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Taiti nos lembra por que amamos o futebol

Durante a Copa das Confederações, a Trivela tem se comprometido a fazer análises e relatos sobre os jogos, incluindo estatísticas, questões táticas, coisa e tal. Entretanto, para Taiti e Nigéria, isso soaria vazio, óbvio e não refletiria todo um sentimento envolvido no duelo.

O fato da Nigéria ter marcado 6 gols não surpreende ninguém.

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O que chamou a atenção de todos foi justamente o momento do jogo em que Jonathan Tehau subiu mais que a defesa e testou para o fundo das redes. Era a representação clara do mais fraco tendo a sua chance de brilhar. Vai dizer que você daria alguma chance para um time com dez amadores e apenas um profissional? Contra a campeã africana?

Era um coquetel que tinha tudo para dar errado. Sim, deu errado, mas com uma grande dose de honra. É um time que contrasta muito com o que vemos no cotidiano. Jogar futebol por diversão ou como forma de fazer sua nação ser conhecida ao redor do planeta foi algo que o Taiti fez bem, muito bem.

Resgatar o orgulho e provar que até os fracos têm vez foi a maior conquista dos taitianos no Mineirão, mesmo levando seis gols no restante do jogo. O futebol é muito mais do que o placar, um gol de cabeça ou uma assistência. É a entrega, a comoção a que a torcida e os jogadores estão envoltos. A paixão que move muito mais do que a vontade de ganhar. O Taiti não deixou de suar sangue em nenhum momento, apesar de saber que eram um chihuahua tentando derrubar um urso.

Um tweet do assessor de imprensa da federação taitiana fica eufórico ao ver o Mineirão gritar para apoiar o seu time:

Por incrível que pareça, o futebol permite que o chihuahua por vezes incomode, machuque ou até renda este urso. E é isso que o torna apaixonante. Pode ser que hoje os taitianos tenham falhado em tentar derrubar o adversário, mas a forma como brigaram conquistou todo o público. Em qualquer lugar que esta seleção mais do que humilde jogar nesta Copa das Confederações, a torcida estará ao seu lado.

Sobretudo, vimos uma prova de amor ao esporte. Quem diria que o jogo único da tarde na Copa das Confederações chamaria tanta atenção quanto realmente o fez. Que graça teria se o pequeno entrasse em campo sempre temendo a derrota para o grande, que emoção haveria em ver um massacre, não um duelo, por mais que as forças fossem tão descompensadas?

Esperamos nada menos que o Taiti volte a marcar e que não se incomode de balançar as redes de Espanha e Uruguai, que não seja uma só vez. Se for possível, uma vitória, aquela bem sofrida, 1 a 0 com gol de canela. Só para que teorias caiam por terra e que o futebol fique cada vez mais longe de ser uma ciência exata.

Para encerrar, mais um tweet do assessor taitiano, que foi postado logo após o primeiro gol da Nigéria. Sabendo disso, nos responda: como é possível que alguém não goste desse esporte?

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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