Mundo

Rainha Victoria brilha. Rainha Hortência afunda

O velódromo é a instalação mais bacana da Olimpíada. Com um formato moderno – lembra um chapéu mexicano – ele é construído em 45 graus e, no centro, enquanto as provas acontecem, os ciclistas ficam se aquecendo.

Ele abriga britânicos que chegam a ele com certeza de vitória. Das oito medalhas de ouro do Team GB, três vieram dali.

A de Victoria Pendleton, no keirin, levou a turma ao delírio. O keirin é uma prova muito emocionante. Um senhor vai na frente, pilotando uma moto, acho que de 50cc. Atrás, vão as seis ciclistas que chegaram a final (tem uma final B, para definir do sétimo ao 12 lugar).

Ele vai pilotando, como um safety car do automobilismo. Quando deixa a pista, o pau come. As ciclistas buscam seu melhor posicionamento para vencer a prova, que consiste em dar seis voltas na pista.

Victoria ficou em quarto lugar e jogou sua bicicleta para a direita, tentando o sprint. O mesmo havia sido feito por uma australiana, que ficou para trás. Victoria venceu a chinesa por meia roda.

Ela é uma espécie de heroína. Está em propagandas. Em uma delas, muito bem vestida, pilota uma bike. Para um país que curte a realeza – o príncipe William estava no velódromo, juntamente com Tony Blair – nada melhor que uma rainha no esporte. E com o nome que tem, fica mais fácil o reconhecimento.

Perto dali, no basquete, a rainha Hortência, grande nome do basquete brasileiro, via seu time afunda. O time é dela mesmo. Como diretora da CBB foi ela quem contratou um espanhol especializado em jogadoras jovens. Depois o trocou por Ênio Vecchi. Não gostou do resultado do Pan e trocou de novo.

O responsável pelo time é Tarallo, que veio das categorias de base. É um sujeito bacana, educado, mas sem nenhuma vibração. Só fala em persistir, persistir…

Não vai continuar. E o projeto para 2016, se é que há um, ficará com outro treinador. Submetido a Hortência. Subjugado por Hortência.

Ela já teve uma ideia de como melhorar o time: vai contratar uma armadora nos EUA. Fácil, não? Assim, ate eu.

Isso, sem falar nas trapalhadas de Iziane. Para tê-la no elenco, Hortência demitiu o treinadro Paulo Bassul. No Pan, foi a vez de Ênio Vecchi perder o emprego e um dos motivos foi haver deixado Iziane no banco.

Hortência fez de tudo para ter Iziane. E a cortou, por levar um namorado na concentração. E Hortência já disse que o caminho está aberto para a volta da craque que nunca resolve.

Se não mudar, Hortência vai perder o título real.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo