Olimpíadas

Brasil massacra no primeiro tempo, toma susto no segundo, mas vence em grande estreia contra a Alemanha

Depois de abrir 3 a 0 no primeiro tempo, Seleção sofre dois gols no segundo tempo, mas consegue matar o jogo no final para estrear com vitória

A estreia da seleção masculina de futebol em Tóquio 2020 foi em grande estilo. Diante da Alemanha, os brasileiros fizeram 3 a 0 ainda no primeiro tempo e praticamente decidiram a partida. Depois, administraram, ainda levaram um gol, mas venceram por 4 a 2. Richarlison fez três gols e foi o grande destaque da partida. E poderia ter feito ainda mais. A seleção brasileira desperdiçou muitas oportunidades, especialmente no primeiro tempo, que poderiam ter construído até uma goleada. Sem matar o jogo, o Brasil abriu 3 a 0, mas deixou a Alemanha se recuperar, diminuir para 3 a 2 e complicar o jogo. Foi só nos acréscimos da partida que a Seleção matou o jogo.

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O time teve pela primeira vez todos os jogadores convocados, já que no último amistoso ainda não tinha nem Douglas Luiz, nem Richarlison e nem Malcom. Os dois primeiros foram titulares. Douglas Luiz fez dupla com Bruno Guimarães no meio-campo, com Richarlison no ataque ao lado de Matheus Cunha. Para se aproximar deles, Anthony pela direita e Claudinho pela esquerda. O jogador do Red Bull Bragantino foi quem acabou deslocado para o lado para acomodar Richarlison, que tinha liberdade para se movimentar pelo meio.

Primeiro tempo em que 3 a 0 saiu barato

O Brasil começou levando perigo. Em um bom lance para Richarlison, o atacante do Everton finalizou, mas o goleiro conseguiu defender e mandar para escanteio. Só que na segunda vez, não teve jeito. Antony fez um lindo passe enfiado para Richarlison, que recebeu com liberdade, de frente para o goleiro, e chutou forte. O goleiro alemão rebateu e Richarlison, no rebote, marcou: 1 a 0 para o Brasil, logo a sete minutos.

Aos 14 minutos, o Brasil desperdiçou a chance de ampliar. Richarlison recebeu livre, avançou e tentou driblar o goleiro, mas foi para o lado onde tinha um zagueiro, se enrolou e não conseguiu finalizar. Acabou travado. Uma grande chance perdida pelo Brasil de ampliar.

Em uma bela enfiada de bola pela esquerda, Guilherme Arana recebeu em profundidade, foi até a linha de fundo e cruzou para a área. Richarlison, sem marcação, fez 2 a 0.

O Brasil era muito perigoso sempre que ia ao ataque e aumentou a conta pouco depois. Claudinho tocou para Matheus Cunha, que avançou e tocou para Richarlison na esquerda. Ele ajeitou e tocou colocado, no canto, e marcou um golaço. Aos 29 minutos, o Brasil já tinha um 3 a 0 no placar.

Richarlison comemora com Antony e Claudinho o gol do Brasil (CBF)

Já nos acréscimos, Daniel Alves cruzou para a área, Matheus Cunha cabeceou e a bola tocou no braço de Felix Uduokhai. Um pênalti muito rigoroso, porque o jogador alemão de fato estava com o braço aberto, mas não estava levantado e ainda estava de costas. Só que o árbitro, Ivan Arcides Barton Cisneros, de El Salvador, atendeu às reclamações dos jogadores brasileiros.

Na cobrança do pênalti, Matheus Cunha cobrou forte, firme, no canto, mas o goleiro alemão Florian Müller fez uma grande defesa. Antes do apito para o intervalo do jogo, Cunha ainda recebeu uma bola em profundidade e teve a chance de desta vez marcar, mas acabou chutando para fora, em meio à pressão. Veio então o fim do primeiro tempo.

Alemanha se reorganiza no segundo tempo

A Alemanha voltou postada de outro modo defensivamente, tentando se proteger do forte ataque brasileiro. Tirou Amos Pieper e colocou Jordan Torunarigha, sacando também o jogador que sofreu para marcar Richarlison e tinha tomado cartão amarelo.

O time brasileiro seguia mandando no jogo e perdeu uma ótima chance. Matheus Cunha foi lançado na direita e cruzou para Claudinho, que tinha uma grande chance. Ele bateu de primeira, mas errou por muito e mandou para fora.

Aos 11 minutos do segundo tempo, a Alemanha diminuiu. Richer arriscou de fora da área, a bola explodiu no zagueiro Nino e sobrou para Nadiem Amiri, que bateu de primeira, no alto, e a bola pingou na frente do goleiro Santos, que falhou: 3 a 1.

O jogo entrou em um estado de mais tranquilidade, com o Brasil ficando um pouco mais com a bola, mas sem tanto ímpeto. Até com alguma facilidade, o time chegava ao ataque, mas pareceu preciosista para finalizar. Desperdiçava os ataques e não matava o jogo.

Aos 17 minutos, a Alemanha ficou com uma missão ainda mais complicada. Arnaldo teve um choque de joelho com Daniel Alves. O árbitro foi muito rigoroso, mais uma vez, e deu o cartão amarelo ao alemão. Como ele já tinha recebido no primeiro tempo, acabou expulso. Com um jogador a menos, seria uma missão espinhosa tentar uma reação.

O técnico alemão reorganizou o time em um 5-4-1 para bloquear os ataques brasileiros e, além de não sofrer mais gols, continuar tendo chances no ataque. André Jardine mudou o time, com a saída de Claudinho e a entrada de Malcom.

Antony ainda teve uma chance de marar em um lance que teve liberdade para finalizar e, da entrada da área, bateu colocado, mas mandou fora. Jardine mudou mais dois jogadores: colocou Paulinho e Reinier nos lugares de Antony e Richarlison. Já parecia até uma forma de descansar os jogadores em uma partida que parecia controlada.

Só que as coisas se complicaram. Em um cruzamento do lado esquerdo, Ragner Ache apareceu no meio da área para subir muito bem, tocar de cabeça e marcar o segundo gol alemão: 3 a 2. Com 39 minutos de jogo, a partida voltou a ficar aberta, o que parecia improvável.

O Brasil, enfim, conseguiu matar o jogo no final. Depois de desperdiçar diversos contra-ataques, Paulinho recebeu um passe em profundidade, partiu no mano a mano com Torunarigha e, de pé direito, mandou no ângulo: golaço do camisa 7 brasileiro e alívio, aos 49 minutos do segundo tempo.

Com a vitória, o Brasil larga bem na Olimpíada de Tóquio, mas fica a lição de um jogo que poderia ter sido tranquilo o tempo todo e com uma vantagem ainda maior. Os números nem sempre refletem o que foi o jogo, mas eles são ótimos instrumentos quando olhados com a perspectiva do jogo que a Seleção fez: 24 finalizações, 13 delas no gol. Foram algumas grandes chances que o Brasil perdeu. Nesta estreia, acabou não fazendo falta. É preciso aprimorar para que não faça falta em outros jogos.

O próximo jogo da equipe dirigida por André Jardine é no domingo, dia 25, 5h30 da manhã (haja coração, amigos). A Alemanha volta a campo no mesmo dia 25, mas às 8h30. 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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