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Supervisor da Fifa explica o sistema de transferências e a correria do último dia da janela

Dois meses parecem mais do que o suficiente para que cada equipe europeia reforce como precisa seu elenco, mas se as janelas de transferências passadas nos ensinaram alguma coisa é que tem muita gente que deixa para a última hora as transações, e a necessidade por determinadas peças às vezes acaba forçando os clubes a gastarem bastante por aquele jogador importante no apagar das luzes. Prevendo que no atual mercado a história não será diferente, o jornal catalão Sport conversou com Mark Goddard, supervisor do sistema de transferências da Fifa, que explicou a metodologia por trás do dispositivo e revelou detalhes de como costumam ser as últimas horas de uma janela.

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Para explicar detalhadamente o funcionamento do processo de envio das informações de uma transferência para o banco de dados da Fifa, Goddard usou como exemplo duas das contratações recentes do Barcelona, Turan e Suárez. “Quando o Barcelona assinou com o Arda Turan, eles tiveram que enviar informações padronizadas para o sistema ITMS (Sistema Internacional de Administração de Transferências). Isso abarca desde a identidade do jogador até os detalhes do acordo pela transferência e o envolvimento do intermediário. O Atlético de Madrid, por sua parte, teve que enviar as mesmas informações. Uma vez que ambos os clubes tenham enviado isso, a transferência pode ser processada”, esclareceu.

Tudo precisa estar perfeitamente em sincronia, do contrário, a transferência não vai para a frente. “Pode dar errado. Digamos sobre quando o Barcelona contratou o Luis Suárez. Se eles tivessem enviado o valor da transferência em euros e o Liverpool em libras, os valores não teriam batido, e um problema seria sinalizado. Obviamente, as quantias, as datas, as moedas e tudo o mais precisam ser as mesmas. Uma vez que tudo corresponde, isso é enviado para as respectivas associações, e a transferência está finalizada.”

A tolerância com atrasos no envio dessas informações é igual à dos fiscais do Enem responsáveis pelos portões das escolas em que a prova é aplicada. Com tanto tempo para as negociações, a Fifa está pouco se lixando se os clubes se atrapalham e acabam atrasando um segundo sequer. “Não há dispensa para erros de digitação. Se você não consegue enviar o que você precisa para o sistema no prazo, então você é um idiota, me desculpe”, comentou Goddard.

“Nosso sistema é gerido por um computador, e sabemos como ele funciona. Então não estamos interessados em desculpas sobre por que eles não conseguiram registrar o acordo a tempo. Se você é organizado, as transferências podem levar dez minutos, uma vez que você já se acertou com os advogados, com os custos, os empresários… Registrar o acordo com o ITMS é uma das partes mais rápidas do processo”, explicou.

Deixar para a última hora, aliás, parece ser um movimento inevitável para maioria dos clubes. Goddard contou ao jornal catalão que, na última janela de verão, 400 transferências foram feitas no último dia, envolvendo 494 clubes. O valor movimentado na data derradeira foi de US$ 408 milhões, o que, segundo o supervisor da Fifa, representou 65% do total gasto pelas cinco principais ligas europeias naquele mercado de transferências. Com o prazo inflexível, o responsável pelo sistema nos clubes (cerca de 6500 contam com o programa, segundo Goddard) não pode errar: “Quem quer que seja, quando ele entra no sistema, terá um relógio com a contagem regressiva, dizendo quanto tempo tem para fazer a transferência. Todo administrador do sistema no clube tem um, com o relógio no fuso horário local, para que não haja desculpas. Eles têm até meia-noite, e é isso”.

Segundo Goddard, quando o sistema foi implementado, em 2010, houve uma série de reclamações dos clubes por não terem conseguido registrar transferências a tempo, mas eles não tiveram sucesso na contestação. O supervisor conta que os protestos do tipo são cada vez mais escassos, já que está muito bem estabelecido que é assim que a coisa funciona e não há exceção para ninguém. Você esperaria que isso fizesse os clubes serem mais ágeis, mas quer apostar quanto que haverá um bocado de contratações importantes acontecendo no apagar das luzes mais uma vez?

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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