Olimpíadas

Futebol olímpico e a lembrança da melhor Polônia da história

Entre 1972 e 1976 os polacos tiveram um time espetacular, conduzido pelo craque Deyna

Minha primeira memória olímpica remete aos Jogos de Montreal, em 1976. Provavelmente puxada pela apresentação histórica de Nádia Comaneci na ginástica. Foi o gatilho que despertou o interesse pela Olimpíada canadense. No que se refere ao futebol, mesmo sem ter sido campeã, recordo da excelente seleção da Polônia.

Uma noite em especial emerge da viagem pelo tempo. Um Brasil x Polônia que se repetiu dois anos depois da derrota pelo terceiro lugar na Copa de 1974. Era um tempo diferente, de pouca informação, quase nada de futebol internacional na TV, a não ser a Copa.

Após muitas participações frustrantes, principalmente um fiasco em 1972, o Brasil formou um time de respeito para a Olimpíada de Montreal. Jogadores importantes e já com carreira profissional foram chamados pelo técnico Cláudio Coutinho, que comandaria o Brasil na Copa de 1978. O goleiro Carlos, o zagueiro Edinho, os laterais Júnior e Rosemiro, e o volante Batista se destacavam.

Mas no meio do caminho apareceu a Polônia, campeã olímpica de 1972 e com a melhor geração de sua história. Coutinho havia comandado o Brasil nos Jogos Pan-americanos do México, em 1975, quando o Brasil dividiu a medalha de ouro com os donos da casa numa final marcada por confusão.

É preciso lembrar que o futebol olímpico foi dominado pelas equipes da chamada Cortina de Ferro nos tempos da Guerra Fria. Teoricamente, atletas profissionais não podiam participar das Olimpíadas. Como nos países socialistas não existia esporte profissional, os melhores jogadores eram reunidos nas equipes que eram ligadas ao Exército, por exemplo.

Hungria, Iugoslávia, União Soviética e Alemanha Oriental deitavam e rolavam.

A legião de craques poloneses brilhou entre os Jogos Olímpicos de 1972 e 1976, com a Copa de 1974 no meio. A medalha de ouro em 1972 veio com uma vitória sobre a Hungria na final. Os húngaros sustentavam 21 jogos de invencibilidade olímpica, desde Roma, em 1960.

Kazimierz Deyna, o melhor jogador polonês da história, fez os dois gols da virada por 2 a 1 que garantiu o ouro. O grande ídolo do Legia Varsóvia era um meio-campista refinado e extremamente técnico. Jogava de cabeça erguida, com elegância, dribles curtos e lançamentos longos e finalizava com grande precisão.

A base daquela Polônia histórica era Tomaszewski; Szymanowski, Gorgon, Zmuda e Musial; Cmikiewicz, Deyna e Kasperczak; Lato, Szarmach e Gadocha. O time era comandado por Kazimierz Gorski.

Na Copa de 1974, a Alemanha Ocidental interrompeu o sonho polonês na etapa semifinal. Um gol do carequinha Lato, outro craque de bola, deu o terceiro lugar para a Polônia contra o Brasil.

A esperança do troco em 1976 foi destruída pelo atacante Szarmach. Ele anotou os gols da vitória polonesa sobre o Brasil por 2 a 0. Esse é o jogo guardado em minha memória. O bom time brasileiro não jogou mal, mas sucumbiu diante da maior experiência dos poloneses.

O bicampeonato olímpico polonês foi impedido pela Alemanha Oriental. O Brasil perdeu o bronze para a União Soviética, derrota por 2 a 0.

O troco brasileiro viria na Copa de 1978, na Argentina. Na fase semifinal, com grande atuação de Roberto Dinamite, o Brasil venceu por 3 a 1. A Polônia ainda tinha Lato, Deyna, Zmuda, Szarmach e contava com um jovem craque chamado Boniek.

Após o Mundial de 1978, a Polônia autorizou seus jogadores com mais de 30 anos a jogar fora do país e ganhar algum dinheiro. Deyna foi contratado pelo Manchester City e, em 1981, foi jogar nos Estados Unidos, no San Diego Sockers, onde encerrou a carreira em 1984.

Ele morreu em um acidente automobilístico, em San Diego, em 1 de setembro de 1989.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela

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