A beleza de um jogo de futebol
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Já ouvi várias belas histórias sobre futebol e já vivi uma muito interessante também. Uma das que ouvi foi que Pelé já parou uma guerra na Nigéria, as pessoas ficaram em paz para ver Pelé jogar e esqueceram sentimentos como ódio, tristeza, raiva por pelo menos naqueles deliciosos 90 minutos. Outra história interessante foi que alguns guardas de uma prisão pararam no meio do trabalho para assistir um jogo de Copa do Mundo, 1966, em meio a distração da partida os presos fugiram e eles nem sequer deram conta da fuga.
Tenho um professor de geografia que diz que o futebol é como o pão e circo (aconteceu na época do grande império romano, onde o governo promovia lutas entre gladiadores e dava o pão de graça ao povo no meio do espetáculo, simplesmente para esquecerem dos abusos que sofriam do governo), mas se formos ver friamente ele tem uma certa razão,as pessoas esquecem seus problemas naqueles 90 minutos para torcer pelo seu time ou simplesmente apreciar o jogo, mas qual problema nisso? O Brasil está errado em vários pontos e devemos nos manifestar contra isso, mas podemos esquecer um pouco aquilo que nos machuca e absorver aquilo que nos faz bem.
Um exemplo recente que posso contar a você, caro leitor, foi o jogo entre Brasil e Haiti, sendo que o Haiti vive em guerra civil (se o Brasil continuar nessa onda de violência, em breve se encaixará no exemplo do Haiti) e as pessoas colocaram de lado seus problemas para ver o jogo de futebol.
As Olimpíadas tem o mesmo intuito de promover a paz, mas nem todos os esportes juntos têm o mesmo impacto mundial do que o futebol.
Minha história começa em uma sexta à noite, dois dias antes do jogo entre São Paulo e Liverpool, decisão do mundial interclubes de 2005, meu avô é são-paulino fanático daqueles que não perde um só jogo, mas nessa noite ele passou muito mal e teve de ser internado, passou a noite de sexta e só iria poder voltar para casa no dia 24 de dezembro.
Ele iria perder o jogo da final do Mundial de Clubes porque não tinha TV onde ele estava internado, então lhe dei um rádio de pilhas para acompanhar a final.
Meu tio e minha mãe revezavam para fazer companhia a ele, no domingo meu tio ficaria com ele, mas eu pedi para ficar com meu avô pelo menos no segundo tempo (não tinha certeza do que iria encontrar, apenas sabia que encontraria muita tristeza), quando cheguei lá no início do segundo tempo (1 x 0 para o São Paulo naquele momento), meu avô estava com o radinho de pilha na mão sentado na cama e ao lado dele tinha várias outras camas com pessoas conversando sobre o jogo, nem parecia um hospital.
Quando o jogo acabou com a vitória do São Paulo, muitas pessoas estavam comemorando. Inclusive um rapaz que estava com um soro se levantou e saiu gritando pelos corredores de alegria e por um minuto esqueceu seu problema, pode sorrir independente do lugar ou do momento em que estava e toda a tristeza foi colocada de lado para a vinda do mais novo sentimento: futebol.