Nani surpreende e fecha com clube inspirado no Fluminense e parceiro do Flamengo
O atacante português, conhecido pela passagem no Manchester United, também chegou perto de defender o Flu original
Aos 37 anos, o histórico atacante português Nani, ex-Manchester United e Sporting, partirá para o 10º no clube na carreira em um retorno à cidade de Amadora, onde nasceu em Portugal.
O ponta ambidestro, descendente de cabo-verdianos, fechou com o Estrela Amadora, clube da primeira divisão portuguesa, em um contrato de um ano.
— Já atingi tudo, não tenho mais metas para atingir. O meu auge já foi e foi bonito, eu me diverti muito e estou muito orgulhoso. Olho para oportunidades que sejam boas e para poder continuar a desfrutar do futebol. É uma paixão difícil de deixar quando se sente ainda força e energia. Sei que eu ainda sou capaz de fazer vibrar os torcedores com momentos dentro do campo. Ainda quero desfrutar do futebol e estou aberto a jogar mais alguns aninhos. — disse Nani, ainda antes do acerto com o Estrela.
O campeão da Eurocopa com a seleção portuguesa estava sem clube desde maio, quando deixou o Adana Demirspor, da Turquia, e nos últimos anos aponta passagens aleatórias, da Austrália aos Estados Unidos.
A modesta equipe da região metropolitana de Lisboa conta com a participação maioritária do Patrice Evra, ex-colega de Nani no Manchester United, um dos donos do clube por meio da empresa americana MYFC.
O francês e o português dividiram os gramados de Old Trafford por sete anos, entre 2007 e 2014, até a saída do lateral-esquerdo dos Red Devils. Seis anos mais velho, Evra se aposentou em 2019.
Mas o reencontro entre os ídolos do United não é a grande história nesta transferência. O novo clube de Nani possui relações com o futebol brasileiro, especificamente a dupla carioca Flamengo e Fluminense.
Camisa inspirada no Flu e relação comercial com o Fla: Estrela Amadora nutre carinho com Brasil
A camisa e o apelido do Amadora não escondem a inspiração no Flu.
O Tricolor português ostenta o verde, branco e grená (ou bordô, próximo do escudo dos europeus) dos cariocas desde 1951, quando o clube brasileiro visitou Portugal.
— O presidente do Fluminense na altura [Fábio Carneiro de Mendonça] veio aqui e, como forma de agradecimento por ter sido bem recebido, nos deu três conjuntos de equipamento (uniformes). E nós decidimos mudar para as cores deles. Agora, toda vez que a gente quer mudar um bocadinho, já vêm dizer: ‘Mas está muito parecido com o do Flu’. — disse Paulo Lopo, presidente do Estrela Amadora, à Trivela em 2023.
Naquele momento, o dirigente revelou que as redes sociais do clube português contava com mais de 1500 seguidores que são torcedores do time das Laranjeiras.
Se hoje Nani chega para ser o diferencial no Amadora, ironicamente, o próprio Flu poderia ter sido o caminho do atacante em 2022.
Conforme apuração do repórter Caio Blois, da Trivela, o português queria jogar no Brasil, mas um problema de saúde da mãe evitou a transferência e ele saiu do Orlando City para o Venezia.
Apesar da inspiração no Flu, a proximidade atual do Amadora é mais justamente com o rival Flamengo, reforçada na relação entre o presidente Lopo e o vice de futebol do Fla, Marcos Braz.
Em junho, os clubes negociaram três atletas, André Luiz (este já estava por empréstimo desde 2023), Daniel Cabral e Petterson, todos brasileiros, com passagem pela base do Rubro-Negro, rumo a Portugal.
Há até vínculo com o São Paulo por meio da Torcida Independente, a principal organizada dos paulistas, que possui um braço no Estrela com cerca de 20 torcedores.

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Mesmo ainda jogador, Nani já aposta na carreira de empresário
Como Evra, Nani tem um time para chamar de seu em Portugal.
É o ainda menor Sport União Sintrense, do município de Sintra (próximo de Lisboa). Ele se tornou um dos investidores do time da quarta divisão portuguesa em 18 de julho.
Mas, se dependesse de Nani, a história não seria assim.
Conforme também apurou Caio Blois, o jogador português queria comprar o Real Sport Clube, clube que atuou pela base até os 16 anos, só que investidores americanos atravessaram o ponta no negócio.
A solução para Nani foi ser investidor da Sociedade Anônima Desportiva (basicamente a SAF em Portugal) do Sintrense, considerado um rival do Real SC.



