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COB vai à Justiça após quebra de protocolo da CBF no pódio do futebol

CBF instruiu jogadores a não vestirem o agasalho do Time Brasil, do COB, como é regra para todos os países na Olimpíada; COB repudia atitude da CBF

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) repudiou a atitude da CBF por instruir seus jogadores a não vestirem o agasalho do Time Brasil na cerimônia de entrega das medalhas, no pódio. O Brasil venceu a Espanha por 2 a 1 na prorrogação e conquistou a medalha de ouro, segunda consecutiva depois do título na Rio 2016. Ao contrário de todos os atletas olímpicos brasileiros que subiram ao pódio, os jogadores da seleção masculina de futebol estavam com os agasalhos amarrados na cintura, em uma atitude ridícula. O que a CBF fez foi pensar em si e dar de ombros para o esporte olímpico. Mais do que o desrespeito, uma quebra de protocolo que é combinada. Como dizem, o combinado não sai caro.

“O Comitê Olímpico do Brasil repudia a atitude da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e dos jogadores da seleção de futebol durante a cerimônia de premiação do torneio masculino”, diz o comunicado, divulgado na madrugada deste domingo. “No momento, as energias do Comitê estão totalmente voltadas para a manutenção dos trabalhos que resultaram na melhor participação brasileira na História das Olimpíadas. “Por este motivo, apenas após o encerramento dos Jogos o COB tornará públicas as medidas que serão tomadas para preservar os direitos do Movimento Olímpico, dos demais atletas e dos nossos patrocinadores”, afirma ainda a nota.

A determinação do COB, e do COI, é que os atletas subam ao pódio vestindo o uniforme aprovado para cada comitê olímpico. No caso do Brasil, o uniforme do Time Brasil, do COB, é da empresa chinesa Peak. A CBF insistiu em vestir a camisa de jogo no pódio, com a marca da Nike, sua patrocinadora desde 1997. Os jogadores estavam com a calça do uniforme, mas amarraram o blusão na cintura. No peito, a camisa era a de jogo, da Nike.

Ao UOL, a CBF informou que “não foi noticiada da exigência em questão”. Um cinismo que infelizmente não surpreende de uma entidade que nunca teve espírito olímpico. Basta lembrar que em 1996, a seleção brasileira sequer ficou para a cerimônia de entrega das mealhas. A CBF pediu ao COI para adiantar a premiação para o dia anterior, recebeu as medalhas e foi embora. O pódio olímpico de 1996 teve Nigéria, com o ouro, Argentina, com a prata, e um representante do Brasil, sozinho. Os jogadores voltaram. Um péssimo exemplo do que fazer.

Durante a cerimônia de encerramento, na Globo, Galvão Bueno criticou ao vivo a postura da seleção brasileira. “Enaltecer a conquista do bicampeonato olímpico no futebol ontem, mas lamentar a atitude tomada. Gostaria muito de saber de onde partiu a decisão de não usar o uniforme inteiro do Comitê Olímpico Brasileiro, de amarrar na cintura o casaco e usar a camisa do uniforme da Confederação Brasileira de Futebol. Profundamente lamentável a atitude do futebol. Não sei de quem partiu. Vou seguir buscando quem seria o responsável por isso”, disse o narrador. A instrução partiu da CBF, segundo relataram os jogadores. É ela a responsável por esse papelão olímpico, cheio de mesquinharia e sem nenhum espírito olímpico.

Ao ge.globo, Jorge Bichara, diretor de esportes, disse com todas as letras que a questão será resolvida na Justiça. “O COB está satisfeito com o desempenho do futebol, conquistamos o bicampeonato olímpico. Estamos extremamente satisfeitos com a performance da equipe, mas lamentamos a atitude dos atletas no pódio. Lamentamos a atitude da Confederação Brasileira de Futebol na condução do caso. Agora, ele sai da esfera esportiva e entra em uma esfera jurídica que vai ser inserida pela área jurídica”, afirmou o dirigente. A história promete novos capítulos.

Houve a especulação que o COB poderia cortar a premiação dos atletas do futebol masculino por causa do episódio. Modalidades coletivas com mais de seis atletas, como o futebol, recebem um prêmio total de R$ 750 mil pela medalha de ouro, que é dividido entre os jogadores.

O presidente do COB, Paulo Wanderley, afirmou ao ge.globo que não haverá corte na premiação. “Viemos para cá com a promessa de que, em caso de medalha, teria a premiação. Não vamos mudar isso. Mas vamos ver outras consequências depois da nossa atuação específica em relação a esse tema”, disse.

A CBF descumpriu um protocolo internacional, que vai além do COB. A Peak pode processar o COB pela quebra de contrato, assim como o COI. Por isso, a disputa entre COB e CBF deve ter mais capítulos. Uma atitude mesquinha e pequena da CBF, que aumenta a rejeição não só à entidade, enorme e justificada, mas ao futebol masculino na Olimpíada, que parece alienado do que acontece nos outros esportes olímpicos.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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