Argentina

E se os times passassem a atuar com 10 jogadores? É o que propõe La Volpe

De acordo com a Fifa, a formação dos times de futebol como nós conhecemos hoje, com 11 jogadores em campo defendendo cada um dos dois lados, teve origem lá na Inglaterra. A história confirmada pela entidade é que 11 era o número de atletas nos times da Universidade de Cambridge, que foi a pioneira na definição das regras básicas do jogo. Embora as classes tivessem apenas dez estudantes, os times eram completados por uma 11ª pessoa: o inspetor de alunos, para quem restava a tarefa de proteger o gol. E esse é o padrão que vem sendo adotado desde o século 19. Eis que hoje, dois séculos depois, o técnico argentino Ricardo La Volpe pensou em algo que, segundo ele, melhoraria o esporte. A ideia? Subtrair um jogador da regra de 11 para cada time.

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“Os sistemas de jogo mudaram muito. Nos anos 80, os laterais só iam até a metade do campo. Hoje em dia, eles percorrem o campo todo. Tem que haver mais espaços. Por esse motivo, vou mandar uma carta à Fifa pedindo que os times passem a jogar com 10 atletas”, afirmou ao jornal Olé o treinador que enquanto goleiro da seleção argentina, se consagrou campeão do mundo em 1978. Segundo ele, essa “simples” mudança permitiria que as equipes se trancassem menos e recuperaria o espetáculo no futebol, que ultimamente tem colocado o estado físico dos jogadores acima da técnica. “Cada vez mais se joga com velocidade e cada vez menos há tempo para, de fato, executar”, acrescentou.

La Volpe aproveitou o ensejo para falar também sobre o Atlético de Madrid de Simeone. “El Cholo faz um trabalho muito interessante, porém difícil de ser executado. Ele ensina que a marcação por zona pode ser agressiva, e não passiva. O Atlético nunca teria parado onde parou o Bayern na jogada de Griezmann que empatou o jogo em Munique, na semifinal da Champions”, falou o treinador que hoje comanda o Chiapas do México, antes de opinar que o estilo de jogo tem que fazer um time forte em campeonatos extensos, mas que nas copas a melhor coisa a se fazer é apelar à estratégia.

Como técnico, o argentino tem uma carreira de 34 anos, trilhada, basicamente, no futebol mexicano. Teve passagens sem muita expressão por clubes como Toluca, Monterrey e América, além de ter comandado duas seleções e três clubes argentinos. No Boca Juniors, perdeu o campeonato nacional em 2006 por ter deixado o Estudiantes de La Plata alcançar o time xeneize na tabela, na qual estava com uma vantagem de quatro pontos faltando duas rodadas para o fim da competição.

O ex-goleiro é conhecido por ter promovido uma técnica peculiar de saída de bola, apelidada de “saída lavolpiana”, que, em um esquema tático com quatro jogadores na linha de trás, consiste na abertura dos dois defensores centrais para as laterais e permite a subida dos laterais à linha de meio de campo. A inspiração, inclusive, foi incorporada no Barcelona de Pep Guardiola e chegou a ser um dos pilares do time por algum tempo. Além do mais, a ideia de mandar uma carta à Fifa pedindo que os times reduzam o número de jogadores titulares, por mais maluca que possa ser, vinda dele, não é tão absurda assim, já que o técnico costuma ser bastante polêmico em seus discursos.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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