Olimpíadas

Espanha sofre, mas goleia na prorrogação; Japão só passa nos pênaltis e México amassa Coreia do Sul numa chuva de gols

As quartas de final das Olimpíadas tiveram partidas movimentadas, definindo Espanha x Japão e Brasil x México na próxima fase

As quartas de final do futebol masculino nos Jogos Olímpicos foram recheadas de bons jogos e, sobretudo, de gols. Ainda assim, nada de grandes surpresas, apesar de certas classificações dramáticas. Além do Brasil, que cumpriu sua missão contra o Egito, também passaram Espanha, Japão e México. Enquanto brasileiros e mexicanos reeditarão a decisão de 2012 num lado das semifinais, os japoneses tentarão desbancar o forte time espanhol do outro lado da chave. As partidas ocorrerão na próxima terça-feira.

A Espanha goleou a Costa do Marfim por 5 a 2, mas o placar é um tanto quanto enganoso. O duelo seria definido apenas na prorrogação, com os marfinenses ficando duas vezes em vantagem no tempo normal e marcando até a gol nos acréscimos do segundo tempo. Os espanhóis, contudo, arrancaram o agonizante empate por 2 a 2 antes do apagar das luzes e sobraram nos 30 minutos extras com mais três gols. O destaque da Roja ficou com Rafa Mir, que saiu do banco para ser herói no tempo normal e completar sua tripleta na prorrogação.

O Japão suou bem mais que o esperado para superar a Nova Zelândia. O empate por 0 a 0 prevaleceu durante os 120 minutos, com os nipônicos dominando e desperdiçando um caminhão de chances, enquanto os neozelandeses quase cometeram o crime durante a prorrogação. Nos pênaltis, ao menos, os Samurais Azuis salientaram sua superioridade e ganharam por 4 a 2 para avançar.

Por fim, México e Coreia do Sul proporcionaram um jogo de nove gols em Yokohama. Os sul-coreanos fizeram momentos parelhos, mas os mexicanos foram implacáveis em seu domínio e enfiaram uma goleada por 6 a 3. O destaque ficou para a coleção de pinturas na noite. Lee Dong-gyeong até brilhou entre os asiáticos, mas El Tri contou com atuações excelentes de Sebastián Córdova, Henry Martín e Luis Romo.

Espanha 5×2 Costa do Marfim

A partida de maior expectativa dessas quartas de final começou bem jogada. A Espanha teve sua primeira chance logo cedo, mas Mikel Merino pegou mal após ótimo passe de Mikel Oyarzabal. Quando a Costa do Marfim respondeu, Kouassi Eboué bateu de fora e deu trabalho para Unai Simón fazer a defesa. E os Elefantes saíram em vantagem aos dez minutos, após cobrança de escanteio. Eric Bailly se embolou com a marcação e conseguiu desviar para dentro. Como se não bastasse, a Roja precisou queimar sua primeira alteração logo cedo, com o lesionado Óscar Mingueza dando lugar a Jesús Vallejo na lateral.

A Espanha dominava a posse de bola, mas indicava sinais de nervosismo na definição. As chances custavam a sair, até que o empate viesse aos 30, numa bobeira da defesa da Costa do Marfim. Mikel Merino lançou, Wilfried Singo ajeitou com o peito e entregou a bola dentro da área para Dani Olmo, que apenas se antecipou para mandar às redes. Os marfinenses quase retomaram a dianteira na sequência, em arremate de Youssouf Dao que Unai Simón salvou. Todavia, os espanhóis melhoraram antes do intervalo e tiveram um gol anulado, em impedimento de Mikel Oyarzabal anotado com o auxílio do VAR.

O segundo tempo recomeçou suficientemente aberto. A Espanha chegava mais. Dani Olmo teve um chute perigoso para fora e, após uma saída errada da Costa do Marfim, Marco Asensio carimbou o travessão. Quando os marfinenses chegaram novamente em cobrança de falta, Unai Simón pegou com segurança a cabeçada de Kouadio Dabila. Os Elefantes saíam mais e a entrada de Amad Diallo aumentava as possibilidades ofensivas. A Roja logo depois trocaria Asensio por Bryan Gil no ataque.

Não era a partida mais intensa, mas dava para alguém garantir a vitória no tempo normal. A Espanha tinha a posse de bola, enquanto a Costa do Marfim chegava vez por outra nos contragolpes. Ainda assim, os principais lances eram da Roja, como numa falta cobrada por Juan Miranda para fora. Outra chance caiu nos pés de Mikel Oyarzabal, que escapou pela direita e chutou com pouco ângulo, mas carimbou o goleiro Ira Eliezer Tapé. A emoção ficaria guardada para os acréscimos.

A Costa do Marfim conseguiu retomar a vantagem aos 46 minutos. Max Gradel recebeu o passe na esquerda e chutou prensado, em bola que desviou antes de passar por baixo de Unai Simón. A Espanha partiu para o desespero e se safou aos 48, com novo empate. Em bola alçada na área, a defesa dos Elefantes cometeu uma bobeira imensa, com todo mundo assistindo à pelota pingar no meio da área. Rafa Mir, que acabara de entrar no lugar de Merino, não perdoou o vacilo e escorou às redes. Assim, forçou a prorrogação.

A Espanha virou o jogo no primeiro tempo extra. E contou com mais um erro da defesa da Costa do Marfim. Após escanteio, Pau Torres desviou e a bola bateu no braço de Bailly. A arbitragem revisou o lance no monitor e anotou o pênalti, que Oyarzabal converteu aos oito minutos. Os Elefantes tentaram atacar um pouco mais, mas Gradel estava impedido no lance mais claro. No segundo tempo extra, porém, a Roja era mais agressiva e mataria o duelo. Insistiria até que o quarto gol viesse aos 12. Rafa Mir estava livre na direita e acertou o tiro rasteiro, cruzado, no canto da meta marfinense. Nos acréscimos, ainda daria tempo para Rafa Mir completar sua tripleta. Oyarzabal rabiscou pela direita e só rolou para o camisa 9 definir no contrapé, fechando a conta.

O Japão venceu nos pênaltis (Foto: Imago / One Football)

Japão 0x0 Nova Zelândia, 4×2 nos pênaltis

Como era de se esperar, o Japão mandou no primeiro tempo em Saitama. Apresentou um futebol mais cadenciado e manteve a posse de bola no ataque, mas pecou demais nas finalizações. As melhores chances ocorreram nos primeiros minutos. Aos dez, Ritsu Doan chutou e o zagueiro Winston Reid salvou com o pé. Logo na sequência, Wataru Endo perdeu um gol inacreditável, ao receber sozinho no segundo pau e mandar para fora. Os Samurais Azuis seguiram com as principais chegadas, contando com o bom papel de Takefusa Kubo na criação, mas sem acertar o pé. Quando os All Whites responderam, Chris Wood também assustou bater para fora aos 36.

O segundo tempo permaneceu na mesma toada, com domínio amplo do Japão e pouca efetividade. Os nipônicos até demoraram para gerar novas chances, com Kubo parando no goleiro Michael Would aos 24. Os maiores desperdícios seriam de Ayase Ueda, no entanto. O atacante mandou uma cabeçada livre para fora aos 32 e, na sequência, ainda carimbou o goleiro quando estava de frente para o crime. Would também trabalharia em tentativa de Doan, enquanto a Nova Zelândia teve espasmos do outro lado, com ataques pontuais.

A prorrogação veria o Japão ainda tenso, sentindo a demora do gol. Would mantinha sua meta invicta com boas defesas diante de Ueda e Kubo. Doan também arriscou para fora. Entretanto, os riscos aos japoneses ficavam mais expressos. Depois de uma ótima jogada de Joe Champness, Elijah Just escorregou e falhou na hora do chute. Já no segundo tempo extra, os All Whites insistiram numa série de rebatidas na área e a bola acabou seguindo para fora, para alívio dos anfitriões. Com os Samurais Azuis mais cansados, a definição ficou para os pênaltis.

Na marca da cal, enfim, o Japão não vacilou. A Nova Zelândia até abriu o placar, mas o goleiro Kosei Tani defendeu o tiro de Liberato Cacace e Clayton Lewis chutou para fora depois. Enquanto isso, os nipônicos mantiveram os 100% de aproveitamento com Ayase Ueda, Ko Itakura, Yuta Nakayama e Maya Yoshida. O triunfo por 4 a 2 selou uma classificação mais apertada do que se imaginava.

Romo, do México, comemora (Foto: Imago / One Football)

México 6×3 Coreia do Sul

As quartas de final do futebol masculino foram encerradas com uma movimentada partida em Yokohama, repleta de golaços. O México sempre se manteve à frente no placar, mas a Coreia do Sul deu calor em certos momentos, até que os adversários desenhassem sua goleada. A chuva de gols começou logo cedo. El Tri ensaiava uma pressão e conseguiu abrir a contagem aos 12 minutos. Depois do cruzamento de Alexis Vega, Luis Romo ajeitou de cabeça e Henry Martín brigou com a zaga no meio da área para completar. Os sul-coreanos não demoraram a responder e, depois de uma boa defesa de Guillermo Ochoa, o empate surgiu aos 20. Lee Dong-gyeong cortou a marcação na entrada da área e mandou um chutaço no ângulo, para assinar sua pintura.

Apesar do bom momento, a Coreia do Sul não conseguiu a virada e viu o México retomar a dianteira aos 30. Foi outra linda jogada de Vega, que deu o passe por elevação. Romo se meteu nas costas da zaga e dominou bonito, antes de chutar sem deixar a bola cair. Os mexicanos permaneceram no controle no fim do primeiro tempo e marcaram o terceiro de pênalti. Sebastián Córdova sofreu a falta e também converteu a penalidade, apenas deslocando o goleiro. Antes do intervalo, no entanto, Ochoa se agigantou. O goleiro precisou realizar três grandes defesas em sequência, com Lee Dong-gyeong buscando as redes outra vez e fazendo o veterano voar para espalmar.

A Coreia do Sul voltou para o segundo tempo com três mudanças e parecia pronta a reagir. Aos seis minutos, Lee Dong-gyeong venceu Ochoa outra vez, com mais um chute na veia para fazer seu segundo gol. Depois de uma dividida, a bola ficou com o camisa 10 na esquerda e ele mandou na gaveta. Só que o México não se intimidou com o tento. El Tri abriria diferença outra vez logo na sequência, a partir de uma cobrança de falta. Córdova fez o lançamento para o meio da área e Martín definiu de cabeça, assinalando o quarto de sua equipe. Ainda havia dúvidas sobre o posicionamento do atacante, mas o VAR confirmou o lance.

Aos 18, o México matou o jogo. E contou com mais um golaço para a conta, o quinto no total. Córdova recebeu a bola com espaço fora da área e mandou um canudo, que ainda estalou o travessão antes de entrar. Quase coube o sexto na sequência, mas Song Bum-keun salvou a tentativa de Uriel Antuna. Depois disso, o jogo caiu de ritmo, com os mexicanos parecendo confortáveis com a diferença. Ainda assim, a meia dúzia pintou no placar aos 39. Diego Lainez saiu do banco e bagunçou a defesa pela direita, rolando para Eduardo Aguirre completar às redes. Os sul-coreanos buscaram diminuir a diferença no fim, insistindo nos cruzamentos. Ochoa faria boas defesas, mas o terceiro gol saiu nos acréscimos com Hwang Ui-jo, completando de cabeça um escanteio desviado no primeiro pau. El Tri tentaria até o sétimo, mas o apito soaria antes disso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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