União entre as nacionalidades latinas no elenco do América tenta derrubar favoritismo do Real
Entre esta quarta e quinta-feira, os finalistas do Mundial do Clubes já começam a ser revelados. No duelo entre Atlético Nacional e Kashima Antlers, os campeões da J-League levaram a melhor e garantiram a vaga inédita na grande decisão, feito raro se tratando até de times japoneses no geral. Fica faltando, porém, o resultado entre Real Madrid e América do México para que se conheça o adversário da já classificada equipe. E para a última semifinal, os merengues vão como favoritos, claro, embora contem com destaques. É preciso, no entanto, reconhecer que os vencedores da Liga dos Campeões da Concacaf têm seus pontos fortes, e que é justamente a união entre as seis nacionalidades latinas presentes no elenco que ergue essa força.
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Embora o Real Madrid ganhe do América no quesito pluralidade de nacionalidades, com jogadores de 11 países diferentes da Europa e das Américas, a questão de estrangeiros nos times americanos relacionada a das equipes europeias de grande porte deve ser levada em consideração. As Águilas se destacam por terem presente em seu elenco uma diversidade latina muito grande. Começando pelo cume da hierarquia entre comissão técnica e atletas, o treinador Ricardo la Volpe, que é um dos quatro argentinos do time da capital mexicana. Entre os técnicos do Mundial, La Volpe é que tem o maior currículo (são 15 equipes já comandadas, contando com o América, sendo duas delas seleções nacionais) e o maior tempo de experiência. É, também, o que tem as ideias, digamos, mais ousadas.
Depois de exatas duas décadas desde a última vez que esteve no clube da Cidade do México, o argentino voltou este ano, em setembro, para disputar o Campeonato Apertura, que havia começado pouco tempo antes. Além dele, chegou para a temporada seu compatriota Silvio Romero, atacante que veio do Chiapas. Foi graças a ele, inclusive, que o América conseguiu passar por cima do Jeonbuk Motors nas quartas de final do Mundial para enfrentar o Real Madrid na penúltima etapa. Romero foi o autor dos dois gols na vitória de 2 a 1 sobre os sul-coreanos, que não conseguiram passar mais vezes pela defesa composta por outro argentino na equipe mexicana, o ótimo zagueiro Paolo Goltz. Para completar a safra argentina, o América conta também com o Rubens Sambueza. O meia foi simplesmente o melhor jogador da Liga dos Campeões da Concacaf de 2015/16, da qual saíram campeões.
Mas não há país mais representado no clube mexicano do que o Paraguai. E bem representado. Dos quatro paraguaios presentes no elenco, todos são titulares. Um deles, a propósito, alguém de quem o torcedor do Cruzeiro se lembra bem. Miguel Samudio, o lateral esquerdo raçudo que ajudou os mineiros a avançarem para as quartas de final da Libertadores de 2014 com um gol no último minuto (do jogo de ida, em casa). No esquema de cinco defensores que La Volpe adotou no jogo ante ao Jeonbuk, Samudio foi um dos três jogadores naturais do Paraguai optados pelo técnico. Os outros dois são Pablo Aguilar e Bruno Valdez, ambos zagueiros de origem, porém o último deles atuou como lateral direito no torneio até então. Mais para frente no esquema tático do América, se posiciona o meia Osvaldo Martínez, o camisa 10 do time mexicano.
Dos equatorianos, temos Michael Arroyo, o ponta esquerda que substituiu Edson Alvaréz na segunda etapa do jogo das quartas de final e em dez minutos em campo mudou o rumo da partida. Foi ele quem cruzou a bola na área para Romero igualar o placar, que até os 13 minutos do segundo tempo era de 1 a 0 para o Jeonbuk. E o meia Renato Ibarra, um dos reforços desta temporada, chegando ao México depois de cinco anos no futebol europeu. Da Colômbia, o América conta com Darwin Quintero, o atacante das assistências. E do Brasil, o único representante no meio dos 11 latinos não-mexicanos presentes no elenco é o meia William da Silva, revelação do Palmeiras na Copa São Paulo de Juniores de 2004 que teve que se afastar do futebol por um tempo em função de problemas cardíacos, mas que hoje joga com frequência na Liga Mexicana.
No México, ainda que seja comum a política de estrangeiros, não há equipe mais diversa neste sentido do que o América. Portanto, é a vasta diversidade latina das Águilas que vai tentar derrubar o favoritismo do Real Madrid de Zinedine Zidane, invicto há 35 jogos, na semifinal do Mundial de Clubes. Diversidade esta que revela muitas similaridades entre os jogadores. As mais palpitantes delas com certeza são a raça e a garra sul-americanas, que vão ser fatores muito importantes tanto no jogo ofensivo quanto no defensivo contra os merengues. Além da condição motivacional movida pelo fato deste ser o ano em que o América completa 100 anos de existência, que faz a vontade de ser o primeiro clube mexicano a alcançar a final do Mundial ser ainda mais intensa.



