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Putin é o grande motivo pelo qual Blatter acredita em “melhor Copa da história” em 2018

A Copa do Mundo do ano passado e a do Catar, em 2022, não são as únicas que são alvos de escrutínio da imprensa internacional. O planeta está de olho também na organização da Rússia para receber o evento, e as críticas são inevitáveis também. Ainda assim, Blatter acredita que a edição de 2018 será a melhor da história, e isso por causa de Vladimir Putin. Demagogia à parte, não é bem assim, e a série de problemas já identificados refutam as afirmações no mínimo cínicas do presidente da Fifa.

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Em declarações publicadas pela Reuters, Blatter falou em tom pessoal sobre o trabalho feito até agora pelos russos. Elogiou tanto que você pode até ficar com vontade de fazer parte do Comitê Organizador Local, em que todos parecem se entender muito bem. “Sou um presidente feliz e orgulhoso. Estou orgulhoso de que a Rússia está se preparando para receber a Copa do Mundo. Muito disso está acontecendo graças ao presidente Vladimir Putin, mas também devido ao ministro dos Esportes, (Vitaly) Mutko, e a (Alexei) Sorokin (líder do COL). Eles são um verdadeiro time e têm uma relação profissional maravilhosa”, comentou o mandatário da Fifa.

É inegável que, em termos de progresso das obras dos estádios, os russos estão dando um banho nas duas últimas edições, no Brasil e na África do Sul. Enquanto por aqui, quase um ano depois, tem estádio ainda sendo concluído, como a Arena Corinthians, na Rússia, em agosto do ano passado, a Otkrytie Arena, primeiro palco terminado, já havia sido entregue. Entretanto, o gasto mínimo estipulado pelo país ainda em 2013 (US$ 21 bilhões) é quase duas vezes maior que o já enorme despendido pelo Brasil (US$ 11,6 bilhões, na conversão de junho de 2014).

Considerando a grave crise financeira pela qual passa o país, desde a desvalorização do rublo em dezembro do ano passado, os gastos projetados ficam ainda mais absurdos, e as declarações a seguir de Blatter, ainda mais cínicas: “Tudo está indo de acordo com o plano, e nada entrará no caminho da Rússia sediar a melhor Copa do Mundo da história. A situação econômica não é a melhor, mas sei que irá melhorar. O mais importante é que o povo russo está organizando este torneio. As pessoas querem que este campeonato progrida, e eu sinto isso pessoalmente”.

Questões diplomáticas também já mancharam o torneio ainda a se realizar. O conflito na Ucrânia e o atrito consequente com os países ocidentais já levaram até mesmo senadores norte-americanos a tentarem iniciar um boicote ao torneio. Nada de concreto aconteceu, mas há muito chão a ser percorrido até lá, e não dá para descartar nada. Além disso, o mesmo problema de excesso de cidades-sede que vimos no ano passado se repetirá em 2018, com 11 cidades e 12 estádios. Uma das sedes para o Mundial, Sóchi, que sediou as Olimpíadas de Inverno de 2014, já é vista como uma cidade cheia de elefantes brancos por causa da organização do evento do ano passado, e a pequena média de 13 mil pessoas por jogo nas partidas da primeira divisão russa são um importante indício de que o destino dos estádios para a Copa possa ser o mesmo.

Some a tudo isso a observação de que, em termos esportivos, a Copa do Mundo do ano passado foi altamente bem-sucedida, com futebol de alto nível e resultados marcantes  o principal deles para nunca se esquecer  e todas as declarações de Blatter viram apenas pura demagogia.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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