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Ex-Seleção ressalta raízes africanas para defender Vini Jr: ‘Luta sozinho contra o racismo’

Sonny Anderson e Claudio Caçapa ainda relevaram que se inspiram no atacante para buscar as origens no continente africano

Durante o fim de semana, Vinicius Junior esteve mais uma vez nos holofotes da Espanha por uma partida disputada pelo Real Madrid contra o Valencia, no estádio Mestalla.

Desta vez, o atacante brasileiro foi expulso ao empurrar o goleiro Dimitrievski, que acusou o jogador de ter simulado um pênalti. Vinicius saiu revoltado de campo e precisou ser segurado pelos seus companheiros.

Durante a partida, Vini foi intensamente provocado pela torcida do Valencia. É inevitável associar o episódio ao caso de racismo que o atual melhor jogador do mundo sofreu no mesmo estádio, com a mesma torcida, em maio de 2023 — o jogo foi interrompido na época.

A violência contra o atacante em Valência também marcou o estopim das denúncias contra o racismo sofrido por Vinicius Junior na Espanha. Tanto que o assunto entrou na pauta até de ex-jogadores da Seleção Brasileira

Foi o caso do ex-atacante Sonny Anderson, famoso por passagens por Monaco, Barcelona e Lyon entre o fim dos anos 90 e o início dos anos 2000. Ele disputou a Copa das Confederações de 2001 com o Brasil.

Anderson esteve presente num evento com outros ex-jogadores brasileiros no Camarões e deu entrevista exclusiva ao portal “Afrik Foot” para falar de Vinicius Junior.

Acho que o Vinicius luta sozinho demais na questão do racismo. As autoridades estão atrasadas. Porque há motivos para preocupação com a evolução da situação, apesar de estarmos em 2025. Antes, eram principalmente os africanos as vítimas do racismo. O brasileiro não era necessariamente considerado um jogador negro, mas sim um “brasileiro”. Acabou agora. Na verdade, somos jogadores negros. As nossas origens estão aqui, em África. E é hora de abordar o racismo com sanções duras — desabafou o ex-atleta.

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Os brasileiros do Lyon em 2002: Juninho, Edmílson, Sonny Anderson e Claudio Caçapa (Foto: Imago)

Vini Jr motiva ex-jogadores a buscarem raízes africanas

Sonny Anderson também revelou se inspirar em uma das atitudes de Vini. Numa campanha em parceria com a CBF, o atacante do Real Madrid descobriu em novembro de 2024 que seus ancestrais mais distantes vêm da tribo Tikar, em Camarões.

A revelação veio através de um teste de DNA realizado pela entidade African Ancestry, o que despertou o interesse do ex-artilheiro do Lyon.

— Quero fazer (o teste de DNA) quando voltar à França, onde moro. Acho que sou dos Camarões. Quando vi todos esses rostos aqui (em Camarões), pensei ter visto meu falecido pai. No entanto, ele nunca nos disse de onde veio. Mas sabemos que a escravidão no Brasil começou aqui. O primeiro escravo a chegar a Salvador por volta de 1800 foi um camaronês! Vou perguntar para minha mãe quando voltar — disse o atacante ao “Afrik Foot”.

O ex-zagueiro Claudio Caçapa, que também esteve presente no país africano, falou sobre o mesmo assunto ao portal.

— Na verdade, discuti muito o assunto com minha esposa e minha filha em torno da ideia de visitar Camarões. Está acontecendo agora, estou aproveitando ao máximo. E seria uma boa ideia fazer o teste de DNA quando chegar em casa. Vinicius abriu uma porta. Se sou de origem camaronesa ou de um país vizinho, ficaria feliz porque somos uma família — disse Caçapa.

Caçapa, que foi revelado pelo Atlético-MG, também fez sucesso no Lyon e vestiu a camisa da Seleção Brasileira entre 2000 e 2001.

Foto de Diogo Magri

Diogo MagriSubcoordenador de conteúdo

Jornalista nascido em Campinas, morador de São Paulo e formado pela ECA-USP. Subcoordenador da Trivela desde 2024. Cobri Copa América, Copa do Mundo e Olimpíadas no EL PAÍS, eleições nacionais na Revista Veja, fui editor de conteúdo nas redes sociais do Futebol Globo CBN e também estive na coordenação da PL Brasil.

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