Olimpíadas

Quinze jogadores para ficar de olho no torneio masculino da Olimpíada Tóquio 2020

De jovens como Pedri, Lee Kang-in e Thiago Almada a veteranos como Gignac, Chris Wood e Ochoa estarão no torneio de futebol da Olimpíada

O futebol masculino sempre parece deslocado na Olimpíada. Ápice do esporte para quase todas as outras modalidades e praticamente um torneio de categorias de base ao esporte mais popular do mundo. Mas justamente por isso oferece a oportunidade de acompanhar garotos como se já fossem adultos, liderando as suas seleções em um dos palcos mais importantes, ou até mesmo veteranos que não possuem tanta chance no time principal ou encontram uma rara chance de glória em times menos fortes. São esses os personagens da nossa lista: 15 jogadores para ficar de olho no torneio masculino de Tóquio 2020, que começou esta semana.

Pierre Kalulu (França)

Kalulu, da França (Foto: Robin van Lonkhuijsen/Imago/One Football)

A primeira convocação da França tinha nomes mais conhecidos, como Eduardo Camavinga, do Rennes, Jonathan Ikoné, do Lille, e Amine Gouiri, do Nice, mas, “após a recusa de vários clubes para liberar os jogadores inicialmente selecionados”, o técnico Sylvain Ripoll teve que fazer algumas mudanças. Embora teoricamente com alguns dos melhores jovens do mundo – Kylian Mbappé teria idade olímpica -, a convocação francesa não é tão estrelada. Mas há algumas boas promessas. O lateral direito Pierre Kalulu mostrou qualidade ao receber suas primeiras chances em um time adulto nesta temporada em que se juntou ao Milan. Ainda cru, é claro, mas a maioria dos garotos de 20 anos é assim mesmo.

Takefusa Kubo (Japão)

Kubo, pelo Real Madrid

Talento ele tem. Está faltando um clube em que consiga demonstrá-lo regularmente. Ser contratado do Real Madrid não tem ajudado, especialmente com Zinedine Zidane apostando na velha guarda, como fez bastante nesta segunda passagem. Ele impressionou emprestado ao Mallorca e parecia pronto para dar um passo à frente ao ser emprestado ao Villarreal. Pouco jogou. Em janeiro, outra tentativa, pelo Getafe. Jogou mais, mas em um clube que teve um segundo turno bem complicado e terminou próximo da zona de rebaixamento. Tem contrato até 2024 com o Real Madrid e espera cair nas graças do novo (novo?) técnico Carlo Ancelotti.

Diego Laínez (México)

Laínez, do Betis

Em um amistoso entre México e Estados Unidos, em 2018, o zagueiro norte-americano Matt Miazga, 1,92 metros, fez um clássico gesto com a mão para ironizar a altura de Diego Laínez. Ficou tudo bem e tal, Laínez levou na boa, e também, como culpá-lo? O ponta do Betis está listado no site da Olimpíada com 1,68 metros. Realmente não é o mais alto dos jogadores. Aquele era seu segundo jogo pela seleção mexicana, ainda com 18 anos. Já soma 14. Cria do América, transferiu-se ao Betis em 2019 e ainda não conseguiu emplacar entre os titulares. Mas tem qualidade e uma Olimpíada inteira para demonstrá-la.

Chris Wood (Nova Zelândia)

Chris Wood, do Burnley (Photo by Laurence Griffiths/Getty Images)

Se você assiste a jogos do Burnley…. bom, primeiro, parabéns, porque não costumam ser os mais emocionantes. Segundo, deve conhecer Chris Wood muito bem. Ele é um centroavante de 1,91 metros de altura, bem talhado ao estilo de Sean Dyche, que marca com frequência na Premier League. São 47 em 137 partidas pela liga inglesa, uma boa média em um time que não faz tantos gols. Defende a seleção neozelandesa desde 2009. Esteve na Copa do Mundo da África do Sul, ainda como um jovem reserva, e chegou a marcar na Copa das Confederações de 2017, contra o México, mas esta será uma oportunidade quase única de representar bem o seu país em um grande palco.

Guillermo Ochoa (México)

Ochoa, do México

Esse tem rodagem de quatro Copas do Mundo, e sempre chama a atenção por algumas defesas fantásticas para salvar o México, embora sua carreira por clubes nunca tenha explodido como elas indicariam. Deixou a Europa em 2019, após dois anos no Standard Liège, e retornou ao América. Continua defendendo a seleção principal, mas foi reserva em alguns amistoso recentes. Preferiu a Olimpíada, sua segunda, depois de Atenas 2004 (!), a disputar mais uma Copa Ouro – da qual já foi campeão quatro vezes.

André Pierre-Gignac (França)

André-Pierre Gignac em atuação pela França, em 2016 (Imago / OneFootball)

Gignac usou a moral que ganhou como um dos melhores jogadores das Américas desde que se transferiu ao Tigres para pedir com jeitinho que fosse liberado para disputar a Olimpíada. Fora do radar da seleção principal pouco depois de tomar a surpreendente decisão de deixar a Europa, tem uma chance de ouro (entenderam?) de brilhar com a camisa da seleção francesa mais uma vez. Terá a companhia do novo colega de clube, Florian Thauvin, entre os dois veteranos da campeã do mundo – o terceiro é Téji Savanier, do Montpellier.

Lee Kang-in (Coreia do Sul)

Lee Kang-in, no Mundial Sub-20 de 2019

No mesmo Mundial Sub-20 em que Erling Haaland chamou a atenção ao marcar nove gols (todos no mesmo jogo contra Honduras), o maior destaque foi na verdade Lee Kang-in. Com jogadas decisivas, dribles e inteligência, ajudou a Coreia do Sul a chegar à decisão e se juntou a Ismail Matar, dos Emirados Árabes, como os únicos dois asiáticos a conquistarem a Bola de Ouro da competição. Era um começo promissor ao garoto, então com 18 anos. Agora com 20, já estreou na seleção principal, embora tenha feito apenas seis jogos, e tem tentado se firmar no Valencia. O contexto coletivo de um clube em crise não ajuda. A última temporada foi de mais afirmação, com 24 rodadas de La Liga disputadas. Terá a responsabilidade de ser o líder técnico da seleção, especialmente sem a presença de Son Heung-min, que conseguiu a liberação, mas foi dispensado pelo técnico Kim Hak-bum para descansar.

Alexis Mac Allister (Argentina)

Alexi Mac Allister, pelo Boca Juniors (Foto: Getty Images)

Foi um ano de adaptação para Mac Allister. Contratado pelo Brighton do Argentinos Juniors em 2019, seguiu na Argentina pelo seu clube e depois cedido ao Boca Juniors antes chegar à Inglaterra no começo de 2020. A temporada passada foi a primeira completa na Premier League, com 21 jogos e um único gol. Fez mais dois na Copa da Liga Inglesa e, mesmo reserva do técnico Graham Potter, mostrou qualidade suficiente para manter seu status de potencial talento para o futuro.

Thiago Almada (Argentina)

Almada, da Argentina (Foto: Marcelo Hernández/Photosport/Imago/One Football)

Se você jogou as últimas edições do Football Manager, você contratou Thiago Almada – se jogou e não contratou, estava jogando errado. Tem sido o jovem mais promissor do futebol argentino nos últimos anos com a camisa do Vèlez Sarsfield, pela qual o meia-atacante estreou meses depois de completar 17 anos. Está com 20 agora e parece próximo de buscar novos ares. Foi recentemente associado ao Flamengo e ao Manchester City. Como Tevez, nasceu e cresceu em Fuerte Apache, mas tem um estilo de jogo mais refinado. Muita técnica, bom passe e um futuro enorme pela frente.

Pedri (Espanha)

Pedri, da Espanha

Pedri parece estar treinando para um dia jogar no futebol brasileiro porque na estreia da Espanha contra o Egito ele fez o seu jogo de número 68 na temporada – ainda precisa comer um pouco de arroz e feijão para aguentar nosso calendário que às vezes bate 80. Foram 52 pelo Barcelona, dez pela seleção principal espanhola, quatro pela sub-21 e um amistoso já com a equipe olímpica cerca de dez dias depois de perder da Itália na semifinal da Eurocopa, quando disputou praticamente todos os minutos da Espanha. Ainda bem que tem apenas 18 anos e suas pernas estão em dia. Os espanhóis chegam fortes para a Olimpíada porque trazem seis jogadores que contribuíram para sua boa campanha no torneio europeu. Além do garoto do Barça, o goleiro Unai Simón, os zagueiros Pau Torres e Eric García e os meias Mikel Oyarzabal e Dani Olmo.

Marc Cucurella (Espanha)

Marc Cucurella foi um importante acerto em definitivo do Getafe (PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP via Getty Images/One Football)

Entre os espanhóis que não disputaram a Eurocopa, Cucurella pode ser um destaque. Formado em La Masia, não foi aproveitado pelo Barcelona. Passou a temporada 2019/20 de La Liga emprestado ao Getafe e foi um dos bons valores do oitavo colocado. Acabou contratado em definitivo e teve um segundo ano mais complicado no Alfonso Pérez, junto com o time que caiu pelas tabelas e terminou perto da zona de rebaixamento. O talento não desapareceu. Quando pega a bola em velocidade e começa a arrancar, é difícil de ser parado.

Claudinho (Brasil)

Claudinho, do RB Bragantino (Imago / OneFootball)

De uma vez só, Claudinho foi eleito o craque e a revelação do Campeonato Brasileiro de 2020. Pouca moral? Não espanta pelo que o jogador de 24 anos contribui para o Red Bull Bragantino. Ele foi um dos artilheiros do torneio e já chama a atenção do futebol europeu. O clube paulista tem se virado bem sem ele neste período de seleção olímpica, mas sua qualidade é inegável. André Jardine parece saber muito bem porque o escalou de titular logo na estreia, contra a Alemanha, teoricamente principal adversária do grupo.

Amad Diallo (Costa do Marfim)

Amad Diallo, do Manchester United (Andrew Yates/Sportimage/OneFootball)

Foi uma aposta cara do Manchester United. Cerca de € 20 milhões, valor que pode dobrar dependendo de bônus e variáveis, segundo o Guardian, por um cara que havia feito cinco jogos no time principal da Atalanta. Ainda não teve muita oportunidade também no Manchester United, ao qual chegou em janeiro deste ano. Tem seis partidas pelos adultos, com um gol e uma assistência. Com a iminente chegada de Jadon Sancho, precisa mostrar serviço para pelo menos se inserir na rotação dos Red Devils.

Takehiro Tomiyasu (Japan)

Tomiyasu, do Verona

Aos 20 anos, já estava sendo titular da seleção principal. Formado pelo Avispa Fukuoka, destacou-se no St. Truiden, da Bélgica, e foi contratado pelo Bologna. Começou jogando sempre que não esteve machucado ou suspenso. Rápido e com boa saída de bola, tem sido usado como zagueiro-lateral no time italiano, fechando o lado direito com três zagueiros e também entrando pelo meio para ajudar na construção. Grande talento que está na mira do Tottenham e, conhecendo o Tottenham, tem tudo para fazer uma grande Olimpíada e ficar pelo menos um pouquinho mais caro.

Gabriel Martinelli (Brasil)

Gabriel Martinelli, do Arsenal (GLYN KIRK/AFP via Getty Images/OneFootball)

O ataque do Brasil está recheado, e estreou muito bem contra a Alemanha. Teve Claudinho, Richarlison, Antony e Matheus Cunha como titulares. Paulinho, Malcom e Reinier saíram do banco de reservas. Talvez Gabriel Martinelli não ganhe muitos minutos em campo, mas, se ganhar, ele tem o costume de aproveitar. Sua ascensão no Arsenal foi prejudicada por uma séria lesão no joelho. Retornou em dezembro e marcou dois gols nas últimas oito rodadas da Premier League. Ainda tem 20 anos, e o contexto coletivo não ajuda, mas já tem uma média interessante de um gol a cada 191 minutos em campo. O que significa que não precisará de muito tempo para deixar sua marca na Olimpíada de Tóquio.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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