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Reaproximação em jogo: EUA e Cuba se enfrentam em amistoso pela primeira vez desde 1947

Futebol e questões políticas sempre andaram lado a lado. Não há como desassociar uma coisa da outra. Uma das maiores provas disso é a relação conturbada que Estados Unidos e Cuba mantinham até o final de 2014 e como ela influenciou na prática dos esportes entre os dois países. Durante o longo período desde que o laço diplomático entre os norte-americanos e cubanos foi rompido, em 1961, as duas nações só duelaram uma contra a outra em campo uma única vez. No entanto, graças à flexibilidade dos governos de Raúl Castro e Barack Obama, esse vínculo político-econômico está, gradativamente, sendo reatado. Depois do beisebol, agora é a vez do futebol dar um passo a nível internacional pela reconciliação entre essas duas nações tão diferentes em todos os aspectos.

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Na última quinta-feira, a Federação de Futebol dos Estados Unidos anunciou que no dia 7 de outubro deste ano, a seleção americana viajará a Havana para um amistoso contra a equipe nacional de Cuba. Ou seja, os EUA voltarão a abrir, após quase sete décadas, a porta de “seu quintal” para um jogo amistoso do esporte que mais aproxima culturas e dissipa barreiras. Em 2008, os dois times se enfrentaram em partida válida pela penúltima fase das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, realizada no país da América Central. Na ocasião, os norte-americanos levaram a melhor, vencendo os cubanos por 1 a 0 e avançando à final. Porém, naquela época, a ideia de reaproximação ainda não se passava pela cabeça de ambos os chefes de estados, visto que os dois estavam em período de ascensão ao poder. Isto é, o confronto, apesar de não ter tido emoção alguma entre as quatro linhas, ainda tinha uma atmosfera sobrecarregada em função dos bastidores.

Ano passado, além do New York Cosmos, equipe que compete na NASL (equivalente à segunda divisão do campeonato americano) também foi à capital cubana para enfrentar o time do país. Em ambos os esportes, os Estados Unidos se saiu melhor. Desta vez, o significado do confronto será ainda maior por conta das circunstâncias políticas em andamento e de se tratar de um jogo entre seleções nacionais. “Nós estamos contentes de ter essa chance de levar nosso time à Cuba”, afirma o comandante técnico da equipe dos Estados Unidos, Jürgen Klinsmann, sobre a partida de outubro. “Além da expectativa de irmos bem nas competições, estamos sempre esperando que nosso grupo possa ter experiências diferentes, e essa certamente é uma oportunidade única”, disse.

O amistoso será realizado no estádio Pedro Marrero, o segundo maior da ilha, e ainda não tem hora marcada. Embora o jogo seja um importante estágio nessa retomada progressiva de afinidade política entre os países, ainda falta muito para que a relação volte a ser como era antes das decorrências da Revolução Cubana. O fim do embargo econômico, que seria a cartada final para estabilizar os laços, ainda parece muito distante de ser concretizado. Isso porque para acontecer, a proposta teria que ser aprovada pelo congresso norte-americano, e este, por sua vez, é composto e controlado pelos republicanos, os quais só aceitariam a condição caso Cuba passasse a ser do jeito que eles querem (é aquele velho discurso, que muitas vezes não passa de um pretexto para se conseguir o que quer com base em interesses pessoais, de “temos o dever de democratizar o resto do mundo”).

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Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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