Portugal

Possível retorno de Mourinho ao Benfica teria coincidências e chance de terminar história inacabada

25 anos depois, parece que o "Special One" está perto de voltar ao clube onde iniciou sua trajetória vitoriosa

José Mourinho voltou a ser assunto em Portugal, principalmente após o clima no Benfica ficar ainda mais turbulento. Isso porque o gigante lusitano acabou sofrendo uma surpreendente derrota por 3 a 2 para o Qarabag, em pleno Estádio da Luz, na estreia da atual edição da Champions League.

A equipe abriu 2 a 0, mas cedeu a virada, aumentando a pressão sobre o técnico Bruno Lage, ex-Botafogo, que acabou encerrando sua segunda passagem pelo clube ao ser demitido. A queda de rendimento da equipe, somada à proximidade das eleições presidenciais, alimenta rumores sobre uma possível contratação de peso para o posto — e Mourinho voltou a entrar no radar.

25 anos depois, Benfica pode apostar em Mourinho

De acordo com o jornal inglês “BBC Sport”, o técnico português estaria interessado em assumir o comando do Benfica, 25 anos após sua curta primeira passagem, que durou apenas 11 jogos.

À época, Mourinho estava no início de sua carreira e deixou o clube em meio a divergências com a direção. Desde então, construiu uma trajetória vitoriosa, com títulos da Champions League por Porto e Inter de Milão, além de conquistas na Inglaterra, Espanha e Itália.

José Mourinho, técnico do Fenerbahçe (Foto: Imago)
José Mourinho, técnico do Fenerbahçe (Foto: Imago)

Com as eleições presidenciais se aproximando, os bastidores do clube fervem. O presidente Rui Costa evita comentar nomes de possíveis substitutos, mas a pressão cresce a cada tropeço.

João Noronha Lopes, principal rival de Rui Costa nas urnas, é apoiador de Ruben Amorim, muito pressionado no Manchester United, outro nome que aparece como opção. A decisão sobre o novo técnico deve ser tomada rapidamente, já que o Benfica terá três compromissos pela Primeira Liga entre os dias 20 e 26 de setembro.

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Possíveis reencontros de Mourinho na Champions

Caso seja confirmado como novo técnico, Mourinho enfrentaria um calendário de peso logo de cara na Champions League, com direito a reencontros marcantes. O Benfica visita o Chelsea no dia 30 de setembro, no que seria uma volta especial para o treinador que conquistou três títulos da Premier League com os Blues. No mês seguinte, encara o Newcastle no St. James’ Park, antes de enfrentar Bayer Leverkusen e Ajax.

A fase de liga da competição reserva ainda dois confrontos contra Napoli e Juventus, clubes que Mourinho conhece bem de sua passagem pela Serie A — na Inter, foi bicampeão italiano, e na Roma, venceu a Conference League.

O encerramento da fase trará outro duelo carregado de simbolismo: Benfica x Real Madrid, no Estádio da Luz, mais de 12 anos após Mourinho deixar o comando dos merengues.

Decisão iminente em Lisboa

O Benfica deve agir rápido para evitar que a crise se agrave. O revés para o Qarabag não só complicou a vida do time na Champions, como também gerou descontentamento entre torcedores e conselheiros.

A chegada de Mourinho representaria não apenas um impacto esportivo, mas também político, já que seu nome poderia influenciar o clima eleitoral no clube.

Para os benfiquistas, o retorno do “Special One” seria carregado de expectativa: Mourinho poderia ter a chance de escrever a história que deixou inacabada em sua primeira passagem pela Luz — agora com um elenco mais competitivo e a missão de reconquistar títulos domésticos e brilhar na Europa.

Como foi a passagem de Mourinho no Benfica

Na sua primeira passagem pela Luz, o então jovem treinador somou seis vitórias, três empates e duas derrotas — um saldo positivo para seu primeiro grande trabalho na carreira. Foram 17 gols marcados e nove sofridos, em 11 partidas. 

Antes de chegar ao Benfica, foi auxiliar no modesto Estrela da Amadora, olheiro no Ovarense e ganhou destaque em grandes clubes como tradutor de Sir Bobby Robson, primeiro no Sporting, depois no Porto e então no Barcelona. Nos dois últimos, também foi auxiliar técnico.

Mourinho chegou ao comando benfiquista em setembro de 2000 e tinha apenas 37 anos na época, justamente num contexto semelhante ao que o clube viva agora, com eleições presidenciais próximas. O gigante português foi, inclusive, seu primeiro clube como técnico profissional — a primeira experiência como treinador havia sido entre 1987 e 1990, na base do Vitória de Setúbal.

Polêmico desde aquela época, o treinador depois para a União de Leiria, para guiar os leirienses ao 5º lugar do campeonato, curiosamente à frente do Benfica. Sua saída, em dezembro de 2000, foi marcada por críticas ao novo presidente do clube, Manuel Vilarinho.

O português criticou jogadores por falta de empenho, teve um embate forte com Sabry, um jogador que acusou de mentir em entrevistas, e teve comentários que não foram bem recebidos pelo novo presidente quando deixou o clube.

“Fomos falar com Manuel Vilarinho e dissemos-lhe que gostaríamos de renovar contrato por mais um ano, tendo por base os últimos bons resultados e tudo o que se vinha passando. Uma renovação sem acrescentar um tostão a mais nos valores que existem. O presidente, legitimamente, não aceitou esta nossa forma de pressão (…). Assim, entendemos esta atitude como uma prova de pouca confiança”, disse Mourinho após a rescisão.

Vilarinho, no entanto, não reagiu bem e criticou o então jovem treinador — o acusando de ser egoísta e um “instrumento” usado pelo antigo presidente do Benfica.

“O senhor José Mourinho é vaidoso, não tem caráter e é chantagista (…). O senhor Mourinho é um instrumento do anterior presidente, o senhor Azevedo, que parece continuar em campanha eleitoral”, afirmou o executivo na ocasião.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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