Resumo da temporada (I)
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Nesta e nas próximas duas colunas, será feito o balanço do Campeonato Português, temporada 2009/10. Cada texto falará de cinco times (o último tratará de seis), retomando o destaque de cada equipe, o artilheiro, os melhores e piores momentos, e contendo uma nota para o desempenho das agremiações. O balanço será feito em ordem alfabética, e nessa primeira edição, estarão os dois rebaixados e os dois times que estarão na próxima Liga dos Campeões, dentre eles o campeão Benfica. Confira!
Acadêmica (11º lugar, 33 pontos)
Técnico: Rogério Gonçalves e André Villas-Boas
Competição europeia: não participou
Taça de Portugal: eliminado na segunda fase
Taça da Liga: eliminado nas semifinais
Destaque: Sougou (atacante)
Artilheiro: Sougou (10 gols)
Melhor momento: Sporting 1 x 2 Acadêmica (18ª rodada)
Pior momento: Acadêmica 2 x 4 Marítimo (7ª rodada)
Bônus: nenhum
Nota da temporada: 5
A Acadêmica não é exatamente uma equipe pequena em Portugal. Foi a primeira campeã da Taça de Portugal como hoje esta é conhecida, e conta com um contingente até razoável de torcedores. O elenco, porém, não fornece lá muita confiança desde a última temporada, mas as limitações acabaram esquecidas pela bela campanha do 7º lugar de 2008/09, muito pelo ótimo trabalho de Domingos Paciência na equipe. A dura realidade, porém, foi exposta já no começo da época recém-encerrada, com a primeira vitória aparecendo somente em novembro, pouco após a chegada do jovem e competente André Villas-Boas. Foi quando as coisas começaram a mudar em Coimbra.
Os novos ares levaram uma equipe tida como favoritíssima ao rebaixamento a passar boa parte do campeonato em posições intermediárias, sem maiores riscos. Em nível nacional, a AAC surpreenderia, ainda, ao alcançar as semifinais da Taça da Liga, onde perdeu para o Porto com um gol sofrido no finalzinho da partida. A campanha irregular dos candidatos à Liga Europa até permitiu aos Estudantes sonharem em ir além do feito da temporada anterior, mas a queda de produção na reta final, que até chegou a assustar a torcida com a possibilidade matemática de queda, mudou novamente o foco de Villas-Boas e seus comandados. Sorte dos alvinegros que já se havia obtido gordura suficiente.
Belenenses (15° lugar – rebaixado, 23 pontos)
Técnico: João Carlos Pereira e Antônio Conceição
Competição europeia: Nenhuma
Taça de Portugal: eliminado nas oitavas de final
Taça da Liga: eliminado na primeira fase de grupos
Destaque: Lima (atacante)
Artilheiro: Lima (7 gols)
Melhor momento: Olhanense 1 x 3 Belenenses (23ª rodada)
Pior momento: Belenenses 0 x 4 Sporting (22ª rodada)
Bônus: nenhum
Nota da temporada: 3
Poucos times tiveram tantas chances de dar a volta por cima e se reestruturar como o Belenenses. Nos quatro campeonatos que antecederam o recém-findado, foram dois rebaixamentos, salvos “no tapetão”. E como se sabe, na terceira chance de jogar a elite, mesmo após matematicamente ter descido, os azuis voltaram a fracassar, tendo passado quase que o torneio inteiro na zona de perigo. Errou-se em contratações e empréstimos trazidos à equipe e ignoraram-se jogadores jovens revelados no próprio time, que foram importantes nas rodadas finais da temporada passada, quando quase salvaram os lisboetas do descenso matemático.
E dessa vez, o clube do Restelo sofreu não apenas pela desorganização, mas pela piora substancial de sua situação financeira, sem saber inclusive se terá recursos para disputar a segundona na próxima época – indicando que, mesmo com as possibilidades da Naval ter problemas para disputar o próximo campeonato, dificilmente o Belenenses será beneficiado com uma eventual vaga extra. Com jogadores e torcedores desmotivados, que, como na última época, já iam abandonando a equipe à medida que os fracassos iam se sucedendo, o caminho de volta para a primeira divisão, caso realmente dispute a Liga de Honra, será dos mais difíceis.
Benfica (campeão, 76 pontos)
Técnico: Jorge Jesus
Competição europeia: eliminado nas quartas de final da Liga Europa
Taça de Portugal: eliminado na segunda fase
Taça da Liga: campeão
Destaque: Ángel Di Maria (meio-campista)
Artilheiro: Oscar Cardozo (26 gols)
Melhor momento: Benfica 8 x 1 Vitória de Setúbal (3ª rodada)
Pior momento: Braga 2 x 0 Benfica (9ª rodada)
Bônus: vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões
Nota da temporada: 9
Avassalador. Esse foi o Benfica na temporada 2009/10. Há tempos Portugal não tinha um campeão tão convincente como foi o time vermelho ao longo dos últimos meses. Melhor ataque disparado, com 78 gols marcados; melhor defesa, com somente 20 tentos sofridos; artilheiro do campeonato (Cardozo); líder das assistências; melhor média de público, etc. Os números só não estiveram benéficos aos Encarnados até a 20ª rodada, quando, com a ajuda do Porto, que atropelou o Braga, as Águias tomaram a liderança dos bracarenses, para nunca mais a deixar. E os resultados não surgiram por mero acaso. O futebol apresentado fez com que torcedores relembrassem de esquadrões antigos e vitoriosos.
Acostumado a gastar mal, o Benfica foi cirúrgico. As chegadas de Ramires, Javi Garcia e Saviola foram essenciais. Além disso, muito do mérito da campanha vitoriosa se deve a Jorge Jesus, que devolveu, a elenco e torcida, o ímpeto pela vitória, que andava em baixa na Luz desde o último título, em 2004/05. Jesus também deu liberdade para Di Maria jogar, e o argentino apresentou seu melhor futebol. Sem esquecer o paraguaio Tacuara Cardozo, mais letal e decisivo que nunca. Na Europa, o Benfica voltou a se colocar como favorito em uma competição internacional, ainda que tenha parado no irregular Liverpool. Faltou “só” ir mais longe na Taça nacional. Como se realmente importasse…
Braga (vice-campeão, 71 pontos)
Técnico: Domingos Paciência
Competição europeia: eliminado na terceira fase preliminar da Liga Europa
Taça de Portugal: eliminado nas quartas de final
Taça da Liga: eliminado na segunda fase de grupos
Destaque: Alan (atacante)
Artilheiro: Meyong (12 gols)
Melhor momento: Braga 2 x 0 Benfica (9ª rodada)
Pior momento: Porto 5 x 1 Braga (20ª rodada)
Bônus: classificado para a terceira fase classificatória da Liga dos Campeões
Nota da temporada: 9
“Mas o Braga merece a mesma nota do Benfica?”. Sim, merece. Vejamos: com um orçamento muitíssimo menor que o de Porto e Sporting, deixou os rivais para trás desde a primeira rodada e brigou até a última rodada pelo título contra o principal time do país; sua pior colocação ao longo do campeonato foi o segundo lugar; fez a melhor campanha de sua história e desbancou dois dos três grandes na luta por uma vaga na Liga dos Campeões. Por mais que o clube tenha sido líder em 19 das 30 rodadas da competição e, mesmo assim, visto o título ir para o Benfica, os bracarenses só têm motivos para comemorar o brilhante resultado da temporada.
Se o futebol apresentado em campo não foi dos mais atraentes, certamente sobrou em aplicação. Em um time experiente em solo lusitano, destacaram-se o bem organizado meio-de-campo, com um recuperado Hugo Viana, um competente Vandinho, um surpreendente Mossoró, um ótimo Alan e uma zaga extremamente regular formada por Alberto Rodriguez e Moisés. Além disso, Domingos Paciência se firmou como o mais forte nome da nova geração de técnicos portugueses. Faltou, como se sabe, uma maior eficiência na hora de botar a bola na rede. Resta saber se o Braga terá força para manter a base, visando aquela que tende a ser a mais importante temporada de sua história.
Leixões (16º lugar – rebaixado, 21 pontos)
Técnico: Castro Santos
Competição europeia: nenhuma
Taça de Portugal: eliminado na segunda fase
Taça da Liga: eliminado na segunda fase de grupos
Destaque: Diego (goleiro)
Artilheiros: Pouga e Hugo Morais (7 gols)
Melhor momento: Belenenses 1 x 3 Leixões (16ª rodada)
Pior momento: Benfica 5 x 0 Leixões (6ª rodada)
Bônus: nenhum
Nota da temporada: 3
O Leixões, na temporada passada, foi o perfeito cavalo paraguaio. Surpreendeu, ao ocupar a liderança do campeonato em certos momentos, caiu de produção quando todos davam certa sua participação, ao menos, na Liga Europa, e encerrou a época longe de qualquer torneio internacional. O efeito do verão de 2009, quando o clube de Matosinhos iniciou a queda, teve ação prolongada para a temporada 2009/10, com requintes de crueldade na reta final da competição, quando o time conseguiu a “proeza” de ser ultrapassado pelo Belenenses. Uma lanterna vermelha merecida, de um time que em nenhum momento deu impressão que poderia sonhar com algo melhor que a permanência.
Em que pese o esforço de jogadores como o goleiro Diego (ex-Atlético-PR e Fluminense) e dos atacantes Zé Manel e Pouga, além do jovem Tiago Cintra, uma rara revelação do Leixões, o conjunto como um todo era excessivamente fraco. Não havia alguém que soubesse fazer a ligação da defesa com o ataque, e nos jogos contra os grandes, era impressionante como, desde os primeiros segundos, os atletas de Matosinhos elencavam os onze atrás da linha do meio-campo. Tal como o Belenenses, não será fácil para o último colocado da última Liga Sagres garantir o retorno à elite. Especialmente pelo que se viu nessa temporada.