Olimpíadas

Apesar do placar magro, Brasil faz uma boa partida e vence o Egito para avançar à semifinal olímpica

Matheus Cunha anotou o gol da vitória, em noite na qual o Brasil correu um pouco mais de risco apenas no fim

A seleção brasileira venceu o Egito e se garantiu nas semifinais do torneio masculino de futebol nos Jogos Olímpicos. O placar foi magro em Saitama, mas o Brasil fez uma boa partida para assegurar o triunfo por 1 a 0 nas quartas de final. Os brasileiros dominaram grande parte do duelo e criaram um bom número de oportunidades, faltando aproveitar um pouco mais. O gol saiu numa boa jogada de Richarlison, que Matheus Cunha mandou para dentro. A Seleção correu um pouco mais de risco apenas nos minutos finais, quando caiu de ritmo após as alterações, mas conseguiu travar os egípcios para evitar maiores temores.

O Brasil manteve a base titular da fase de grupos. A única mudança em relação à vitória contra a Arábia Saudita foi o retorno de Douglas Luiz no meio-campo, após cumprir suspensão. De resto, a espinha dorsal estava preservada com Santos no gol, além da zaga composta por Daniel Alves, Diego Carlos, Nino e Guilherme Arana. Bruno Guimarães fechava o meio. Claudinho jogava mais centralizado na armação desta vez, com Antony e Richarlison abertos. Na frente, Matheus Cunha era o homem de referência. O Egito seguia alinhado no 3-4-3, mas com trocas pontuais em relação ao triunfo contra a Austrália. Ainda assim, os destaques seguiam presentes: Mohamed El Shenawy, Ahmed Hegazy e Ramadan Sobhi.

O jogo começou com o Brasil no ataque, diante de um Egito que recuava. A Seleção rodava bem a bola no campo ofensivo e procurava os espaços, mas sem criar chances claras. O goleiro El Shenawy precisou trabalhar apenas em cruzamentos. A intensidade brasileira era grande, embora os egípcios tenham chegado com certo perigo aos 13. Numa bola espirrada pela defesa, Akram Tawfik cabeceou no susto e mandou a bola ao lado da trave de Santos. A primeira finalização canarinho surgiria aos 16, num ataque rápido que Antony chutou sem direção.

O abafa do Brasil se seguia, com as jogadas fluindo mais pela direita. Faltavam espaços para bater. Quando Antony conseguiu servir Matheus Cunha, o atacante não dominou e deixou a bola passar. O jogo perdeu um pouco de ritmo após atendimento a El Shenawy, aos 20 minutos, e a Seleção acabava deixando a bola escapar nas imediações da área. Quando a tabela saiu, a defesa egípcia cortou parcialmente e a sobra ainda ficou com Richarlison. O atacante encheu o pé e, com desvio, carimbou o peito de El Shenawy.

No momento em que Richarlison começou a aparecer pela esquerda, o Brasil cresceu na primeira etapa. O atacante faria uma jogadaça aos 34, com direito a caneta, mas Matheus Cunha bateu travado e Douglas Luiz mandou para fora no rebote. Todavia, o camisa 10 criaria o lance do primeiro gol, aos 37. Acionado por Claudinho, Richarlison pedalou diante da marcação e rolou na medida para Matheus Cunha na entrada da área. Com muita calma, o centroavante acertou desta vez, ao dominar e chutar no canto. A Seleção permaneceu no mesmo ritmo no fim da primeira etapa, com o Egito abusando das faltas. Numa dessas, Claudinho arranjou uma cobrança frontal. Douglas Luiz assustou e arrematou ao lado da trave.

Na volta para o segundo tempo, o Brasil precisou de segundos para se incendiar novamente. Depois de uma jogadaça de Antony, com direito a elástico, Claudinho bateu para fora. Depois, seria a vez de Matheus Cunha sair na cara do gol e dar um toquinho na saída do goleiro, mas El Shenawy salvou com o rosto. O centroavante, entretanto, sentiu lesão na arrancada e precisou deixar o campo. Paulinho entrou em seu lugar, com Richarlison deslocado ao comando da linha de frente. Em sua primeira jogada, Paulinho serviria uma linda bola para Guilherme Arana, que invadiu a área e foi barrado por El Shenawy.

O Brasil não diminuía, na sede por resolver a partida. Antony era brilhante e, num giro sensacional, iniciou a jogada em que Douglas Luiz cruzou um pouco à frente de Richarlison, sem que o atacante concluísse. Logo depois, aos 14, o próprio Douglas Luiz chutou da intermediária e mandou para fora. A defesa ainda desarmou na pequena área um passe de Claudinho a Richarlison. O Egito faria suas duas primeiras trocas aos 17 e prometia uma postura mais ofensiva. Enquanto isso, Jardine renovou o gás do ataque aos 20, com Reinier e Malcom nas vagas de Claudinho e Antony.

O segundo gol seria importante para evitar qualquer risco ao Brasil e Paulinho poderia ter feito aos 22, em escapada pela direita na qual chutou em cima de El Shenawy. Do outro lado, o Egito se soltava mais e começava a pisar mais vezes na área brasileira, mesmo que sem concluir as jogadas com tanto risco. Quando Sobhi assustou aos 27, estava impedido. A resposta viria com duas escapadas de Paulinho, sem sucesso. A partir dos 30, o Brasil conseguiu gastar mais o tempo e administrar a bola no campo de ataque, com boa participação de Bruno Guimarães na cadência. Além disso, os egípcios seguiam duros nas faltas.

O final da partida guardaria seus riscos ao Brasil. Por volta dos 40, o Egito ensaiou uma pressão e passou a confiar mais nas bolas alçadas na área. A defesa do Brasil, porém, não permitia espaços às finalizações. Quando Salah Mohsen chutou da intermediária, Santos não deu nem rebote. Os últimos minutos ficaram um pouco mais picados, com uma dose maior de nervosismo e poucos lances efetivos. Nos acréscimos, Richarlison deu lugar a Gabriel Menino para gastar tempo, até que o apito final soasse logo depois.

O Brasil chega à oitava semifinal olímpica de sua história e buscará a sétima medalha no futebol masculino. O retrospecto é ótimo, com as seis medalhas anteriores acumuladas nas sete aparições dos brasileiros no torneio desde 1984 – um ouro, três pratas e dois bronzes. A Seleção volta a campo na próxima terça-feira, às 5 horas, enfrentando México, que goleou a Coreia do Sul. Do outro lado da chave, Japão e Espanha se encararam por uma vaga na final.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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