Professor Pardal
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O amistoso entre Portugal e Finlândia disputado na última quarta-feira (11 de fevereiro) pouco serviu para animar a torcida lusa com relação ao desempenho de seu escrete. Manchete do jornal Record dava conta dessa desconfiança: “Tempo de vacas magras – Seleção faz 24 remates mas só resolve de pênalti… falso”. De fato, o árbitro do encontro foi muito camarada para interpretar como infração o lance disputado por Danny. E, mais uma vez, o time sentiu falta de um goleador que pudesse definir as coisas com mais eficiência. O gol de pênalti anotado por Cristiano Ronaldo serviu apenas como consolo diante de uma Finlândia que quase não ameaçou a defesa lusa.
O técnico Carlos Queiroz provocou a estréia, logo no time titular, do goleiro Eduardo (Braga) e do zagueiro Rolando (Porto). Orlando Sá (atacante do Braga) entrou no segundo tempo e também se estreou com a camisa de Portugal. Além dessas caras novas, o treinador surpreendeu colocando o meia Duda (Sevilha) na lateral-esquerda e o zagueiro Pepe (Real Madrid) no meio-de-campo, ao lado de Deco e Tiago. O resultado geral ficou muito aquém do desejado, já que o ataque continuou apresentando as deficiências de sempre.
Durante a “Era Felipão”, Portugal conheceu algumas renovações forçadas do elenco, mas a equipe não passava pelas dificuldades de hoje: amarga a quarta colocação no Grupo 1 das eliminatórias européias para a Copa de 2010, com apenas cinco pontos em quatro partidas. Assim, pode ser temerário proceder a tantas novidades numa travessia que está longe de avistar calmarias. Se a lateral-esquerda é uma carência do time, até se justifica improvisar o meia Duda, que se saiu bem e não decepcionou como Paulo ferreira. Mas qual o sentido de promover Pepe a meio-campista, tendo João Moutinho no elenco?
Equipe precisa marcar gols e vencer
A próxima partida de Portugal será no dia 28 de março, contra a Suécia, no Estádio do Dragão. Os Tugas estão proibidos de perder pontos, sob pena de dar adeus precocemente ao Mundial da África do Sul. Mas enfrentam um adversário que, em 14 confrontos, venceu seis vezes, empatou cinco e perdeu apenas três. Certo é que, contra a Suécia, Portugal não perde há seis jogos, desde 1986. Mas, nas últimas duas partidas, a seleção não marcou gol algum, e empatou a zero com a própria Suécia, em Estocolmo, e com a Albânia (!!!), em Braga.
A poderosa Albânia resolveu dar uma mãozinha para os portugueses e apenas empatou com Malta também no dia 11 de fevereiro. As contas do grupo são muito complicadas para o técnico Carlos Queiroz: a Dinamarca lidera o Grupo com sete pontos (três jogos), ao lado da Hungria (quatro jogos). A Albânia chegou a seis pontos (cinco partidas), e Portugal vem logo atrás, com cinco. A Suécia é uma grande ameaça, pois apenas disputou três jogos e também tem cinco pontos. E o pior para os Tugas: após o confronto com a Suécia, em casa, disputam três jogos seguidos e decisivos fora: contra Albânia, Dinamarca e Hungria.
O fantasma de Felipão
A demissão de Luiz Felipe Scolari do Chelsea, anunciada no dia 9 de fevereiro, não poderia deixar de repercutir em Portugal. O treinador brasileiro ainda é um fantasma para Queiroz, que não consegue dar prosseguimento aos bons resultados de Scolari. Certo é que o brasileiro, no início de seu trabalho, também colecionou resultados fracos em uma infinidade de amistosos (como era sede da Eurocopa-2004, Portugal não disputou jogos oficiais nas eliminatórias no início da “Era Felipão”). Só durante o Euro-2004 é que a equipe se acertou e entusiasmou os torcedores. Queiroz ainda está no seu estágio inicial – mas o risco de ficar de fora do Mundial é grande, algo que não ameaçou Scolari no início
Sondagem feita em Portugal pelo jornal Record após a demissão de Scolari mostrava que 51,2% dos participantes da enquête gostariam que o brasileiro voltasse à Seleção, contra 48,8% que se opunham à idéia. De todo modo, é praticamente impossível que Felipão reassuma Portugal, mesmo com a má fase atual da equipe. A saída do brasileiro,a partrir de um acerto anunciado durante a Eurocopa-2008, não foi bem digerida pelo presidente da federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl.
Em entrevista recente, o cartola confessou que se sentiu traído e apontou o acerto de Scolari com o Chelsea como motivo do fracasso dos Tugas na competição. Confrontado com a demissão do brasileiro, Madaíl disparou: “Não há fantasmas. Desejo o melhor a Scolari. Já deu o que tinha para dar à seleção. Scolari não cria fantasmas. Tem a vida dele, não sei por onde anda, e nós temos a nossa. Os ciclos normalmente não se repetem. Confiamos em Queiroz”.
Golo de Letra
Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.
Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.
(Trecho do poema “Contrariedades”, de Cesário Verde)