jogadores acima dos 30 anos, como Lúcio, Samuel e Stankovic (32 anos), Iván Córdoba (34 anos), Marco Materazzi e Javier Zanetti (37 anos) – sem contar gente que começa a passar desta faixa etária, como Júlio César e Cambiasso. E a “velhice” é comprovada pela conclusão da pesquisa: a atual campeã europeia tem o elenco mais idoso da Europa, com média de idade de 29,61 anos.
Ou, então, quando se toma por exemplo a regularidade do elenco do Manchester United, com o time titular tendo um entrosamento devido aos anos em que os jogadores atuam lado a lado. Novamente, fato comprovado: os atletas dos Red Devils são, em média, os que mais tempo permanecem no clube. Em média, são cerca de 5,7 temporadas na equipe inglesa. Nota-se, pelo time titular. Afinal, todos os 11 jogadores da equipe-base do United estão no clube há, pelo menos, três temporadas.
O Barcelona, por sua vez, também é conhecido pela baixa estatura de seus destaques: Messi, Villa, Iniesta. Novamente, o estudo dá subsídios a quem concorda com isso: O time é o mais baixo europeu, em estatura, com média de 1,77m.
Enfim, com todos os dados, o estudo da PFPO revela uma coisa: talvez, os estereótipos não devam ser tão rechaçados e olhados com preconceito. Se a ciência começa a sustentá-los, dá para começar a achar que o senso comum não está tão longe da verdade.