Adversário ideal
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Para um treinador que começa (ou recomeça, como é o caso) oficialmente seu trabalho à frente de uma seleção nacional logo nas eliminatórias européias, nada como estrear com uma vitória. Para facilitar as coisas, nada como enfrentar um adversário sem grandes tradições e sem maiores perspectivas na competição. Pois foi o que aconteceu com Carlos Queiroz, que fez sua primeira partida oficial à frente dos Tugas com um triunfo por 4 a 0 sobre Malta.
Antes do jogo, a imprensa portuguesa até chegou a especular sobre as condições adversas do encontro, por força do mau estado do gramado e da grande umidade do local da partida, em La Valetta. Pairava ainda o fantasma de um malogrado empate em 2 a 2 entre as duas seleções, em partida realizada em 1987 na Ilha da Madeira, pelas eliminatórias para a Copa de 1990. Mas, à exceção desse empate, Portugal já havia registrado sete vitórias, num total de oito partidas.
Mesmo assim, nas partidas realizadas em Malta, a seleção lusa havia vencido uma por 3 a 1 e outras três por míseros 1 a 0. Daí que o histórico não era tão animador assim, a despeito da grande disparidade entre as duas equipes (Portugal ocupa a nona colocação no ranking de seleções da Fifa, enquanto Malta está somente na 117a. colocação (em toda a sua história, a pequena seleção venceu apenas uma partida das eliminatórias européias até hoje).
Formação ortodoxa
Diante de uma equipe que sabe de antemão que não irá à Copa, Carlos Queiroz optou por uma formação ousada no ataque e precavida no meio-de-campo. Na frente, Nani pela direita e Simão Sabrosa pela esquerda tomavam as iniciativas ofensivas, tendo Hugo Almeida no meio de área para as conclusões. Não à toa, os três foram responsáveis por três gols de Portugal (o outro, o primeiro, saiu por meio de um gol-contra da zaga maltesa, após cruzamento de Bosingwa para o mesmo Hugo Almeida).
O meio-de-campo contava com Raul Meireles e Carlos Martins, que foram escalados para dar mais consistência defensiva ao setor, por força dos três atacantes na frente. Assim, Deco ficou um pouco mais liberado para armar o jogo. Já na defesa, repetiu-se a dupla de zaga da última Eurocopa (Pepe e Ricardo Carvalho). A única surpresa foi a presença do lateral-esquerdo Antunes. Por último, o goleiro Ricardo (um dos símbolos da Era Scolari) voltou a não ser convocado (o posto de titular ficou com Quim, antigo reserva de Ricardo).
O melhor dessa rodada das eliminatórias européias foi o fato de Portugal ficar isolado na primeira colocação do Grupo 1, beneficiado que foi pelos dois empates em 0 a 0 entre seus outros adversários. A Hungria conseguiu segurar o placar nulo diante da Dinamarca, e o pior ficou para a Suécia, que não conseguiu sair do zero diante da inexpressiva Albânia. Trata-se de pontos perdidos que poderão custar caro no final das eliminatórias deste grupo.
Golo de Letra
Mas por que é que a gente não se encontra?
Já estou sem saber o que hei de fazer
Se seguir em frente, ai Madre de Deus
Se voltar a trás, ai Chiados meus
E o rio diz: que tarde infeliz
Mas por que é que a gente não se encontra?