Portugal

Os campeões de 2016 envelheceram, mas a convocação de Portugal para a Euro 2020 parece trazer um conjunto até melhor

Seleção das Quinas se beneficia com alguns jogadores em alta na Premier League, em especial Bruno Fernandes e Rúben Dias

Algumas das principais seleções da Eurocopa anunciaram suas convocações nesta semana. E, como campeã de 2016, a equipe de Portugal merece atenções especiais na tentativa de manter seu reinado. Fernando Santos continua à frente da Seleção das Quinas e Cristiano Ronaldo ainda é a estrela da companhia, mesmo que a idade bata. Mas, no conjunto, não seria exagero dizer que a versão 2020 dos lusitanos é melhor do que quatro anos atrás. Os tugas possuem um elenco mais recheado e com jovens que trazem boas perspectivas em médio prazo. Que a situação não conspire como em 2016, os portugueses possuem um status parecido no rol de favoritos.

Os medalhões de quatro anos atrás podem não atravessar um momento tão reluzente, mas seguem rendendo bem. A começar por Cristiano Ronaldo, que não faria uma Euro 2016 tão impecável assim, mesmo em fase esplendorosa na época com o Real Madrid. Que o rendimento com a Juventus não traga títulos, ele ainda é o artilheiro da Serie A e um craque para botar medo em qualquer zagueiro na Eurocopa. O mesmo dá para dizer de Pepe ou João Moutinho: se o melhor já passou, não é que percam a influência dentro do atual elenco dos lusitanos.

Mas o mais interessante que Portugal tem oferecer está em quem desponta. E, neste sentido, todos os setores estão muito bem servidos. Rúben Dias acabou de ser eleito pelos cronistas esportivos como o melhor jogador da Premier League, o que diz muito sobre seu impacto no Manchester City. Também tem peso João Cancelo no sucesso celeste. Bruno Fernandes, então, transformou o Manchester United. Terá a companhia de outros nomes em ascensão nestes últimos quatro anos, como Bernardo Silva e Rúben Neves. Já no ataque, Diogo Jota virou homem de decisão no Liverpool. André Silva vem na melhor fase da carreira, com a opção de João Félix, por mais que o garoto tenha perdido espaço no Atlético de Madrid.

Olhando setor por setor, Portugal já começa com bons goleiros. Rui Patrício é o titular por sua história, brilhante em 2016, mas também pela forma como se encaixou no Wolverhampton. Anthony Lopes e Rui Silva são essenciais aos seus clubes e bons reservas se precisarem entrar. No miolo de zaga, se Pepe segue dando um bom caldo no Porto, o auxílio de Rúben Dias pode ajudar o veterano de 38 anos. Ainda há José Fonte, que aos 37 anos é uma das razões do sucesso do Lille na Ligue 1 e pode erguer o troféu como capitão. Danilo Pereira pode quebrar um galho na posição se necessário.

As laterais de Portugal também se veem seguras. Raphaël Guerreiro é um dos remanescentes de 2016, mais maduro, e tem a sombra do garoto Nuno Mendes, revelação do Sporting que já foi convocado aos 18 anos. Do lado direito, João Cancelo é o titular com sua boa qualidade técnica, com a opção de Nélson Semedo na reserva. Cédric Soares e Mário Rui ainda eram alternativas que acabaram de fora – o primeiro, titular na Euro 2016 pelo lado direito.

Há boa rodagem na cabeça de área e diferentes estilos de jogo, entre imposição física e mais saída. Danilo Pereira e William Carvalho são mais combativos, mas sem grande sequência em seus clubes nesta temporada. Já Rúben Neves e João Moutinho, que viram o Wolverhampton cair de produção nos últimos meses, podem soltar mais o jogo. Outra peça que surge em evidência é Renato Sanches, sensação em 2016 que parecia não estourar e se recuperou no Lille, apesar das muitas lesões recentes. João Palhinha vem credenciado pela conquista com o Sporting, servindo de motor aos alviverdes, enquanto Sergio Oliveira virou um dos principais jogadores do Porto e arrebentou na Champions. Já na ligação, Fernando Santos conta com Bruno Fernandes em estado de graça.

O ataque não pode ser pensado sem Cristiano Ronaldo. O craque pode ter diferentes companhias, a começar por Bernardo Silva, em momento morno com o City, mas titular pela direita na seleção. Diogo Jota também se credencia como um elemento pelo sucesso no Liverpool, mesmo voltando de lesão. Rafa Silva e Gonçalo Guedes são opções a mais pelos lados de campo. André Silva pode ser útil num esquema com dois atacantes, pela forma como vem empilhando gols pelo Eintracht Frankfurt. E é ver como João Félix chegará, ainda sem convencer no clube, mas com moral na seleção. Por fim, a surpresa foi Pedro Gonçalves, o Pote. O versátil ponta foi artilheiro do Portuguesão com o Sporting e ainda não estreou pela equipe nacional.

Até impressiona a forma como Fernando Santos privilegiou os jogadores de meio e de ataque. Dá para montar o time de várias formas a partir disso, até pelos três nomes a mais permitidos na lista. E isso parece um diferencial em relação a 2016. Se não há mais estrelas como Nani e Quaresma, que já não viviam o melhor quatro anos atrás, o grupo atual se sugere mais confiável – até porque muitos deles se destacam na principal liga do mundo. É ver como será o sucesso, já que o time campeão anterior parecia ter uma certa predestinação a seu favor ao longo da campanha, seja pelo chaveamento ou por lampejos pontuais. A Liga das Nações de 2019, de qualquer forma, mostrou como as ambições podem seguir altas.

Portugal enfrenta Espanha e Israel durante os amistosos preparatórios. Depois figura no grupo mais cascudo da competição contra Hungria, Alemanha e França. Serão testes de fogo para uma equipe que, desde a Copa de 2018, só sofreu duas derrotas – para Ucrânia e para França. As condições para os portugueses fazerem outro bom papel no torneio continental são favoráveis, mesmo que mais concorrentes pareçam ter crescido desde então, como os próprios franceses. Mas, no papel, o campeão melhorou.

Goleiros: Anthony Lopes (Lyon), Rui Patrício (Wolverhampton) e Rui Silva (Granada);

Defensores: João Cancelo (Manchester City), Nélson Semedo (Wolverhampton), José Fonte (Lille), Pepe (Porto), Rúben Dias (Manchester City), Nuno Mendes (Sporting) e Raphaël Guerreiro (Borussia Dortmund);

Meio-campistas: Danilo Pereira (Paris Saint-Germain), João Palhinha (Sporting), Rúben Neves (Wolverhampton), Bruno Fernandes (Manchester United), João Moutinho (Wolverhampton), Renato Sanches (Lille), Sérgio Oliveira (Porto) e William Carvalho (Betis);

Atacantes: Pedro Gonçalves (Sporting), André Silva (Eintracht Frankfurt), Bernardo Silva (Manchester City), Cristiano Ronaldo (Juventus), Diogo Jota (Liverpool), Gonçalo Guedes (Valencia), João Félix (Atlético de Madrid) e Rafa Silva (Benfica).

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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