Portugal

Si, se puede, o pá!

Portugal não teve muita sorte no sorteio dos grupos da Eurocopa do ano que vem. Relegada ao pote 3, pelo fato de Ucrânia e Polônia (donos da casa) ocuparem duas vagas no pote 1, dos cabeças de chave, os tugas não escaparam de Alemanha e Holanda, e ainda terão pela frente a Dinamarca, uma espécie de “asa negra” recente, que obrigou os lusos, tanto nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010 como para esta Euro, a dependerem da repescagem para chegar às respectivas competições. Naturalmente, o primeiro pensamento é de que os alemães são os grandes favoritos, por hoje apresentarem o melhor futebol do mundo. Também se analisa que os dinamarqueses, até pela ausência de jogadores de referência e por seu grande candidato a astro não ter nem 20 anos, são candidatos ao último lugar. Sendo assim, o grande “rival” português nessa primeira fase desponta como sendo a Holanda.

E aí vem a pergunta: estaria Portugal em condições de brigar, de igual para igual, pela classificação às quartas de final com a atual vice-campeã do mundo? O assunto inclusive rendeu uma extensa discussão no blog da Redação da Trivela, em um post do amigo Pedro Venancio. Na visão desde colunista, porém, a resposta a essa questão é: sim, Portugal tem condições de disputar essa teórica segunda vaga com os holandeses. Não significa dizer que os tugas são superiores – pelo contrário, a Oranje, em que pese as atuações abaixo das expectativas diante de Suíça e Alemanha e mesmo tendo em vista a crescente rubro-verde posterior a chegada de Paulo Bento, ainda possui um time mais completo que o luso. Contudo, a diferença entre ambos, na visão deste escriba, está longe de ser gritante, e em alguns pontos (externos e mesmo internos) Portugal tem até alguma vantagem.

Caso, por exemplo, do confronto direto entre as duas seleções. Apesar de predominar o equilíbrio em campo (o placar mais dilatado até hoje foram dois 2 a 0), os portugueses têm os holandeses como fregueses históricos. Foram 10 jogos, com seis vitórias lusas, três empates e apenas um triunfo da Oranje: 70% de aproveitamento nos duelos, portanto. Em momentos decisivos, a vantagem também é de Portugal. Na Euro 2004, empurrada pela torcida, a seleção das Quinas passou pela Holanda nas semifinais (vitória por 2 a 1) e seguiu até a decisão contra os gregos. Já na Copa do Mundo de 2006, em partida marcada como a mais tensa daquele Mundial, Portugal voltou a superar os holandeses: 1 a 0 e classificação para as quartas de final. Aos mais supersticiosos, um background promissor aos rubro-verdes.

Em campo, naturalmente, os holandeses estão a frente. Vantagem, porém, evidente apenas quando se tira uma “média” da avaliação dos três setores do campo. Atrás, por exemplo, Portugal consegue pender a balança a seu favor. Se por um lado Bruno Alves e Rolando ainda não passam total confiança e João Pereira prima mais pelo esforço do que exatamente por qualidade técnica – o jogador é claramente uma das apostas de Paulo Bento – e ainda aperfeiçoa sua capacidade de defender e atacar, por outro Portugal possui um dos melhores laterais esquerdos do mundo (Fábio Coentrão) e um zagueiro que além de viver grande fase com a camisa da seleção, é bem superior a seus semelhantes holandeses (John Heitinga ou Joris Mathijsen). Estivesse ainda Ricardo Carvalho no grupo, muito provavelmente Portugal teria até uma das linhas defensivas mais confiáveis do continente.

No ataque, o pêndulo equilibra, mas pode-se dizer que ainda pende levemente favorável aos tugas. Olhando os números, observa-se que a Holanda fez 37 gols em seus 10 jogos nas eliminatórias. Porém, 16 desses tentos saíram nos dois jogos contra o saco de pancadas geral San Marino, que levou 56 ao longo do qualificatório. Desconsiderando o inexpressivo rival, os números holandeses seriam de 21 gols em 8 jogos – os mesmos, curiosamente, que de Portugal. Em campo, em que pese a seleção das Quinas não possuir um centroavante goleador (apesar do esforço de Hélder Postiga) e de a Holanda contar com um iluminado Robin Van Persie, a presença de Cristiano Ronaldo e Nani, não só pela qualidade, mas pela ótima fase com a camisa lusa, é decisiva. Arjen Robben? É excepcional, mas como pontuou o amigo Felipe dos Santos Souza, “joga uma partida, fica fora de outras três”.

Olhando o meio-campo, porém, é quando se observa que o pêndulo toma o caminho dos Países Baixos. Portugal possui bons homens no setor, como Miguel Veloso, Raul Meireles e João Moutinho, que é “o cara” da ligação. Porém, o elemento decisivo aí é Wesley Sneijder. O craque holandês pode não repetir o excelente 2010, mas é um fora de série – aliás, o único realmente assim na Oranje – e é exatamente aí, tendo em vista o equilíbrio nos demais setores (ainda que, pelo conjunto de defesa e ataque se possa dar alguma vantagem a Portugal), que a Holanda faz a diferença. João Moutinho e mesmo Ruben Micael têm qualidade, mas estão muitos degraus abaixo do meia da Internazionale. O que leva a entender que muito do desequilíbrio que poderá ocorrer favorável aos tugas nesse confronto direto passa pela maneira como Sneijder será marcado.

Independente de tudo, há outro fator que não pode ser ignorado. Por um lado, Portugal vive um momento de enorme autoconfiança, dinamizado principalmente pelo que têm mostrado Ronaldo com a camisa rubro-verde. Por outro, a seleção das Quinas terá pela frente três trabalhos que já estão sob um caminhar mais consistente (inclusive o dinamarquês). Joachim Low e Bert van Marwijk já estiveram inclusive em Copas do Mundo. Paulo Bento, por sua vez, assumiu há pouco mais de um ano, com a missão de reformular toda uma filosofia de jogo e pensamento, e ainda carece de algo que poderá aproveitar bastante nesta Euro: rodagem em grandes competições. Qualquer que seja o resultado final, a difícil chave na qual Portugal foi sorteada não é de todo ruim. Afinal, possibilitará ao elenco e ao próprio Paulo Bento ter uma noção de que pretensões podem realmente para 2014 e daí em diante.

Não foi mais do mesmo

O resultado não diferiu muito do que vinha ocorrendo ao longo dos últimos derbis – deu Benfica contra o Sporting. No entanto, a imagem que fica do pós-jogo é de que, de um lado, há uma Águia cada vez mais confiante (e hoje principal candidata ao título nacional), e de outro, há um Leão abatido no clássico, mas que deixou o Estádio da Luz com a certeza de que tem condições de retornar a briga por títulos. Se não foi vista uma partida das mais plásticas, observou-se um jogo animado, com boas oportunidades em ambos os lados – duas bolas na trave de Nico Gaitán e três gols incríveis perdidos por Elias – uma expulsão de Óscar Cardozo passível de questionamentos e um pênalti não marcado também muito duvidoso de Jardel em Oguchi Onyewu. Uma agitação que há muito não era vista no principal duelo de Lisboa.

Jorge Jesus e Domingos Paciência foram ao jogo com algumas novidades. No Benfica, Jardel rendeu Miguel Vitor para a vaga do lesionado Luisão, enquanto Cardozo retornou a posição central do ataque no lugar de Rodrigo – Jesus tem feito um revezamento entre os avantes. Já no Sporting, houve uma preocupação maior com a marcação e uma inesperada opção por Daniel Carriço a volante, na vaga de André Santos. Opção, aliás, que não se mostrou acertada, já que o zagueiro, sem o cacoete da posição, mostrou dificuldades em acompanhar Pablo Aimar, principal armador das Águias. Ainda assim, foram os Leões que tiveram mais iniciativa nos primeiros minutos, ganhando inicialmente o meio-campo graças a dupla Elias e Stijn Schaars, que tramava as principais jogadas.

Aos poucos, comandados por Javi Garcia, os Encarnados retomaram o controle do meio e equilibraram as ações. O espanhol, aliás, esteve em noite inspirada. Além da fazer o gol da vitória, após escanteio de Aimar, restando três minutos para o término do jogo, foi um leão (sem trocadilho com a alcunha sportinguista) na marcação, principalmente quando Cardozo levou o vermelho e o Sporting reforçou o ataque, a ponto de Schaars ter sido improvisado na lateral esquerda. Brilhou mais uma vez a estrela de Artur Moraes, que fez pelo menos duas grandes defesas em lances com Elias. Os alviverdes, por sua vez, davam espaços e permitiam que, mesmo com um a menos, o Benfica também se aproximasse com perigo, obrigando Rui Patrício a também trabalhar bem. Há de destacar, ainda, a boa atuação de um jogador que parecia fadado a perder espaço de vez no time de Alvalade: Anderson Polga.

Escusas

O escriba pede desculpas pela demora em publicação desta coluna, ocorrida em razão de compromissos profissionais e motivos de saúde. Nesta quinta-feira, a coluna já será publicada novamente.

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Equipe Trivela

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