Olimpíadas

Brasil foi bem em empate com a Costa do Marfim em jogo de poucos espaços

Em um jogo que passou a maior tempo com um jogador a menos em campo, seleção brasileira sentiu o tipo de dificuldade que deve ter mais à frente

O segundo jogo da seleção brasileira masculina de futebol na Olimpíada de Tóquio 2020 acabou em empate. Depois de vencer bem a Alemanha por 4 a 2 na estreia, o Brasil ficou no 0 a 0 com a Costa do Marfim, novamente no estádio de Yokohama. O time brasileiro ficou com um jogador a menos a maior parte do tempo, o que fez com que a estratégia tivesse que mudar. Mesmo com um jogador a mais, os marfinenses não deram espaços para os contra-ataques dos brasileiros, que foram mortais contra os alemães.

O resultado acaba sendo melhor para o Brasil que a Costa do Marfim. Os brasileiros enfrentam a Arábia Saudita na última rodada, na quarta-feira, enquanto a Costa do Marfim tem pela frente a Alemanha. Os alemães vão fazer um jogo por classificação, o que torna mais perigoso para os africanos. Os sauditas são os mais fracos do grupo, então o Brasil não teve ter dificuldades em vencer e ficar em primeiro lugar.

Os times em campo

O técnico André Jardine manteve o time que jogou o primeiro jogo. O esquema tático também foi o mesmo: um 4-4-2, com Richarlison e Matheus Cunha no ataque, Claudinho pela esquerda, e Antony pela direita, fechando o meio-campo sem a bola e chegando ao ataque quando em posse.

Já a Costa do Marfim teve duas mudanças no seu 11 inicial. Entre os volantes, saiu Idrissa Doumbia, entrou Kouassi Eboue. No ataque, também mudou: saiu Cristian Koumé, entrou Youssouf Dao.

Primeiro tempo

Logo a três minutos, em uma bola longa, Max Gradel foi lançado, Daniel Alves não conseguiu cortar e o atacante, capitão da Costa do Marfim, chutou com perigo, mas mandou fora. Os marfinenses entraram em campo bastante fechados, não dando ao Brasil o espaço que a Alemanha deu em contra-ataques, algo que a seleção brasileira é muito eficaz.

Com 15 minutos, um lance importante. Lançamento para Youssouf Dao nas costas de Douglas Luiz, que falhou e fez a falta. O árbitro Ismail Elfath, dos Estados Unidos, deu cartão amarelo. Só que o VAR chamou o árbitro, que revisou o lance e mudou a cor do cartão: o volante brasileiro recebeu o cartão vermelho. Foi uma decisão rigorosa da arbitragem, mas compreensível. O lance é discutível e ficou no limite.

Inicialmente, Jardine colocou Gabriel Menino para aquecer, mas o treinador desistiu de mudar. Mesmo com um jogador a menos, a Seleção mantinha um jogo mais controlado no meio-campo. Para isso, Claudinho veio para o meio, ajudando Bruno Guimarães.

Com um jogador a menos, a seleção brasileira recuou um pouco para tentar sair em contra-ataques, sua especialidade. A Costa do Marfim tocava a bola com paciência, procurando os espaços.

Os marfinenses chegavam mais ao ataque, chutavam mais a gol e levaram mais perigo. Mas o Brasil conseguiu um contra-ataque perigoso no final. Em uma roubada de bola no campo de defesa, o Brasil saiu em velocidade, com três contra um. Só que Matheus Cunha se precipitou, passou para Richarlison, que estava cercado e o contra-ataque se perdeu. O time se enrolou no ataque, que não resultou nem em finalização.

Segundo tempo

O Brasil começou bem o segundo tempo, indo mais ao ataque, ficando com a posse de bola e tentando criar as jogadas. Aos nove minutos, Claudinho fez um lindo passe para Matheus Cunha, que pouco antes da finalização, Kouassi fez o corte.

Aos 16 minutos, a Seleção chegou com muito perigo de novo. Bruno Guimarães cruzou da direita para Matheus Cunha e cabeceou firme, mas no meio do gol. Defesa tranquila para o goleiro Eliezer Ira Tape.

O jogo era equilibrado, mas havia pouco espaço dos dois lados. A Seleção atacava muito pela direita, com Antony, que partia na jogada individual contra os adversários, mas o time não conseguia finalizar.

Aos 29 minutos, Jardine fez duas mudanças: colocou em campo Malcom e Gabriel Martinelli e tirou Antony e Matheus Cunha, que fez outro jogo sem brilho, ainda que aparecendo muito. Pouco depois, entrou também Paulinho no lugar de Richarlison.

Com 35 minutos, a Costa do Marfim também ficou com um jogador a menos. Eboue Kouassi fez falta sobre Martinelli e tomou o segundo cartão amarelo. Assim, os dois times passaram a ter um jogador a menos.

O Brasil quase chegou ao gol aos 36. Daniel Alves acionou Malcom, que avançou e tocou para Claudinho. De fora da área, chutou bem, colocado, mas a bola foi fora. Até o fim do jogo, o Brasil foi quem mais atacou, tentou os lances, especialmente com Malcom, mas no fim não saiu o gol.

Lições aprendidas

O saldo foi que o Brasil foi melhor na maior parte do tempo, especialmente na segunda etapa da partida. O que fica da partida também é que os times raramente darão chance do Brasil atacar em velocidade, como gosta. O time é moldado para ser mortal em contra-ataques, mas provavelmente veremos mais vezes o time ter que criar com a defesa adversária bem organizada, bem armada e bem posicionada. Correr com a bola não deve ser opção na maior parte das vezes.

Tem também a participação de Claudinho. O meia rendeu muito mais quando foi deslocado para o meio, depois da expulsão de Douglas Luiz. Por ali, o jogador do Red Bull Bragantino rende mais, é mais perigoso e criou mais jogadas. É algo que André Jardine precisará pensar mais para o próximo jogo. Pode ser um caminho mais interessante do que deixá-lo deslocado no lado esquerdo.

Matheus Cunha, mais uma vez, foi muito participativo e brigou muito, mas não foi preciso nas finalizações. É claramente um bom jogador, que ajuda o time, mas preciso melhorar nesse quesito que é fundamental para a sua posição.

Contra a Arábia Saudita, o Brasil deve ter mais facilidade em termos técnicos. Mas será importante aprimorar o time para criar e aproveitar mais as chances. Especialmente porque os adversários que podem vir do outro lado certamente vão se defender bem e fechar os espaços. Ficando em primeiro lugar, enfrentará o segundo colocado do Grupo C, que tem Austrália, Argentina, Espanha e Egito. Seja quem for, tende a ser difícil.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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